VOCÊ: um presente do Pai ao Filho

    Como você passa os seus dias? Preocupado com quê? Preocupado com quem?

A resposta a essas perguntas está relacionada com o texto abaixo, Ef 2.8-10. Paulo, ao falar sobre salvação, deixa claro como é que deveríamos estar passando os nossos dias.

Após expressar sua grande alegria por Deus-Pai ter nos dado ao Deus-Filho (explico isso melhor à frente), Paulo nos ensina como a graça da salvação é a única coisa que pode dar sentido às nossas vidas. Não há vida sem que sejamos ligados à Cristo.

 

Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.

 

 

Porque pela graça sois salvos

 

Paulo, agora, passa a explicar de modo mais preciso o que escreveu no verso 5 — “pela graça sois salvos”. Que somos salvos pela graça, já está muito claro desde o início dessa epístola. Todo o louvor de Paulo até aqui foi exatamente porque Deus foi rico em misericórdia e graça para com Paulo. Foi pela pura graça e não pelas atitudes ou obras que Paulo tivesse praticado.

Tendo por certo (e louvando a Deus por isso) que a salvação dos seres humanos não se dá por méritos desses, mas por graça de Deus, Paulo estende a compreensão sobre a salvação afirmando que ela é recebida por meio da fé. Então, desde de um ambiente recheado de graça, a fé é o meio que a pessoa tem para ser salva. Paulo explica.

 

Mediante a fé

 

Fé em quê? Fé em Cristo, em sua morte em nosso lugar, e em sua ressurreição. Fé, também, no poder da ressurreição de Cristo. Fé de que também ressuscitaremos, ou melhor, já nos ressuscitamos “juntamente com ele”, Ef 2.6, conforme explicado em páginas anteriores aqui. 

Cristo é o dono do mérito da salvação. Sem ele, ninguém pode ser salvo. Só ele obteve “direito” de salvação, enquanto ser humano. Este direito ele compartilha com todos os que estão nele. Por isso, como afirmam Jamieson, Fausset e Brwon, “somente Cristo é o agente meritório”.⁠1

Lembre-se de que, no verso 7, Paulo fala da “suprema riqueza da sua graça”. Aqui, o apóstolo expande sua compreensão do que seria tal graça de salvação que vem por meio da fé.

Portanto, a base e o meio de salvação para qualquer um é a fé! E fé não é uma “obra” humana. Se você crê, se você possui fé, isso não é mérito seu. Isso apenas significa que você, um dia, aceitou esse presente de Deus.⁠2 Vejamos neste versos:

 

Rm 3.22,25: justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos [e sobre todos] os que crêem; porque não há distinção, … a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos;

 

Gl 2.16: sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado.

 

1Pe 1.5: que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo.

 

Vejam, então, que todos estes textos também apontam para a fé como o meio de salvação. A justiça de Deus só é aplicada a nós mediante a fé. De condenados, nos tornamos justos, apenas por crermos no filho de Deus, em sua morte e ressurreição. Crermos que nada em nós, que tenhamos ou que façamos, traz a nós dignidade de salvação. Somos como o mendigo, totalmente necessitados, pobres, nus, desprovidos de recursos próprios, e mal cheirosos. É sempre assim que ele recebe um novo convertido.

A única coisa que se espera daquele que vem a ele é fé. E até mesmo isso não vem de nós, é um presente também dele. Acompanhemos Paulo.

 

e isto não vem de vós; é dom de Deus; 

 

Muita gente tem debatido sobre o real significado da palavra “isto” (gr. Τοῦτο). Na língua grega, existem três gêneros: masculino, feminino e neutro. Na língua portuguesa, possuímos apenas dois, masculino e feminino. Aqui, a palavra “isto” é um pronome demonstrativo neutro. Ou seja, ele não pode estar ligado a palavras masculinas ou femininas, pois seria o mesmo que escrevermos “o menina” ou “aquelas ônibus”. Certamente, Paulo não cometeria este erro.

Tendo isso em mente, sabemos então que Paulo não estava falando sobre a fé ou sobre a graça, pois ambos são palavras femininas. Portanto, o “isto” não pode estar relacionado à “graça” nem mesmo à “fé”. Então, a que Paulo se refere quando diz que “isto não vem de vós; é dom de Deus”?

