UM CRISTÃO PODE FICAR POSSUÍDO PELO DIABO?

Quando o espírito imundo sai do homem, anda por lugares áridos, procurando repouso; e, não o achando, diz: Voltarei para minha casa, donde saí.

Lucas 11.24

Pode um cristão ficar possuído por um demônio? Não! Um cristão verdadeiro jamais poderá ser possuído por um espírito imundo. Este é o nome que Jesus dava a tais espíritos que possuíam pessoas ou animais. Sabe-se que nem todos os demônios possuem pessoas, mas alguns o fazem, por motivos não muito claros a nós. O que se sabe vem do bom senso e das palavras dos próprios demônios que não são palavras nada confiáveis.

Em 1Jo 5.18-19, o Espírito Santo nos instrui pela Palavra o seguinte:

Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado; antes, Aquele que nasceu de Deus o guarda, e o Maligno não lhe toca. Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno.

A primeira informação deste texto é que a pessoa que se converteu não vive mais na prática do pecado. Isso não significa que tal pessoa não peca mais, mas que o pecado, agora, será apenas um acidente na peregrinação de tal pessoa. Antes, o pecado era uma constante, um prazer diário. Agora, apenas um acidente que traz profunda tristeza àquele que o comete.

São tais pessoas, para as quais o pecado traz tristeza e faz parte da batalha do dia a dia, que são chamadas pela Bíblia de “nascidos de Deus”. Para elas, assim como para Deus, o pecado é algo que traz tristeza e, muitas vezes, ódio. É dos cristãos amar o que Deus ama e odiar o que Deus odeia. Alguém que ama o que Deus odeia e odeia o que Ele ama ainda não “nasceu de Deus”, termo usado pelo apóstolo João no verso acima.

E são estes nascidos de Deus que não podem ser tocados pelo Maligno. Tais pessoas são guardadas pelo Espírito. O Espírito Santo de Deus as reveste impedindo qualquer ação demoníaca em tais pessoas. As pessoas convertidas foram seladas com o Espírito de Deus e isso lhes confere até mesmo autoridade sobre espíritos demoníacos.

“O mundo inteiro jaz no Maligno”, ou seja, não há nada neste mundo que esteja fora da ação demoníaca do Maligno. Tudo está sob sua ação e intervenção. Apenas aquilo e aqueles a quem o Senhor deseja guardar são protegidos. Deus está acima do Maligno. Não há rivalidade, ou guerra entre Deus e o Maligno. Há apenas um Soberano: Deus. Mesmo a autoridade do Maligno sobre seres humanos e animais encontra-se debaixo da autoridade de Deus. Ou seja, qualquer palavra de Deus faz com que o Maligno pare na mesma hora o que ele está fazendo e se submeta à autoridade máxima e soberana de Deus.

No entanto, aqueles que não são nascidos de Deus permanecem à mercê da ação destes espíritos imundos. São apenas estas pessoas que podem ficam possuídas por demônios. Um convertido, ou seja, alguém nascido de novo, jamais ficará possuído por outro espírito além do Espírito Santo de Deus.

Para os convertidos, a recomendação é apenas esta: Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós (Tg 4.7). Devemos apenas resistir às suas tentações. Ele continuará a agir externamente tentando nos seduzir e fazer cair. Cabe a nós resistirmos e fugirmos para que nada roube a nossa paz.

COMO SE LIBERTAR DO PECADO?

Tendo-se levantado alta madrugada, saiu, foi para um lugar deserto e ali orava.

Mc 1.35

Há muita gente que não aguenta mais viver com certos vícios e pecados. Maus hábitos que lhes perseguem há anos e dos quais desejam se livrar, mas não conseguem. Pessoas que já entregaram suas vidas a Cristo, mas, ainda assim, sofrem por não conseguirem se ver livres daquilo que as afasta de Deus e as coloca debaixo de um jugo.

Muitas destas pessoas já procuraram ajuda, já clamaram por socorro a pastores, conselheiros, amigos e terapeutas, mas continuam encontrando, semana após semana, as mesmas quedas nos mesmos pecados dos quais não veem a hora de estarem libertos.

De fato, não existe uma fórmula mágica para libertar pessoas da escravidão ao pecado. Somente Cristo nos liberta, mas, para isso, é necessário que ouçamos e vejamos certas coisas que ele disse e fez.

