FALSAS DOUTRINAS SOBRE DEUS

 

   Porque o Senhor é o Deus supremo

    e o grande Rei acima de todos os deuses.

Sl 95.3

Mediadores de suas próprias orações

Infelizmente, hoje em dia muita gente vive como mediadora de si mesma perante Deus. Tais pessoas buscam a Deus como se Ele pudesse ser mudado pelas suas ideias. Oram como se estivessem falando com o gerente da loja de eletrodoméstico. Argumentam com Deus como se estivessem tratando com um balconista.

Hoje, Deus é tratado como um servo qualquer. Na verdade, percebemos três formas de se querer mandar em Deus. Aqui estão elas.

O Deus cambista

A primeira forma, é aquela que trata Deus como um funcionário qualquer pronto a lhe servir quando e onde você quiser. É interessante notar que algumas das denominações que mais têm crescido no Brasil nos últimos anos, e talvez no mundo, sejam aquelas com um princípio tão herético e sutil: a doutrina da confissão positiva (ou, palavra da fé). A ênfase dessa doutrina está no ter e não no ser.

A Teologia da Prosperidade tem se proposto a buscar um Deus cuja personalidade se parece com a de exus, demônios que necessitam de uma oferenda para realizarem algo na vida daqueles que os buscam.

Esse Deus é um Deus cambista que vive fazendo trocas com seu povo. Essa falha da igreja moderna sobre a pessoa de Deus possui quatro princípios, os quais são:

1.Que Deus nunca diz não a seus filhos;

2.Que só se pode orar uma vez (sendo duas uma demonstração de falta de fé);

3.Que o sofrimento é sinal de falta de fé;

4.Que a pobreza não combina com nossa posição como filhos do Rei.

Nessas igrejas, raramente se ouve sobre arrependimento, pecado, salvação pela fé em Cristo ou santidade. O assunto que interessa, como diz o cântico, é: “Dê, e Deus te devolverá! Então dê, dê ao Senhor.”

Além das músicas, as pregações levam o povo a pensar somente em um futuro financeiro bem sucedido que virá, é lógico, mediante uma desafiadora contribuição (um “sacrifício” como eles gostam de chamar).

Testemunhos são apresentados. E o objetivo é mostrar que há um Deus que você pode desafiar. Ouse, não aceite pouco. Determine, exija! Se Ele é Deus, Ele fará o impossível por você. Apenas informe-o, mas com a determinação de quem manda, e não de alguém sujeito. Sujeite-O, você!

A crença e pregação dessa doutrina é muito nociva e muito perigosa para a igreja brasileira. Traz uma expectativa errada de Deus.

De acordo com 1Tm 6.3-8, não é certo buscarmos a Deus visando a obtenção de bênçãos espirituais. Podemos ter melhor exemplo do erro dessa teologia no que é lido em Jo 6.26,27.

Nesta ocasião, o Senhor Jesus censura homens e mulheres que estavam buscando-o somente pelo pão e pelo peixe que ele havia multiplicado e dos quais aquelas pessoas puderam desfrutar.

A motivação em algumas igrejas modernas permanece a mesma daqueles que achegaram-se a Cristo, e é interessante que a visão sobre Cristo também permanece a mesma: alguém em quem se pode encontrar bênçãos materiais. A diferença é que, hoje, os pastores exigem que os fiéis têm que dar algo a fim de que o “Deus Cambista” possa, então, devolver para o fiel de forma dupla, tripla, quíntupla (o que depende do valor da oferta apresentada à igreja por aquele irmão, às vezes, cheio de boas intenções).

Deus não é um cambista nem um negociador. Com Deus não se faz barganhas. Ele tem um propósito eterno que é a Sua glória. Ele não se arrepende, não muda e, por mais que alguém tenha fé para mover uma montanha, se o mover desta não estiver dentro do propósito eterno de Deus, ela não se moverá.

Nada escapa ou foge aos propósitos eternos de Deus. Ele manda, a gente obedece. Nunca inverta isso. Fuja dessa louca doutrina.

O Deus destronado

A segunda forma de se querer mandar em Deus, ou, simplesmente, informá-lo do que Ele deve ou não fazer, é aquela que confunde a soberania de Deus com a soberania das criaturas.