Como é comum na língua grega, o neutro aqui está se referindo a toda a frase ou perícope anterior. Se quiser estudar outros exemplos, é só olhar para Ef 1.15 e Ef 3.1. Em ambas as passagens, o “isto” se refere ao contexto anterior narrado pelo escritor.

Portanto, o “isto” que não vem de nós citado por Paulo em Ef 2.8b refere-se à salvação como um todo, ou seja, à tudo aquilo que é citado imediatamente antes em Ef 2.4-8a. Ef 2.8b (“e isto não vem de vós; é dom de Deus”) é o desfecho.⁠3

Essa doutrina sobre a soberania de Deus na salvação dos seres humanos não está apenas aqui em Efésios. Alguns textos bíblicos são importantíssimos para que compreendamos essa doutrina como um todo. Vejamos alguns deles:

 

João 6.37: Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora.

 

João 6.44: Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.

 

João 6.65: E prosseguiu: Por causa disto, é que vos tenho dito ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido.

 

Mateus 16.17: Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus.

 

João 1.12-13: Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.

 

Atos dos Apóstolos 16.14: Certa mulher, chamada Lídia, da cidade de Tiatira, vendedora de púrpura, temente a Deus, nos escutava; o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia.

 

Romanos 10.14: Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?

 

Tiago 1.16–18: Não vos enganeis, meus amados irmãos. Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança. Pois, segundo o seu querer, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas.

 

Visto que somos um presente de Deus-Pai para Deus-Filho, Paulo conclui seu pensamento com as palavras:

 

não de obras, para que ninguém se glorie. 

 

Ou seja, qualquer um que se gloria de sua própria salvação é um insensato, um ser humano que está levemente enganado. Aliás, grandemente enganado, para não dizer quase cego. É completa loucura alguém afirmar que sua salvação se dá por causa de sua própria decisão, atitude ou mérito. Se fosse assim, a salvação seria pelas obras de alguém. O próprio fato de dizer que a salvação é fruto da “decisão” que alguém tomou um dia na vida, leva à conclusão de que a salvação de tal pessoa foi pela “obra” dela, visto que mesmo a mais simples decisão não é nada mais nem menos do que uma “obra”, uma “ação” tomada por alguém.

Sabemos que há um momento na salvação em que a pessoa é chamada a responder ao convite de salvação. Podemos chamar isso do momento da “decisão” de alguém. NO ENTANTO, não podemos esquecer de que para responder a esse chamado, é necessário que Deus dê vida àquele que está morto. Sem que Deus inicie o processo, o homem não pode fazer absolutamente nada.

Aliás, quando falamos em obras, atitudes humanas, somos lembrados de que fomos criados por Deus para realizarmos boas obras. Elas não são nada mais do que a obrigação de todo ser humano. Paulo explica o porquê.

 

Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.

 

Fomos criados à imagem de Deus. O próprio criador revela que o modus operandi do ser criado seguiria o modo do próprio Criador. Este colocou naquele sua imagem e semelhança e é por isso que o que se espera de todo homem não é nada mais nem menos do boas obras.

Quando alguém afirma que sua salvação está garantida pois o mesmo nunca roubou ninguém, tal pessoa ainda não compreendeu que não roubar alguém não passa de sua obrigação. As boas obras são nossa obrigação. Não realizá-las é pecado, também.

Fomos criados do nada em Cristo Jesus (fomos feitos novas criaturas) com o propósito de resgatarmos a vida humana. (Vida humana = Consideração pelo próximo). Curiosamente, fomos criados novamente na regeneração de nossas almas (nossa conversão) para que andássemos sobre boas obras.

A palavra “andar” aqui é a palavra περιπατέω. Esta palavra tem a ver não só com andar sobre duas pernas, mas com estilo de vida, o modo como alguém vive, anda, existe. Assim, na conversão fomos recriados para que nosso estilo de vida daquele momento em diante fosse marcado pelas boas obras.⁠4

Elas são uma marca natural de todo aquele que foi regenerado. 

 

Que tal pensar nisso e meditar sobre: de que maneira você pode ajudar alguém hoje? De que maneira você pode exercer seu “amor posto em prática”? De que maneira as boas obras podem se tornar seu estilo de vida? A vida de Cristo era marcada pelas boas obras. Imagino que você e eu não devemos desejar viver de outra maneira que não da maneira como Jesus viveu. Que seja assim, para a glória dele, e para a nossa alegria.