Em Mt 11.28 Jesus disse: Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. No entanto, para que consigamos nos achegar a Cristo e receber o alívio que só ele pode nos dar, é necessário que leiamos este outro texto (Mt 16.24): Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. 

Cristo não apenas nos convidou para que o sigamos e encontremos alívio de nossos vícios e pecados, mas nos orientou que, para segui-lo, seria necessário que nos negássemos. Negássemos tudo aquilo que poderia manter vivo o velho homem dentro de nós. Ainda que, para isso, tivéssemos que nos desfazer de certas coisas ou privilégios. Tudo o que nos fizesse reviver o tempo de escravidão ao pecado deveria ser tirado de nossas vidas. Tudo o que nos liga aos velhos ídolos do nosso coração deveria ser extirpado. Se não houver um corte radical, nunca nos veremos livres cabalmente.

E não é possível que esse corte seja feito sem que haja oração. Sem oração não há ruptura. Sem oração não é possível que morramos para este mundo e tudo aquilo que nos tenta. Se queremos fugir das tentações e das distrações do dia a dia, é necessário que leiamos com atenção a atitude de Jesus em Mc 1.35, texto registrado mais acima, abaixo do título.

Mesmo Cristo sendo Deus, reconhecia a necessidade (e prazer) do deserto. Aqui está o outro elemento importantíssimo para que você e eu encontremos finalmente libertação de nossos pecados. Não basta apenas ir à Cristo e entregar-se a ele, mas é necessário que você permaneça nele, constantemente, em oração. Para isso, você precisa do deserto.

Deserto aqui não diz respeito a um lugar quente, sem vida e distante, mas a um lugar onde você poderá ficar sozinho, a sós com Deus. O teu quarto, segundo Jesus, pode ser um lugar deserto, se nele você estiver sozinho (Mt 6.6). O cultivo da oração diária a sós com Deus é extremamente necessário se você deseja manter-se em pé diante das tentações do dia. Só Deus pode sustentar sua vida, seus pensamentos, seus olhos, suas palavras e suas motivações.

Não deixe de seguir o exemplo de Cristo em algum momento do dia procurando um lugar deserto para orar. E não deixe de ouvir as palavras de Cristo sobre o que você precisa deixar para poder segui-lo e encontrar alívio. Ele é fiel e verdadeiro. Sua palavra nunca falha. Ele é sempre o mesmo e está sempre no mesmo lugar, pronto a lhe perdoar e restaurar.

4 passos para o alívio

Como ter alívio na vida? Como encontrar paz para a alma? Sinceramente, não creio que é possível viver em paz plenamente, sem o confronto com as lutas e as tribulações da vida. Todavia, sei que há como se viver tranquilo em meio ao furacão, em paz em meio às aflições. Loucura? Talvez, não.

Aqui estão alguns passos para esta paz sobre a qual escrevo e que tem funcionado muito bem em minha própria vida.

1º passo — CONFIE na promessa de que, buscar a Deus, por pior que seja a tribulação, é a atitude mais sábia que alguém pode ter. Ore, fale com Deus. Busque-o com todo o coração, conversando com ele como com alguém em quem você confia plenamente. Confie que Ele é misericordioso, que Ele é paciente e que Ele está disposto a lhe socorrer em todo o tempo;

2º passo — CONFESSE seus pecados; pecados não confessados a Deus mantêm uma tristeza incompreensível em sua alma. Só o perdão traz paz, paz que não vem sem o alívio da culpa. Uma vez que a culpa é retirada, a paz é desfrutada. Fale com Deus sobre o seu pecado. Além do perdão, reconheça sua fraqueza. Não faça promessas do tipo “nunca mais farei isso, ou aquilo”. Não jure, não prometa, apenas reconheça sua fragilidade e completa dependência da misericórdia dele para se libertar do erro;

3º passo — CLAME pela proteção do Senhor. Clame a Ele que lhe guarde – "Não terás medo do terror de noite nem da seta que voa de dia”, Salmo 91.5. “Setas”, ou seja, flechas do “inimigo” voam sobre nossas cabeças diariamente. Quem, a não ser o Senhor, pode nos proteger de tão furioso inimigo?