Existe hoje uma grande confusão com relação à doutrina da Soberania de Deus dentro das igrejas modernas. Logo na abertura de alguns cultos evangélicos, especialmente os neopentecostais, têm-se visto uma forma arrogante de se relacionar com o Senhor.

Suas reuniões iniciam-se com frases do tipo: “Eu determino…”, “Eu não aceito…”, “Eu ordeno…”, e outras frases de orações que têm virado rotina não só na abertura, mas no meio e no final do culto também.

Não acredito que aqueles que se denominam evangélicos (embora esse termo esteja desgastado), e têm essa louca mania de querer mandar em Deus, o façam tendo noção do erro que cometem. Essa maneira errada de tratar com o Deus soberano, para eles, é uma tentativa de buscar uma maior intimidade e comunhão com o Senhor.

Creem, de fato, que Deus está obrigado aos homens, o que nada mais é do que um absurdo (e diabólico) desejo de querer mandar no Soberano Deus do Universo.

É interessante analisar que toda a estrutura de religiões como o animismo, espiritismo, feitiçaria e satanismo, é baseada na busca de controlar, manipular e domesticar as forças sobrenaturais. E é exatamente isso que um ser humano qualquer pode encontrar numa igreja neopentecostal (com raras exceções) e outras pentecostais e tradicionais que têm cedido a essa heresia.

Interessante notar que a feitiçaria tenta manipular as realidades passadas, presentes e futuras. Interessante também é notar que esta prática que reduz o Senhor a um Deus não-soberano, também tenta manipular as realidades presentes, passadas, e futuras.

Todos sabemos o que Deus acha da feitiçaria (Ex 22.18; Lv 19.31; Dt 18.10; Is 47.9; Na 3.4; Gl 5:20; Ap 9:21, 18.23; 22.15) e, ainda mais, o que ela revela no relacionamento com Deus: rebeldia (1Sm 15.23a).

Dentre os textos distorcidos que os adeptos dessa prática usam, encontra-se Jo 14.13-14, um dos favoritos deles: “E farei tudo o que pedirdes em meu nome, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei”.

Para esse grupo, palavras como pedir, rogar e suplicar são a mesma coisa que exigir, decretar, determinar e reivindicar. Temos um problema, então, com a palavra pedir.

Em grego, há duas palavras para pedir: αἰτέω (aiteo) e ἐρωτάω (erotao):

1.αἰτέω: um pedido feito por alguém que está em posição inferior à daquele a quem o pedido é feito (como um filho pedindo ao pai);

2.ἐρωτάω: trata-se de um pedido onde aquele que suplica está em pé de igualdade com aquele a quem o pedido é feito.

Agora, olhando para as Escritura, veremos que o Senhor Jesus só usava ἐρωτάω para fazer um pedido ao Pai. Quando em Lucas 14.32 ἐρωτάω é usado, lemos que um rei fazia um pedido a outro rei.

Porém, quando é num sentido vertical de relacionamento (ex. seres humanos e Deus) a palavra usada é αἰτέω, como no texto acima citado (Jo 14.13-14).

Por isso, se a atitude desses “evangélicos” estivesse correta, Deus já estaria destronado há muito tempo. Dizer, crer e, até mesmo, se atrever a orar pensando que as palavras podem mudar o destino do homem, ou a sucessão de fatos, ou qualquer outra coisa que seja, é tornar o Deus Soberano e Supremo, sujeito à vontade humana, à vontade pervertida de suas criaturas. Deus deixaria de ser o Supremo governador de tudo.

Se você for sábio, fugirá dessa loucura também.

O Deus xerife

A terceira e última forma percebida em algumas igrejas onde Deus não é mais do que uma menininha de laço rosa na cabeça, super obediente, é aquela onde se acredita que podemos determinar quem irá ser abençoado e quem não irá ser disciplinado por Deus.

Esta é outra forma ridícula de se tratar o Criador. De onde vem a louca ideia de que podemos controlar até mesmo sobre quem Deus irá exercer juízo?

Hoje, um grande número de cristãos crê que Deus possa pesar a mão sobre outras pessoas mediante suas ordens. Para tais cristãos, Deus deu a eles o poder de pisar naqueles que são contrários às suas ideias.

Tais homens e mulheres não têm noção do que é desenvolver um relacionamento saudável e feliz com Deus. Vivem fascinados por um Deus xerife, apavorados pelos mistérios desse Deus.