 

 

 

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1 Robert Jamieson, A. R. Fausset, e David Brown, Commentary Critical and Explanatory on the Whole Bible (Oak Harbor, WA: Logos Research Systems, Inc., 1997), Ef 2.8.

2 Harold W. Hoehner, “Ephesians”, in The Bible Knowledge Commentary: An Exposition of the Scriptures, ed. J. F. Walvoord e R. B. Zuck, vol. 2 (Wheaton, IL: Victor Books, 1985), 624.

3 Harold W. Hoehner, “Ephesians”, in The Bible Knowledge Commentary: An Exposition of the Scriptures, ed. J. F. Walvoord e R. B. Zuck, vol. 2 (Wheaton, IL: Victor Books, 1985), 624.

4 Johannes P. Louw e Eugene Albert Nida, Greek-English lexicon of the New Testament: based on semantic domains (New York: United Bible Societies, 1996), 504.

OS MORTOS PODEM VOLTAR A VIVER?

Esta pequena introdução de Paulo ao capítulo 2 de Efésios, bem que poderia se chamar “Libertos da Sepultura”. Não apenas “Liberto”, tratando-se de nosso Senhor Jesus Cristo, mas “Libertos”, pois com ele todos alcançamos libertação.

Mais do que isso, com ele, todos alcançamos a própria vida. Nossa libertação não foi de uma simples escravidão, mas da própria sepultura onde vivíamos mortos para Deus.

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SALVAÇÃO: MÉRITO NOSSO OU DOM DE DEUS?

Como é bom saber que nossa salvação foi planejada cuidadosa e graciosamente pela Santíssima Trindade antes da fundação do mundo. Como é bom saber que nossa salvação não depende nós, não depende de nosso esforço ou merecimento. Como é bom saber que, além de salvos, nos foi dado pelo Espírito Santo o dom para perseverar até o fim, quando receberemos, ainda que imerecidamente, a coroa da vida e o fruto da Árvore da Vida, colhido pelas mãos do próprio Cordeiro de Deus.

 

Continuemos a refletir, em espírito de oração, nas palavras de Paulo inspiradas pelo Espírito Santo à igreja que se reunia na cidade de Éfeso.

 

8 que ele fez abundar para conosco em toda a sabedoria e prudência,

 

O início deste verso nos faz lembrar do que o Senhor fez abundar para conosco. Sua graça maravilhosa e inesgotável, como vimos na pregação anterior, está para nós como uma a água está para uma esponja. A graça de Deus nos envolve e nos preenche. É por isso que Paulo aqui ressalta que o Senhor a fez abundar sobre nós.

 

Outro ponto curioso do verso 8 é que Deus a derramou sobre nós com sabedoria e com prudência. O que significa isso? Vejamos.

 

Sabedoria tem a ver com o conhecimento perfeito que Deus possui e que lhe faz agir como age. Todas as suas ações são poderosas e perfeitas porque feitas sabiamente. Sabedoria não é algo necessariamente que está em Deus. De certo modo, ele é a própria sabedoria, a fonte dela. É por isso que a graça de Deus não vem impulsivamente sobre nós, ou mesmo apaixonadamente. Vem em sabedoria. Deus sabe o que ama e a quem ama. Seu amor e graça é absolutamente racional.

 

Já a Prudência tem a ver com uma virtude que não existiria se soubéssemos que Deus não existe. Ele é a fonte de toda prudência. A ação redentora não foi (nem é) ingênua ou pueril. Agiu o tempo todo prudentemente, sabiamente, demonstrando que há em Deus justiça e bondade em sua escolha eterna. Não é preciso muito esforço para concluirmos que nossos padrões acerca de justiça são insuficientes quando desejamos entender a Deus e o que ele fez. Portanto, fuja da tentação de achar que Deus é injusto em sua eleição. Nós nem mesmo sabemos o que é justiça, ainda mais aquilo que para ele é justiça.

 

9 fazendo-nos conhecer o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, 

 

Como fruto de um amor que não se pode medir nem explicar, Deus revelou a nós seu amor, coisa que, aparentemente, não revelou a nenhuma outra de suas criaturas. Quando o apóstolo fala do “mistério de sua vontade”, ela fala de nossa salvação, motivo do louvor de Paulo nesta primeira de duas orações que ele faz no capítulo um de sua epístola aos efésios.