4º passo — CREIA que o socorro virá. Ele virá! Como a própria Escritura afirma, feliz é aquele que descansa à sombra do onipotente (Salmo 91)! Não deixe de buscá-lo a cada 30 minutos, repetindo os passos aqui apresentados. O resultado, pelo menos em minha vida tem sido assim, será o descanso que vem de Cristo para sua alma. Não há nada melhor do que desfrutar dessa paz.

Alívio vem da constância com que praticamos estes passos. Não há como viver sem buscar a proteção e o perdão do Senhor. Um cristão que não busca constantemente tais coisas no Senhor só pode ser um cristão aflito, sem paz, atribulado. Que tal parar agora mesmo e dar estes passos?
 

SUA UNIÃO COM CRISTO: VERDADES QUE VOCÊ PRECISA SABER!

Paulo, após falar sobre o poder que os mortos têm para viver, começa a tratar de um novo assunto. A proposta do apóstolo é que os efésios pensassem doravante no que implica estarem unidos com Cristo.

A expressão que o apóstolo usa com frequência em Ef 2.4-7 é ἐν Χριστῷ Ἰησοῦ. Uma tradução simples traria “em Cristo Jesus. Já um estudo mais detalhados destas palavras possivelmente nos traria “dentro de Cristo Jesus”, ou “em união com Cristo Jesus (sendo que esta união se compreende quando nos vemos dentro dele). 

A preposição grega ἐν (em) traz a ideia de algo que está literalmente dentro de alguma coisa. Traz a ideia de uma união perfeita onde o objetivo envolvido está absorvido interna e externamente por aquele que o envolve. Não é a toa que Paulo por diversas vezes usa essa expressão para tratar dele e da igreja em Éfeso. Todos estavam “em Cristo”, e a correta compreensão do que significa isso traria conforto e gratidão ao coração dos efésios.

 

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A linda história dos 40 mártires do gelo

No dia 9 de março, completou-se 1694 anos da morte dos 40 mártires do gelo. Você conhece a história destes homens?

Três grandes homens de Deus do passado escreveram sobre uma história realmente impressionante de amor a Cristo e de martírio. Gregório de Nissa (séc. IV) escreveu sobre a festa que a igreja em seu tempo criou para celebrar a memória dos 40 mártires. Alguns de seus sermões falam desses mártires. 

Éfrem da Síria (também conhecido como Santo Éfrem, o Sírio) também citou os 40 mártires em seus escritos. Ele foi um grande líder e compositor de hinos e poesias. Várias desses hinos e poesias foram dedicados aos 40 mártires. Éfrem viveu numa cidade chamada Edessa, cerca de 350 quilômetros ao sul de Sevaste, local onde os 40 foram mortos por amor a Cristo.

No ano 320 d.C., milhares de cristãos se espalhavam pelo Império Romano. Apesar de toda perseguição, o número dos cristãos só aumentava. Havia cristãos em todas as esferas da sociedade. Inclusive nas forças armadas, obrigatória para todos os cidadãos do império.

Era comum a religião entre os soldados. Em cada local onde as legiões de soldados romanos se encontrava haviam lugares de culto a Mitra, a Jesus, a César, enfim, àquele que tais soldados consideravam seu Deus. 

O episódio dos 40 mártires foi um dos mais estranhos da história. A começar pelo fato de um número grande de soldados serem mortos por seus próprios companheiros. TUDO COMEÇOU QUANDO o imperador Licínio exigiu que as tropas sacrificassem à sua imagem. Agrícola, governador da região onde estavam os 40 soldados, fez valer a ordem do imperador. O governador Agrícula, no início de março de 320 d.C., levou à tropa que estava em Sevaste (atualmente na Turquia) a ordem de Licínio.

No entanto, 40 dos soldados que estavam ali eram cristãos. Estes, se recusaram oferecer sacrifícios em adoração ao imperador. Segundo o relato de alguns dos Pais da Igreja, um dos 40 disse assim:

– Não vamos sacrificar, pois isso é trair a nossa santa fé.

O governador, calma mas firmemente respondeu:

– Mas, o que vocês falarão aos seus companheiros? Pensem! Somente vocês, de toda a tropa de César, irão desafiá-lo? Pensem! Pensem na vergonha que vocês trarão aos seus companheiros e à sua legião!

Mas, ainda assim, eles permaneceram firmes em sua posição.

– Desonrar o nome de nosso Senhor Jesus Cristo é algo mais terrível ainda!