E não perca de foco que, por trás desse derramar do juízo de Deus, está uma louca presunção de querer informar a Deus sobre alguém para quem eles desejam uma grave disciplina da parte de Deus.

Lideranças de igrejas que têm medo de possíveis questionamentos levantados por cristãos de sua comunidade têm se valido dessa afirmativa. Essas palavras tornaram-se uma arma de defesa (e também de ataque) para líderes e, consequentemente, fiéis que não se permitem questionar.

Essas mesmas palavras têm se tornado um açoite para os cristãos incautos e ignorantes que se sentem torturados pela culpa de um pecado.

Essas palavras não tratam somente de um julgamento frio, inumano e raso, mas constituem-se no mais perverso meio de tortura psicológica imposta sobre os que já vivem o drama angustiante da culpa por verem a Deus como um xerife.

Deus não é um xerife patrulheiro à caça de pecadores, nem está ligando para ordens de Suas criaturas que reivindicam (ou melhor, ordenam) o Seu juízo contra alguém.

A justiça é a execução da retidão. O juízo de Deus é a execução de Suas penalidades expostas nas Escrituras. Ele é fiel ao que Ele diz e executa o que Ele mesmo determinou.

Essa é a santa justiça, pois traz em si a clara ideia do ódio contra o pecado, o que acaba resultando numa indignação que o leva a ser justo (Sf 3.5; Dt 32.4; Sl 11.4-7; Dn 9.12-14).

Segundo o texto de Hb 12.6, Deus corrige ao que ama. A ideia do castigo (do pesar a mão) é contrária ao Espírito da graça do Novo Testamento. Isso, pelo fato de Deus só disciplinar os Seus pelo fato dEle os amar. Caso não amasse, não os disciplinaria.

Querer que Deus discipline alguém, ou pedir que Deus assim o faça, é agir com a presunção de que nós sabemos mais do que Ele quem precisa de umas “palmadinhas”. Sem dúvida alguma, Des sabe muito mais do que nós quem deve ou não ser disciplinado.

Algumas informações adicionais

Os atributos de Deus

Atributos são as “qualidades” de Deus, suas características principais. Tudo aquilo que é próprio de uma pessoa, é seu atributo. Se alguém é muito inteligente, dizemos que um dos atributos de determinada pessoa é a inteligência.

Para todos as características de Deus damos o nome de atributos. Só conhecemos os atributos de Deus pelo fato das Escrituras os apresentarem a nós. Fora da Bíblia, apenas podemos “desconfiar” desses atributos por meio da observação da Criação. Ao olharmos para os céus, os mares, as montanhas, as plantas, os animais, o corpo humano, e tantas outras coisas da Criação, somos capazes de, sem a Bíblia, compreendermos que há um Criador inteligente, sábio e poderoso.

Normalmente, na teologia, divide-se os atributos de Deus em atributos naturais e atributos morais.

Os atributos naturais

Estes são atributos que existem em Deus, em seu ser, que estão ligados a Ele e não necessariamente ao que Ele faz. Alguns destes atributos são: vida, tri-unidade, imutabilidade, onipotência, onisciência, onipresença, eternidade, espiritualidade, auto-existência e personalidade.

Alguns desses atributos não podem ser compartilhados conosco, e pertencem apenas a Deus. Esses são chamados de  atributos incomunicáveis. Outros, como a personalidade e a espiritualidade, ele comunica conosco, sendo os atributos comunicáveis. Assim são muitos outros.

Os atributos morais

Estes atributos não estão ligados apenas ao ser de Deus, mas ao seu caráter e ao seu agir. Assim como os atributos naturais, nos morais também encontramos aqueles que são comunicáveis e aqueles que são incomunicáveis a nós. Alguns dos atributos morais são: amor, santidade, bondade, justiça, dentre outros.

Dentro destes, mais uma vez, encontramos aqueles que são “comunicados” ou compartilhados conosco e outros que pertencem sobre a Deus.

Os atributos de Deus devem ser estudados e conhecidos pois são eles que nos ajudam a adorar a Deus com profundidade. Quando o adoramos, adoramos por quem Ele é. E, só sabemos quem Ele é graças ao estudo e conhecimento de seus atributos. Quanto mais o conhecemos, mais o amamos, e quanto mais o amamos, mais o adoramos.