 

Esta salvação vem a nós de acordo com seus planos pré-estabelecidos na eternidade passada. O beneplácito de Deus de certo modo revela sua prudência, mencionada no verso anterior. Deus agiu de um modo sensato em sua eleição. É possível a nós compreendermos isso? A menos que provem o contrário, afirmo com convicção que não. Por melhor que argumentemos, não conseguiremos nos desfazer do embaraço daquilo que para nós é justiça. Sempre acusaremos Deus de injusto.

 

Devemos, sabiamente, abandonar todo esforço em querer justificar a Deus quanto à eleição. Três coisas são certas:

 

1. Nenhum ser humano merece a salvação (nem mesmo os eleitos);

2. Deus escolheu de um modo sábio, sensato e prudente;

3. Deus foi e sempre será justo e bom, em seu caráter e em suas decisões.

 

Portanto, desistamos de querer “ganhar a briga” pela doutrina da eleição. Ela não nos foi revelada para que brigássemos, mas para que louvássemos a Deus por sua maravilhosa graça que nos anteviu salvos antes da fundação do mundo. Nunca pergunte o por quê de Deus não ter salvo um amigo seu. Pergunte o por quê dele ter salvo você. E então, o louve, com todo seu coração.

 

O beneplácito, conforme muitas versões em português traduz, vem da palavra original εὐδοκίαν⁠1 para “plano generoso”. Foi de um modo generoso que o Senhor nos anteviu, nos predestinou e que, generosa e abundantemente, tem nos abençoado e amparado dia após dia.⁠2 Assim, sabemos que nossa salvação trouxe grande prazer ao próprio Deus.

 

Na continuação da epístola, Paulo afirma que a vinda de Cristo se deu naquilo que Deus mesmo chamou de “a plenitude dos tempos”. Este termo tem a ver com o ápice da história, o momento mais especial dentro do plano da criação. Para aquele que é o Criador e que é Eterno, tudo o que acontece antes e depois desse momento é periférico e menos importante em comparação com a crucificação. A história da humanidade é a história da redenção. O que não tem a ver com redenção, é periférico.

 

Vejamos o por quê.

 

10 de fazer convergir em Cristo todas as coisas, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra,

 

Como disse o teólogo puritano Matthew Henry, todas as linhas da revelação divina encontram-se em Cristo. Ou seja, além da própria história da humanidade encontrar o seu ápice em Cristo, tudo o que de Deus recebemos através de revelação especial (Verbo Escrito e Verbo Encarnado) convergem igualmente a Cristo.

 

Sem Cristo não há religião (no sentido puro da palavra, ou seja, um religar-se a Deus). Todos os povos, todas as línguas, todas as nações, tudo e todos que se encontram redimidos encontram-se e ainda encontrar-se-ão em Cristo, através da morte e ressurreição de Cristo.

 

Deus fez tudo convergir à cruz. Tanto os que serão salvos quanto os que continuarão perdidos por escolha própria por toda a eternidade. A cruz divide a história e aqueles que estarão ou não na eternidade com Deus. Este atrair ou convergir não seria apenas algo terreno, mas algo cósmico, toda a natureza criada seria convergida à Cristo na cruz. A cruz é o centro de toda a história e é nela que tudo encontra sua redenção. Através dela, abre-se a esperança para uma “nova humanidade” ligada ao “segundo Adão” que habitará a “nova Terra e os novos céus”!⁠3

 

11 nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade,

 

Paulo, aqui no verso 11, apresenta o papel dos que somos salvos dentro da história da redenção. Em Cristo, todos fomos feitos herança. Essa herança há muito havia sido prometida. Mesmo antes de Cristo nascer, Deus usou o profeta Isaías para revelar isso:

 

“Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si. Por isso, eu lhe darei muitos como a sua parte, e com os poderosos repartirá ele o despojo, porquanto derramou a sua alma na morte; foi contado com os transgressores; contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu.” Is 53.11-12.

 

Ele levou os nossos pecados sobre a cruz e lá pagou o preço por cada um deles. Agora, já não há mais condenação. Tendo pago o nosso preço, fez de nós a sua herança. Assim, do início ao fim, nossa salvação tem a ver com Ele, Cristo, e nunca conosco. Somos totalmente passivos no que diz respeito à obra e méritos pela salvação.