O governou respondeu:

– Vocês estão loucos! Vocês não têm nenhum senhor senão César! Em nome dele eu prometo a promoção para o primeiro de vocês que der um passo à frente e cumprir o seu dever de sacrificar ao imperador!

Após breve pausa, nenhum deles se moveu. Então, Agrícola mudou sua tática:

– Vocês irão perseverar em sua rebelião? Se perseverarem, preparem-se para a tortura, para a prisão e para a morte! Esta é a sua última chance. Vocês irão obedecer ao imperador?

 Embora sabiam que o governador não estava brincando, os soldados mativeram-se firmes em sua resolução. Outro deles afirmou:

– Nada que você vier a nos oferecer substituirá o que perderíamos no outro mundo. Quanto às ameaças de tortura, prisão e morte, aprendemos a negar o nosso corpo quando o bem-estar de nossa alma está em jogo.

– Açoite-os!, gritou Agrícola.

Os próprios companheiros de farda tiveram de prender e açoitar cada um de seus companheiros. Levaram-nos para fora, no frio gelado de Sevaste, tiraram-lhes as roupas e os amarraram em postes. Depois de amarrados, foram chicoteados severamente. Após isso, chicotes com pequenos ganchos de ferro rasgaram suas peles nuas espalhando sangue sobre o gelo.

Em meio ao sangue sobre o branco da neve e aos gemidos de frio e de dor, os soldados que espancaram seus próprios companheiros deixaram o local do açoite sem que nenhum dos 40 soldados cristãos voltasse atrás em sua decisão. Depois de algum tempo, Agrícola ordenou que os 40 fossem presos em sua masmorra até que Lísias, o comandante daquela legião, chegasse a Sevaste.

QUANDO LÍSIAS CHEGOU, após fracassar em convencer os 40, chamou Agrícola e ordenou que os levasse para a lagoa, do lado de fora. Lá, segundo os escritos dos Pais da Igreja, fazia um frio de cortar as bochechas.

– Vocês ficarão nus, no lago, até decidirem sacrificar aos deuses, disse Lísias aos soldados.

Imediatamente, todos os soldados tiraram suas roupas e correram em direção à lagoa, extremamente gelada, envolta por neve em suas margens. Correndo, alguns dos soldados gritaram:

– Somos soldados do Senhor e não tememos nada. O que é morrer, senão entrar na vida eterna? Cantemos, irmãos!

Perplexo, Agrícola viu seus guardas puxando uma canção e correram para o lago congelado. Chegou a ordenar que colocassem grandes banheiras ao redor do lago. Sua esperança era que os soldados, antes de congelarem, se arrependessem e saíssem de lá para se aquecer e sacrificar ao imperador. Alguns soldados gritavam para os que estavam no lago tentando convencê-los a sairem de lá. 

EM ALGUM MOMENTO, um dos soldados que estavam fora do lago disse estar vendo espíritos com coroas de ouro pairando sobre o lago, parecendo estar estendendo roupas para aqueles que congelavam no lago. Seus companheiros disseram que ele estava ficando louco por causa do frio. Além de estar extremamente escuro não se podendo enxergar quase nada, o frio esfaqueava seus rostos.

Naquela hora, um dos 40 que estavam no lago saiu correndo em direção a uma das banheiras aquecidas. Ajudado por soldados que estavam do lado de fora, mergulhou numa das banheiras quentes e morreu instantaneamente por causa do choque térmico. Entrando em convulsão, acabou morrendo ali.

O guarda que estava do lado de fora e havia tido a visão, mais que depressa tirou suas roupas e se juntou aos mártires dentro do lago. 

Na manhã seguinte, Agrícola foi avisado de que haviam 40 soldados mortos dentro do lago, e mais um morto quando quis escapar do lago. Ordenou que seus corpos fossem tirados do gelo e queimados. As cinzas deveriam ser jogadas em um rio que passava ali por perto.

Então, algo inusitado aconteceu. O responsável por jogá-los no fogo percebeu que um deles estava aparentemente vivo e grito:

– Ei, temos um vivo aqui! É Melito! Coitado, ele é apenas um garoto.

Outro soldado disse:

– É um garoto aqui do local. Ei, veja sua mãe lá.