ENOQUE: O que significa andar com Deus?

 

18Jarede viveu cento e sessenta e dois anos e gerou a Enoque.19Depois que gerou a Enoque, viveu Jarede oitocentos anos; e teve filhos e filhas.20Todos os dias de Jarede foram novecentos e sessenta e dois anos; e morreu. 21Enoque viveu sessenta e cinco anos e gerou a Metusalém.22Andou Enoque com Deus; e, depois que gerou a Metusalém, viveu trezentos anos; e teve filhos e filhas.23Todos os dias de Enoque foram trezentos e sessenta e cinco anos.24Andou Enoque com Deus e já não era, porque Deus o tomou para si.

Gn 5.18–24

Quem foi Enoque? 

Enoque foi o sétimo depois de Adão. Ele vem da geração que começou após a morte de seu irmão Abel. Podemos encontrar todos os detalhes das sete gerações no início do capítulo 5 de Gênesis. A versão resumida, encontramos em 1Crônicas 1.1-4: “Adão, Sete, Enos, Cainã, Maalalel, Jarede, Enoque, Metusalém, Lameque, Noé, Sem, Cam e Jafé.”

É assim que o autor das Crônicas começa a história de Israel, pelas gerações que começam em Adão e terminam nos filhos de Noé.

Sabemos muito pouco sobre Enoque. O pouco que sabemos, contudo, nos permite compreender o porque de Deus tê-lo colocado na lista de heróis da fé, na lista daqueles cujo testemunho devemos imitar, enquanto perseveramos nós também em nossas próprias histórias de vida.

Enoque foi filho de Jarede e pai de Metusalém. Ele foi um descendente de Sete, e essa geração era famosa por sua longevidade. A ciência já recorreceu a possibilidade disso acontecer em situações extraordinária quando o quadro genético da pessoa é favorável a isso.

Numa geração onde as pessoas viviam séculos e séculos, Enoque viveu pouco; foram somente 365 anos de vida. Isso era considerado pouco em sua geração e, especialmente, dentro de sua descendência. Ao contrário de Enoque, se filho Metusalém foi o homem que mais tempo viveu sobre a face da terra, morrendo o filho de Enoque com 969 anos de idade. Ninguém na longínqua geração de Sete, filho de Adão, viveu tanto tempo.

Mas, o tempo mais curto de vida de Enoque não se deu por qualquer acidente. Ao contrário. Foi o próprio Deus que decidiu interromper sua história de vida, chamando-o para si de uma forma que era desconhecida naquele tempo. Enoque não morreu. Deus o levou vivo para o céu. Deus o trasladou sem que Enoque tivesse que encarar o último inimigo do homem, a morte. Além dele, outros poucos viveram isso na história. E a razão pela qual Deus o levou dessa maneira é o que torna a vida de Enoque especial para todos nós.

O que havia de especial em sua vida?

O verso 19 nos diz que Enoque teve muitos irmãos. No entanto, ninguém temia ao Senhor como ele. Nós nem mesmo sabemos do nome de seus irmãos. Seus irmãos não são chamados de heróis da fé. Isso não significa que eles não tenham temido ao Senhor, mas que eles não chegaram ao ponto onde Deus espera que todos cheguemos um dia. E Enoque chegou lá, e chegou o mais perto que qualquer outro homem tenha chegado.

Isso já nos mostra o quanto Enoque era especial e diferente dos de sua geração. Diferente, mas nem tanto. O verso 21 diz que Enoque teve um filho, Metusalém. Isso significa que Enoque se casou, e teve com sua esposa filhos e filhas, diz o final do verso 22. Ou seja, nesse quesito, Enoque foi bastante parecido com as pessoas de sua época. Ele não era um super-homem, mas um homem comum que nasceu, teve irmãos e irmãs, conheceu uma garota, casou-se com ela e teve filhos e filhas com ela.

Mas, o diferencial na vida de Enoque é o que está no início do verso 22: “Andou Enoque com Deus”. O que significa andar com Deus? Andar com Deus significa andar com pensamentos em Deus. Significa também andar com atos de amor pelo Senhor, dizendo não ao pecado e a tudo que sua geração lhe oferecia. Significa que o coração de Enoque estava o tempo todo em Deus.