 

Tudo isso foi feito por causa da vontade de Deus. Do início ao fim, nossa salvação é pela pura e graciosa vontade de Deus. A expressão grega κατὰ τὴν βουλὴν τοῦ θελήματος αὐτοῦ poderia ser traduzida livremente assim: “de acordo com aquilo que foi planejado segundo a vontade dele”. Ou seja, não se trata apenas de um conhecimento prévio, ou de uma presciência, mas de algo que foi planejado, pensado, segundo a sabedoria, a justiça, a bondade e o amor que há nas pessoas benditas da Santíssima Trindade. Dessa graciosa deliberação, resultou o “beneplácito” de sua vontade.⁠4

 

Não foi por acaso nem ou presciência, mas por decisão ativa e deliberada do Pai, do Filho e do Espírito Santo na eternidade. Assim foram todos os santos predestinados para a glória daquele que nos criou.

 

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1 Do grego koinê εὐδοκία, ας (aquilo que satisfaz alguém).

2 Johannes P. Louw e Eugene Albert Nida, Greek-English lexicon of the New Testament: based on semantic domains (New York: United Bible Societies, 1996), 298.

3 Matthew Henry, Matthew Henry’s commentary on the whole Bible: complete and unabridged in one volume (Peabody: Hendrickson, 1994), 2308.

4 Johannes P. Louw e Eugene Albert Nida, Greek-English lexicon of the New Testament: based on semantic domains (New York: United Bible Societies, 1996), 357.

A ÚNICA SOLUÇÃO PARA A ASCENSÃO DO DESESPERO

O Brasil nunca conheceu uma época de tanta violência e crueldade como agora. O último Mapa da Violência registrou que, só em 2012, mais de 50.000 pessoas morreram assassinadas no Brasil.
Pra você entender melhor, isso significa que aproximadamente 4.500 pessoas morrem por mês, 150 morrem por dia, 6 morrem por hora, e uma pessoa a cada 10 minutos. Segundo as estatísticas do ano passado, quando você terminar de ler este texto, uma pessoa terá sido assassinada.
Em um país onde filhos matam pais e pais matam filhos com tanta frequência, onde dentistas são queimados por não terem muito dinheiro a dar aos bandidos, onde um pai de família tem o corpo cheio de álcool pelos bandidos em frente à esposa e filhas, que esperança que se tem? Na polícia? Na justiça, lenta e corrupta que é em determinadas instâncias?
O Brasil é um dos países mais violentos do mundo. É um dos países onde mais se mata gente no mundo. Mais gente foi assassinada no Brasil em 2012 do que na Guerra do Golfo em 1990/1991 (10.000 mortos), na Guerra Civil da Guatemala (16.667 mortos) e nas guerras emancipatórias e étnicas entre Chechênia e Russia de 1994 a 1996 (25.000 por ano).
Os números são desesperadores! Entre 2004 e 2007 morreram 340.177 pessoas no Brasil vítimas de homicídios e armas de fogo. Só para você ter uma noção, na Índia/Paquistão morreram 4.956 pelas mesmas causas, e 2.247 pessoas na disputa entre Israel e Palestinos (também no período entre 2004 e 2007).
No Brasil, nós não estamos seguros em lugar nenhum. Este é o motivo pelo qual tanta gente vive em desespero. Mas, qual a solução para um país em desespero? Só existe uma solução: o Evangelho!
Foi o Evangelho que transformou a vida de Saulo de Tarso quando este estava à caminho de Damasco para fazer mais vítimas. Saulo era um torturados, um assassino. Atos 9.1-31 conta a história que transformou a sua vida.
Não fosse um encontro com Jesus Cristo, muita gente continuaria a ser morta pelas mãos ou ordens de Saulo de Tarso.
Creio eu que da mesma solução o Brasil carece. Se não for o Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, nada será capaz de frear o avanço da violência em nosso país.
Meditando nisso, evangelize mais e ore mais pelo nosso país. Sem oração, sem a mão de Deus intervindo, e sem a transformação que só o Evangelho pode trazer, não haverá futuro para nosso país que não o desespero cada vez maior.
Oremos para que Deus transforme um futuro de desespero em um futuro de esperança, salvação e paz. Que Deus tenha misericórdia de nós!

Wilson Porte Jr.