O soldado acenou para a mãe de Melito e pediu que ela se aproximasse. Ao chegar perto, disse para ela:

– Escute-nos, mãe. Leve seu garoto para casa, salve-o. Nós iremos olhar para outro lado.

A mulher, profundamente triste, vendo seu filho aparentemente morto, respondeu repreendendo-os:

– Que conversa é essa? Vocês querem privá-lo de sua coroa? Eu nunca deixaria isso acontecer!

À medida que os corpos dos mortos eram colocados sobre uma espécie de vagão que os levaria para a fogueira, sua mãe fez toda a força para levantá-lo fazendo com que seu filho se juntasse aos demais cristãos.

Chorando muito, a mãe disse:

– Vá, filho. Vá para o fim dessa jornada com seus companheiros a fim de que você não seja o último a se apresentar diante de Deus.

Um dos guardas bateu com as mãos na cabeça, olhou para cima e disse:

– Cristãos! Eu simplesmente não os entendo.

Basílio de Cesareia (séc. IV) foi outro pai da igreja que também narrou e escreveu a respeito dos 40 mártires. Basílio disse ter conhecido alguns homens bastante idosos que foram companheiros dos bravos 40 mártires.

Creio que a história desses homens deve nos levar a pensar em nossas próprias vidas e histórias. Devemos viver como homens e mulheres que já morreram também. Embora o martírio vermelho não exista entre nós, aquilo que os Pais da Igreja chamaram de Martírio Branco ainda nos desafia. 

O martírio branco é o morrer diariamente sem o derramamento de uma gota de sangue. É o morrer para este mundo, para o pecado, para as nossas próprias vontades. É lembrar todos os dias de que já não vivemos mais, mas que Cristo vive em nós. Não nos esqueçamos nós também de que morremos com Cristo. Vivamos como tais, a fim de que a luz e a graça de Cristo resplandeçam mais e mais através de nossas vidas.

 

Minha fraqueza, Sua força

Porque quando estou fraco então sou forte.

2 Coríntios 12:10

Na vida cristã, crescer é sinônimo de tornar-se cada vez mais criança. Crescer, é tornar-se cada vez mais dependente de seu Pai que está nos céus. E crianças são fracas, são frágeis. Crianças nem sempre reconhecem seus limites, acreditando-se fortes. Mas, basta um pequeno deslize para reconhecerem que carecem da ajuda dos pais. Assim como crianças, cristãos também devem reconhecer sua fraqueza e necessidade de dependência do Pai.

Na vida diária, a medida que as crianças crescem, tornam-se menos dependentes dos pais, até que, na fase adulta, tornam-se totalmente independentes. Na vida cristã não é assim. Para o cristão, crescer é tornar-se criança. Quanto mais um cristão amadurece, mais dependente fica de seu Pai. Quanto mais o cristão cresce e amadurece, mais frágil torna-se, ou, pelo menos, mais consciente de sua fraqueza fica.

A fraqueza, longe de ser um defeito, é uma virtude que precisa ser resgatada pelos cristãos. Por causa do orgulho, muitos têm caído sob o engano de que são capazes de solucionar seus problemas sozinhos, sem a necessidade de oração ou socorro externo. Mas, como já dito, isso é orgulho, e orgulho deve ser abandonado.

A grande verdade é que somos todos pó (Salmo 103.14). Somos frágeis. Quando alguém quer se fazer forte, tal pessoa está lutando contra sua própria natureza, abusando de sua alma e, às vezes, até mesmo de seu próprio corpo. O fato é que somos pequenos, como os "hobbits" da história de J.R.R.Tolkien. Somos pequenas criaturas, frágeis, mas que portam um grande tesouro dentro de si.

Reconhecer nossa pequenez é um grande passo. Sem isso, dificilmente cresceremos rumo à maturidade. Devemos reconhecer diariamente que não podemos, não somos capazes de vencer o pecado, de que, como crianças, dependemos de nosso Pai até para atravessar a rua. Se pareço infantil, é de propósito. Não quero deixar de ser criança. Aliás, é isso que desejo ser, até morrer.

Na vida cristã, quanto mais de mim é empregado no dia a dia, menos dEle é experimentado e vivido. Mas, quanto menos me coloco, mais Ele sobressai, mais Ele aparece. Quanto mais forte me faço, menos dele recebo. No entanto, quanto mais fraco me faço, mais dEle eu percebo.