O mundo na época de Enoque não era muito diferente do nosso. A maldade e o pecado já enchiam a Terra que, após somente 4 gerações, seria totalmente destruída. É possível que muitos contemporâneos de Enoque tenham morrido no dilúvio, no qual se destacou um bisneto de Enoque, um homem chamado Noé.

Então, imagine o mundo já em sua época crescendo em maldade e pecado. Lembre-se do que disse Jesus, de que o mundo estaria como nos dias de Nós, nos dias que antecedessem sua segunda vinda. Muitos já cremos que estamos muito próximos desse dia, talvez vivendo aquilo que Enoque viveu — os dias que antecederam o dilúvio.

E foi nesse tempo de pecado que um homem se destacou pelo simples fato de ter decidido andar com Deus.

Ele foi o primeiro a temer ao Senhor?

É interessante notar que outros em sua geração haviam sido fiéis e tementes a Deus. Enoque vem da geração de Sete e Enos, no tempo de quem “se começou a invocar o nome do Senhor”, Gn 4.26b.

No entanto, Enoque amou mais a Deus do que, provavelmente, todos os seus antepassados. Ele viveu uma vida de serviço ao Senhor e de adoração. É bem provável que ele tenha se destacado diante de seus antepassados, razão pela qual ele nem mesmo conheceu a morte. A Bíblia apenas diz que “Andou Enoque com Deus e já não era, porque Deus o tomou para si”, Gn 5.24.

Quando a genealogia de Jesus é contada em Lucas 3.37, ele é colocado na geração de Enoque e de seu filho Metusalém. A forma como ele deixou este mundo é contada pelo autor de Hebreus, no capítulo 11.5: “Pela fé, Enoque foi trasladado para não ver a morte; não foi achado, porque Deus o trasladara. Pois, antes da sua trasladação, obteve testemunho de haver agradado a Deus. De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam”, Hb 11.5–6).

O texto que normalmente é lido sobre a morte de Enoque é apenas Hb 11.5. O verso 6 é lido muitas vezes isolado, mas não penso que deve continuar a ser lido assim. Para mim, o verso 6 tem muito a ver com o 5, ou seja, com Enoque. O texto grego inicia com uma conjunção δὲ, a qual liga o que está sendo dito com o que foi dito anteriormente.⁠1

Assim, completa-se a ideia de que Enoque agradou a Deus, creu na existência de Deus, e viveu com essa certeza todos os dias de sua vida, agindo de um modo diferente dos de sua geração. Ele temeu a Deus, como muitos outros, mas sua fé era de tal modo prática, que o texto bíblico diz que ele agradou ao Senhor, e não outros.

Como Enoque aponta para Cristo?

Enoque aponta para Cristo no sentido de ele mesmo ter andado como Cristo andou. A vida de Cristo foi, como a de Enoque, um andar com Deus. Suas ações, suas palavras, suas orações, refletem um homem que também andou com Deus.

E é interessante que nossas vidas devem ser marcadas por um seguir dos passos de Jesus, um andar como ele andou.

Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, e sim como sábios. Ef 5.15

Devemos andar na luz, disse Jesus:

Respondeu-lhes Jesus: Ainda por um pouco a luz está convosco. Andai enquanto tendes a luz, para que as trevas não vos apanhem; e quem anda nas trevas não sabe para onde vai. João 12.35

Por fim, temos a recomendação de que andemos como ele e nele!

Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele,

Cl 2.6

Conclusão e Aplicação

Hoje, podemos viver em meio a muitas pessoas que também expressam uma espécie de temor ao Senhor. No entanto, isso não muda nada visível na vida dessas pessoas. E creio que o Senhor espera que você seja alguém como Enoque em sua geração, alguém que cause mudanças, que seja diferente, que caminhe com Ele, pensando nEle, falando com Ele, sempre diante da face dEle.

Andar com Deus não é simplesmente afirmar-se como um cristão. Andar com Deus hoje significa ser alguém que honra a Deus em cada palavra que fala, em cada atitude que toma, em cada passo que dá. Assim, você também pode andar com Deus em nosso tempo. É bem possível que você não seja trasladado como Enoque foi… isso, provavelmente não acontecerá com você. Mas, é bem possível que sua vida seja um exemplo para a de muitos, como Enoque foi para os de sua geração e futuras gerações. Os efeitos da santidade na vida de alguém perduram por gerações e gerações. Os frutos ainda são colhidos mesmo depois da morte da pessoa que andou com Deus.