Que essa breve meditação nos leve a orar para que Ele nos esvazie de nós mesmos. Que façamos morrer os pecados que nos dão a falsa impressão de que somos fortes e podemos. Que o orgulho, a vaidade e a mentira morram. Minha oração é que eu diminua, e que Ele cresça. Você oraria por mais fraqueza comigo?

Por que alguns não compreendem a Bíblia? (Comentários sobre Ef 1.1-2)

 

Neste primeiro comentário sobre o livro de Efésios e sobre o que é a Igreja de Cristo, 

Ef 1.1-2 diz assim:

 

1 1Paulo, apóstolo de Cristo Jesus por vontade de Deus, aos santos que vivem em Éfesoa e fiéis em Cristo Jesus, 2graça a vós outros e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.

 

Paulo, apóstolo de Cristo Jesus 

 

A palavra apóstolo significa, literalmente, enviado. Trata de um mensageiro ou embaixador que representa com autoridade aquele que o enviou. Os primeiros doze apóstolos foram aqueles enviados por Jesus para pregar o Evangelho. Em Lc 6.13, o Evangelho diz que "Ele chamou para si os seus discípulos, e deles escolheu doze, a quem ele chamou de apóstolos”.

 

Ou seja, apóstolo segundo a Bíblia, é aquele que é chamado diretamente por Cristo para a sua obra. Paulo, embora não fosse parte dos doze, ouviu do próprio Cristo ressurreto seu chamado no caminho de Damasco.

 

Os apóstolos, como veremos mais adiante no estudo desta epístola, foram aqueles únicos que receberam autoridade para lançar o fundamento da Igreja, aquilo que também chamamos de Novo Testamento. Com a morte do último apóstolo, João, encerrou-se o ministério apostólico de lançar o fundamento da igreja, ou seja, escrever revelação, Bíblia.

 

A ideia absurda de que hoje podemos possuir apóstolos, traz consigo (se for bíblica) a possibilidade desses homens continuarem a escrever a Bíblia, além de serem homens que encontraram-se com o próprio Cristo ressurreto e receberam dele seu chamado especial.

 

Continuando, Paulo aqui também destaca que ele é apóstolo de Cristo Jesus, e não de Jesus Cristo. Isso também é significante. Cristo é a palavra grega para Messias, ou seja, o Ungido de Deus que viria ao mundo. Com a colocação do título Cristo antes do nome Jesus, Paulo reforça que estava em uma missão. Ele era um enviado (apóstolo) oficial de uma grande autoridade real, o Rei dos reis, Jesus. Por isso a ênfase “de Cristo Jesus”.

 

por vontade de Deus, 

 

Paulo possuía uma certeza inabalável do chamado e vontade de Deus para sua vida. Não agiu jamais por exasperação ou impulso. Tal era sua comunhão com Deus que, quando pensou em agir por impulso (At 16.6-10), o Espírito Santo o freou mostrando qual era a vontade de Deus para ele. E Paulo sempre ouviu e obedeceu a voz de Deus.

 

Esse exemplo de Paulo deveria ser seguido por nós. Não comprarmos, vendermos, viajarmos, orçarmos, sonharmos, decidirmos por carreiras, etc., sem que tivéssemos clara a direção e vontade de Deus para nossa vida. Por meio de 1Ts 4.3 sabemos que a vontade de Deus para nós é a nossa santificação! Diante disso, deveríamos sempre nos questionar se nossas decisões diárias estão em acordo com nossa santificação.

 

aos santos que vivem em Éfesoa e fiéis em Cristo Jesus,

 

Para quem é a mensagem bíblica? Você já parou para pensar nisso? Porque muitos a leem e não a compreendem? Seria a Bíblia uma mensagem para todos? Vejamos. O Espírito Santo, ao usar Paulo para escrever aos efésios, esclarece que a mensagem revelada na carta é para os santos e não para todos. Ou seja, não para todos os que viviam em Éfeso, muito menos para todos os que estavam dentro da igreja em Éfeso. A mensagem era somente para os santos.

 

Quem são os santos? Obviamente, são aqueles que foram separados da vida no pecado para viverem uma nova vida de amor verdadeiro a Deus. Nas palavras de Paulo aos Gálatas 1.4, aqueles que foram desarraigados deste mundo perverso, ou seja, arrancados pela raíz! Hb 12.14 também fala sobre eles, além de Mt 5.8 que nos lembra que os santos são os limpos de coração. Só estes irão para o céu!

 

Estes são os santos, pessoas que amam a Deus mais do que tudo. Eles deveriam receber essa mensagem e ouvi-la. Isso significa aprender e apreender. Ouvir e obedecer. Essa é a prova de que amam a Deus mais do que tudo. Jesus disse isso em Jo 14.21, onde guardar possui o sentido de apreender/obedecer.

 

Logo, a Bíblia não é para o mundo. Por isso o mundo a detesta. Por isso o mundo a tem como um gasto mal aproveitado dentro de casa. Mais um livro fechado sem nenhuma utilidade. 

 

Já os santos, a têm como seu pão diário, sua água, seu ar. Não concebem viver sem ela. Choram por ela. Beijam-na quando a recebem, assim como acontece na China e outros países fechados ao cristianismo quando cristãos, clandestinamente, recebem um exemplar da Bíblia Sagrada. Beijam-na, choram sobre ela, e devoram-na. Isso, porque sabem que nela encontraram um recado de Deus para elas. Para quem não ama a Deus, trata-se apenas de mais um livro chato e incompreensível.

 

Por isso, Deus o destina aos santos e fiéis em Cristo Jesus. Deus a revela com poder transformador e alimentador somente àqueles que O desejam mais que tudo. Um detalhe final que consta no final do verso 1 é que os santos são também fiéis. Não existe santidade sem fidelidade.

 

2 graça a vós outros e paz, da parte de Deus,

 

No segundo verso da epístola, Paulo demonstra seu desejo de que a graça e a paz que vêm de Deus pudesse estar com ele e neles. Graça e Paz, estes são dois desejos que sempre devemos nutrir por todos os homens!

 

A graça é o amor imerecido e leal de Deus por seres humanos que nada fazem além de O ofenderem com suas palavras e ações. Graça é o amor com o qual somos constrangidos no momento em que o Senhor nos toca por meio de Seu Espírito. Ninguém, absolutamente ninguém!, que conheceu a graça de Deus é capaz de reclamar que nunca foi amado por ninguém. Alguém que experimentou a graça de Deus em sua vida, por mais que não tenha desfrutado do amor de uma mãe ou pai nesta Terra, de uma amor verdadeiro por parte de seu marido ou esposa, filhos ou parentes, não é capaz de encontrar motivo para dizer que não se sente amado, pois o amor de Deus derramado em seu coração faz com  que ele se sinta a pessoa mais amada de todos os tempos.

 

A paz é um estado de espírito que não possui explicação. Trata-se de uma paz que não depende de ausência de problemas. Mesmo em meio a lutas e tribulações, a pessoa possui uma paz que a sustenta e dá força para continuar. Esta paz, nunca deixará que esta pessoa entre numa depressão e PERMANEÇA nela. Trata-se da paz de Filipenses 4.7 e do Salmo 23.4.

 

E Paulo conclui o verso 2 afirmando:

 

nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.

 

Esse Deus que deseja que conheçamos seu amor e sua paz, também deseja que O vejamos como nosso Pai (Rm 8.14-15). O Senhor Jesus, agora ressuscitado e assentado à mão direita de Deus-Pai, com o Pai, vem a nós com amor e paz.

 

A graça e a paz que vêm a nós, vêm da parte do Deus-Filho e do Deus-Pai. Jesus e o Pai nos enchem com amor e nos sentimos embebecidos por este amor. Jesus e o Pai nos enchem com a sua paz, de modo que, mesmo em meio à problemas, temos paz.

 

É isso que o início desta epístola traz para nós: um Deus que deseja falar e tratar com os Seus. Você faz parte dos Seus? Como saber? Se você o ama mais do que tudo, se você luta contra o pecado e vive uma vida diária de conversão interior, se você se arrepende sinceramente a cada pecado cometido contra Deus, se o que você mais deseja alcançar neste mundo é a santidade pessoal, então você é um dos santos para os quais o Espírito Santo também enviou Sua revelação.

 

Você conhece a graça e a paz que vêm de Deus? Se a resposta é não, arrependa-se e volte-se para Ele. Não descanse enquanto não estiver bem junto a Ele, amando-O mais do que tudo neste mundo.