Isso significa que, mesmo depois de sua morte, seu testemunho e história ainda podem continuar a abençoar e influenciar a vida de muitas e muitas pessoas. Que você e eu possamos olhar para a vida de Enoque e concluirmos que não há nada melhor do que escolhermos por esse caminho para viver: andando com Deus.

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1 Louw, J. P., & Nida, E. A. (1996). Greek-English lexicon of the New Testament: based on semantic domains (electronic ed. of the 2nd edition., Vol. 1, p. 789). New York: United Bible Societies.

FALSAS DOUTRINAS SOBRE A BÍBLIA (parte 1)

O profeta que tem sonho conte-o como apenas sonho; mas aquele em quem está a minha palavra fale a minha palavra com verdade. Que tem a palha com o trigo? — diz o SENHOR.

Jeremias 23.28

Qual a relação entre as doutrinas sadias e o conhecimento das demais doutrinas da Palavra de Deus?

Aquilo sobre o que você constrói a sua casa determinará quanto tempo durará a sua casa. Se você constrói sua casa sobre a areia, como disse Jesus em Mt 7, quando vir a chuva e soprar sobre ela o vento, ela certamente cairá. Se você a construir sobre um monte de pedregulhos, é bem possível que trincas surgirão com o deslocamentos das pedrinhas. Se você construir sobre o barro, é bem possível que ela não dure muito tempo devido à toda deteriorização natural diante da exposição à chuva.

Enfim, todos sabemos que casas precisam de um alicerce sólido sobre o qual possa permanecer até o dia em que alguém, por livre e espontânea vontade, decida derrubá-la. E não existe apenas um tipo de fundamento. Dependendo do tipo de casa que você constrói, você precisa de tipos diferentes de alicerces sobre os quais construir. O alicerce de um edifício é diferente do de uma casa. O de uma borracharia é diferente do de um Shopping Center.

Mas, o que tudo isso tem a ver com as doutrinas sadias ou doentes sobre a Bíblia? Tem a ver no sentido de que as doutrinas são o fundamento sobre o qual nossa vida espiritual é construída. Dependendo do alicerce que você tem colocado em sua vida, sua espiritualidade tanto pode permanecer “de pé”, quanto pode cair e desaparecer para sempre.

No texto de Jeremias 23.28, encontramos o Deus e o profeta sendo irônicos (ou sarcásticos) ao incentivarem falsos profetas a contarem seus sonhos. Obviamente, não porque Deus concorde com isso, mas apenas para mostrar quão pífios estes são diante da própria Palavra de Deus.

Já naquela época, pessoas corriam atrás de falsas revelações nas quais visões e sonhos acabavam tendo mais procura do que a própria Palavra de Deus. As pessoas ansiavam por ouvir sonhos sendo explicados. O sensacionalismo os animava e contagiava. E Deus está sarcasticamente chamando os “profetas” a contarem seus sonhos a fim de que todos percebam que os sonhos não passam de “palha” diante do verdadeiro “trigo” que é a Palavra.1

Isso não quer dizer que o Senhor não fale por sonhos. Este é mais um meio que encontramos na Palavra sobre como Deus fala com os seus. Vemos isso aqui:

Números 12.6: Então, disse: Ouvi, agora, as minhas palavras; se entre vós há profeta, eu, o SENHOR, em visão a ele, me faço conhecer ou falo com ele em sonhos.

Mateus 2.12: Sendo por divina advertência prevenidos em sonho para não voltarem à presença de Herodes, regressaram por outro caminho a sua terra. Tendo eles partido, eis que apareceu um anjo do Senhor a José, em sonho, e disse: Dispõe-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egito e permanece lá até que eu te avise; porque Herodes há de procurar o menino para o matar.

Ainda hoje, pessoas continuam dando mais valor aos sonhos e sinais sensacionais do que à própria Palavra de Deus. É importante que recordemos, então, que distantes da Palavra de Deus, as pessoas encontrarão a morte espiritual.

Somente doutrinas sadias são capazes de produzir um viver sadio, uma família sadia e uma igreja sadia. O simples fato de alguém ou mesmo uma comunidade inteira não se preocuparem com a Palavra, com as sãs doutrinas, constituem-se um risco mortal a essas pessoas.