A IGREJA DE CRISTO: Antes, durante e depois da história (comentários sobre Efésios)

O que é a Igreja de Cristo? Uma instituição? Uma denominação? Um grupo de amigos que se reúnem sem compromisso denominacional? Um grupo sem pastor, mas que se ama? Uma religião, uma ong, uma seita? O que seria a Igreja de Cristo sobre a terra?

 

Tentando responder essas questões (e muitas outras ligadas a elas), resolvi começar um estudo sobre o livro bíblico que mais trata sobre a Igreja: Epístola de Paulo aos Efésios.

 

A partir dessa semana, começamos a refletir um pouco mais sobre o que é a Igreja, quem são seus membros, seus ministros (ou ministras?), sua missão, etc.

 

Por hoje, apenas uma breve introdução.

 

INTRODUÇÃO

 

A Epístola de Paulo aos Efésios é uma das cartas mais importantes que o apóstolo escreveu. Para nosso tempo, sem dúvida é um dos livros da Bíblia que mais precisa ser redescoberto e estudado. Se não fosse tão ignorado, negligenciado e desconhecido como é, sem dúvida não encontraríamos tanta confusão e desvios dentro das igrejas cristãs mundo afora.

 

Paulo possuía uma relação muito pessoal com essa igreja. Em At 19-20, o apóstolo passou aproximadamente três anos junto daqueles irmãos quando, em sua terceira viagem missionária, usava esta grande e famosa cidade como estratégia para sua vocação missionária. A epístola, contudo, foi escrita alguns anos depois, quando Paulo esteve preso em Roma (Ef 4.1). 

 

Éfeso não era qualquer cidade. Era a capital da província romana da Ásia. Era famosa pelos antigos filósofos que viveram e ensinaram lá, como Heráclito, por exemplo, um filósofo pré-socrático, considerado o pai da dialética e que viveu em Éfeso em 500 a.C., aproximadamente.

 

Foi em Éfeso que o cristianismo mais se difundiu. Após o início da igreja durante a segunda viagem missionária de Paulo (At 18.19-21), Paulo retornou para lá na terceira viagem missionária (At 19.1) e li permaneceu durante os quase três anos já mencionados acima. Segundo os textos de At.18.18,19,24; I Tm.1.3; 2Tm.4.19, Timóteo, Apolo, Áquila e Priscila trabalharam na igreja de Éfeso.

 

Segundo a tradição da igreja (pais da igreja), o próprio Apóstolo João também trabalhou nesta igreja e acabou morrendo ali. Como ele, provavelmente Maria, a mãe de Cristo, também morou ali até a sua morte. Até hoje, existe uma casa na cidade de Éfeso onde realiza-se uma festa anual em comemoração aos anos em que Maria, mãe de Jesus Cristo, e João moraram ali.

 

Em 60 ou 61 d.C., Tíquico, um discípulo muito fiel a Cristo, levou esta epístola de Roma a Éfeso (Ef 6.21-22). O objetivo desta carta é falar sobre a Igreja de Deus, ou, Igreja de Cristo, como eram chamados os cristãos primitivos.

 

Estudando-a verso a verso, palavra a palavra, pretendemos compreender o que é a Igreja de Deus. Quem são os seus ministros, como ela funciona, quando ela surgiu (se é que ela surgiu no tempo e na história), quem são aqueles que dela fazem parte, etc.? O objetivo final é, sem dúvida, oferecer um esclarecimento do caminho que Deus espera que andemos, como igreja e como filhos e filhas da Igreja de Cristo neste planeta e na história do mundo.

 

Éfeso era uma cidade fantástica. Aproximadamente 300.000 habitantes (segunda maior cidade do mundo no 1º século depois de Cristo), centro internacional de cultura, comércio e religião, Éfeso era, sem dúvida, um lugar estratégico de onde Paulo, sob a direção do Espírito Santo, espalharia o Evangelho da Salvação. Paulo não foi para uma pequena cidade, sem nenhuma expressão. Foi para uma grande cidade, de onde o Evangelho poderia ser muito ouvido e difundido.

 

Ao longo das próximas semanas, com o estudo desta epístola, veremos outras interessantíssimas curiosidades sobre Éfeso e os efésios. Por enquanto, esta é a introdução que pretendo fazer sobre a cidade para a qual foi escrito o livro que estudaremos nos próximos meses.