Essa é uma mentira que tem matado a vida espiritual de muita gente, o crer que outras coisas podem substituir a Palavra em suas vidas, ou, simplesmente, acreditarem que a Palavra não é tão necessária assim.

Uma mentira que mata: “eu não preciso da Palavra de Deus para ser um cristão”. Tome muito cuidado com qualquer coisa que tire a Palavra de sua vida, ou mesmo que lhe leve pra longe dela.

PRECISO ME IMPORTAR COM TEOLOGIA?

Ouvi a palavra do SENHOR, vós, filhos de Israel, porque o SENHOR tem uma contenda com os habitantes da terra, porque nela não há verdade, nem amor, nem conhecimento de Deus.

Os 4.1

Você precisa se preocupar com teologia? Ou teologia é “coisa” só para seminaristas e pastores? Quem é o verdadeiro teólogo? Aquele que é mestre ou doutor em teologia, ou qualquer que tenha opinião formada sobre Deus? Aliás, porque se preocupar com isso? Não seria a experiência com Deus mais importante do que o conhecimento de Deus?

Muitas pessoas, em sua ignorância, acabam achando mesmo que teologia é coisa só para poucos. Na verdade, todos são teólogos, visto que todos sempre têm uma palavra para emitir sobre a pessoa de Deus. Sempre que alguém diz: “Para mim, Deus é…”, ou, “para mim, Deus não existe”, tais pessoas estão emitindo opiniões sobre Deus.

Querendo ou não, todos são teólogos. Teologia é o estudo sobre Deus, ou seja, teologia tem a ver com o “conhecimento de Deus”. Agora, voltando às perguntas (pois elas são a melhor forma de se ensinar algo), seria o conhecimento de Deus algo importante? É importante conhecer a Deus? Por que é importante conhecer a Deus (antes de morrer)?

Teologia = Conhecimento de Deus. Alguém que diz que não gosta de teologia é alguém que não gosta de…? Isso: conhecer a Deus. A verdadeira teologia é aquela que é feita na Sagrada Escritura, pois é ela que ensina sobre a obra e pessoas da Santíssima Trindade.

É sempre na ausência do “conhecimento de Deus” que o povo de Deus acaba se perdendo ou sendo destruído:

O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento.

Os 4.6a

Desde cedo, pessoas na Bíblia se preocupavam em transmitir às futuras gerações o “conhecimento de Deus” que possuíam. A falha nisso causou verdadeiras tragédias espirituais e nacionais em Israel. A “chave” para a “vitória” em Israel estava em transmitir o “conhecimento de Deus” que possuíam e serem fiéis em obedecer tais ensinamentos. Isso, e só isso, traria “vitória” para Israel, em tudo o que fizessem.

Não apenas reis, sacerdotes e profetas se importavam com isso, mas pais também. Eram os pais os principais responsáveis pela transmissão da Verdade de Deus para seus filhos. Ninguém deveria ser negligente ou preguiçoso em sua busca por “conhecimento de Deus”. Um claro exemplo disso são as palavras de Salomão ao seu filho:

Filho meu, se aceitares as minhas palavras e esconderes contigo os meus mandamentos, para fazeres atento à sabedoria o teu ouvido e para inclinares o coração ao entendimento, e, se clamares por inteligência, e por entendimento alçares a voz, se buscares a sabedoria como a prata e como a tesouros escondidos a procurares, então, entenderás o temor do SENHOR e acharás o conhecimento de Deus.

Pv 2.1–5

Note o conselho do Espírito Santo a todos nós através dos conselhos de Salomão ao seu filho. Deus deseja que: a) aceitemos Sua Palavra; b) decoremos (esconder) Sua Palavra; c) prestemos atenção a tudo que diz respeito à Bíblia; d) amemos com todo coração o “entendimento” que vem da Palavra; e) depois de tudo isso, clamarmos por mais inteligência (emocional e espiritual); e, finalmente, f) nos interessarmos e investirmos naquilo que tem a ver com o “conhecimento de Deus”.

A promessa é que, se fizermos tudo isso com zelo e carinho, que começaremos a conhecer realmente quem é Deus. Veja, eu disse “começaremos a conhecer”. Teologia não é algo feito em um mês ou quatro anos. Não é algo que se aprende em um livro técnico sobre determinada doutrina. Teologia se obtém no labor associado à oração e à leitura. Todos devemos ler a Bíblia, e todos devemos orar a Deus.

É no exercício dessas práticas que começamos a obter “conhecimento de Deus”. O segundo passo é introduzirmos leituras relacionadas a Deus, ou seja, livros de teologia, livros sobre doutrinas da Bíblia. Estes livros, quando bem escolhidos, servem para nos ajudar a conhecer melhor a Deus. Se determinado livro não lhe servir no crescimento de seu conhecimento de Deus, verdadeiramente este livro não lhe serve para coisa alguma além de mera diversão (ou distração).

Livros não trazem conhecimento de Deus. A Bíblia traz. Livros só nos ajudam quando firmemente alicerçados sobre a Escritura ou quando encharcados pela cosmovisão bíblica.

Voltando à pergunta inicial, por que se importar com teologia? Porque é a teologia que lhe ajudará a conhecer melhor a Deus. E este é o desejo de Deus revelado em Oséias 4.1, escrito bem abaixo do título acima. Segundo o texto, Deus possuía uma contenda com os moradores da Terra. Esta tristeza e insatisfação se deu pelo fato de não haver amor entre os homens; e, qual a razão da falta desse amor? Não havia verdade, muito menos o conhecimento de Deus.

Assim, teologia não é coisa apenas de seminarista. Teologia é para todos! R. C. Sproul, citado por Dave Harvey em seu livro Quanto pecadores dizem ‘sim’ (Editora Fiel), afirma que:

“Todo cristão é um teólogo. Ele pode não ser um teólogo no sentido técnico ou profissional, mas ainda é um teólogo. A questão não é ser ou não ser um teólogo, mas se somos bons ou maus teólogos”.

Quer você tenha pouco conhecimento de Deus ou muito, por causa disso você possui uma “teologia” em sua mente, um “conhecimento de Deus” guardado em si. O que Deus claramente espera em Sua Palavra é que você cresça e amadureça este conhecimento que você possui sobre Ele. Não permaneça ignorante a respeito da Palavra de Deus e do Deus da Palavra. Ignorância é pecado. Falta de conhecimento de Deus é pecado. É desobedecer sua Palavra que diz:

Conheçamos e prossigamos em conhecer ao SENHOR;

Os 6.3a

Obedeçamos a Palavra de Deus. Seja onde for, seja quando for, sempre tenhamos a Palavra de Deus e um bom livro sobre Deus à mão. Temos tão pouco tempo para viver… Que tal se vivermos intensamente na busca do “conhecimento de Deus”?

Teologia da ignorância divina (parte 2)

Mudando de rumo
Sem dúvida alguma, a Bíblia apresenta a oração como uma forma de Deus nos por em nosso devido lugar. Nossas orações não mudam o onipotente Deus. Muito menos têm a função de informá-lo sobre o que é o melhor para nós.
 
Nossas orações são, antes, uma forma de sermos participantes dos propósitos de Deus para nós. Nossas orações são um privilégio que Ele nos concede de vivenciarmos o mistério da providência.Continue reading

Teologia da ignorância divina (parte 1)

“Perseverai na oração, vigiando com ações de graças.”
Colossenses 4.2
 
Sempre tive dificuldade com Serviços de Atendimento ao Cliente (SAC). Não sei se é o seu caso, mas todas as vezes que tenho problemas com um produto, plano ou equipamento, sofro para conseguir o que desejo. 
 
Contudo, há pessoas que são mestras em conseguir o que desejam. Tanto em conseguir um desconto, quanto em convencer um cliente. Não precisam que ninguém interceda por elas. São pessoas que têm o “dom” da intercessão.
 
Obviamente, não falo aqui de dom no sentido bíblico. Não falo de dom como Paulo falou aos coríntios. Antes, falo de algo que é fácil para alguns e terrível para outros: a capacidade de, em meio a problemas, intercederem por si mesmos perante outros.
 
O problema que desejo tratar neste capítulo não diz respeito à capacidade que alguns têm de conseguirem quase tudo o que desejam. O problema a ser tratado diz respeito ao momento quando tais pessoas vão a Deus tratando-o da mesma forma como tratariam alguém a ser convencido.
 

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