COMO AGIR DIANTE DE UM GOVERNO CORRUPTO (Parte 2)

Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor, quer seja ao rei, como soberano, quer às autoridades, como enviadas por ele, tanto para castigo dos malfeitores como para louvor dos que praticam o bem.

1Pe 2.13–14

A Bíblia diz que todos devemos nos sujeitar àqueles que estão instituídos como autoridade sobre nós. Seja na igreja, seja na sociedade, seja na universidade, seja em uma empresa, o cristão sempre age com respeito e humildade. E esse respeito não é por causa da autoridade humana, mas “por causa do Senhor”, conforme escreveu Pedro no texto acima.

Pedro, inspirado pelo Espírito Santo, afirmou que toda autoridade é enviada por Deus. Sejam autoridades boas, sejam autoridade más. Sejam governos que respeitem o povo, sejam governos que humilham o povo. Sejam governos que respeitam princípios cristãos, sejam governos que legislam contrariamente à Palavra de Deus. Até mesmo um governo que prenda ou mate o Seu povo é enviado por Deus.

A Bíblia não apenas afirma isso, como mostra na prática governos que o Senhor levantou para destruir um povo que lhe era infiel: Império Assírio contra o Reino do Norte (Israel), Império Babilônico contra o reino do Sul (Judá), Império Egípcio escravizando por 400 anos os descendentes de Jacó (israelitas), reinos do oriente próximo, vizinhos à Israel, que por diversas vezes os atacou e destruiu, Império Romano subjugando os israelitas e, finalmente, em 70 d.C. destruindo completamente a cidade de Jerusalém, etc.

O profeta Daniel, quando cativo na Babilônia junto de todo o povo judeu, expressou crer nessa verdade ao dizer:

Disse Daniel: Seja bendito o nome de Deus, de eternidade a eternidade, porque dele é a sabedoria e o poder; é ele quem muda o tempo e as estações, remove reis e estabelece reis; ele dá sabedoria aos sábios e entendimento aos inteligentes.

Dn 2.20–21

Quem é que “remove reis e estabelece reis”? Os homens? A democracia? O povo? As articulações políticas? É óbvio que não! E mais: Daniel aqui não falava de reis tementes a Deus. Ele falava sobre um rei que não temia a Deus, que havia destruído as casas, famílias e cidades de Seu povo, e que os mantinha cativos distantes de sua nação. 

Ainda que todos nós devamos exercer nossa cidadania votando inteligentemente, o resultado final sempre revelará os propósitos de Deus. Por pior que seja uma autoridade, ela vem sempre sob os propósitos eternos e insondáveis de Deus. Nada foge ao Seu soberano controle! Daniel, certa vez, disse isso para a autoridade máxima de seu tempo:

Esta sentença é por decreto dos vigilantes, e esta ordem, por mandado dos santos; a fim de que conheçam os viventes que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens; e o dá a quem quer e até ao mais humilde dos homens constitui sobre eles.

Dn 4.17

Deus dá a quem Ele quer a autoridade sobre as nações. Com que objetivo? Pedro responde no texto do início desta pastoral: tanto para castigo dos malfeitores como para louvor dos que praticam o bem. Então, o que cabe a nós? No último artigo sobre esse tema (você pode ler aqui: http://www.wilsonporte.org/site/como-agir-diante-de-um-governo-corrupto-parte-1/), comecei a escrever sobre como os cristãos devem reagir diante da corrupção dos que os governam. 

Seja em que nível for, municipal, estadual ou federal, a corrupção sempre destrói e deve ser combatida. Vimos lá que os cristãos devem ousadamente orar, pacificamente protestar, e biblicamente discordar sempre que uma autoridade agir de um modo anticristão.

A política é apenas um meio para que o Senhor cumpra seus eternos propósitos. É por isso que nossa confiança não pode estar nos políticos, no governo, ou nas assistências que deles recebemos. Nossa confiança deve estar no Senhor. Sejam os políticos bons ou maus, Deus sempre fará com que “todas as coisas cooperem para o bem daqueles” que o amam com todo o coração (Rm 8.28).

COMO AGIR DIANTE DE UM GOVERNO CORRUPTO (Parte 1)

 Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. Rm 13.1

Qual a postura de um cristão em relação ao governo instituído sobre ele?

Ousadamente orar

A primeira atitude que um cristão deve ter é a oração em favor daqueles que os governam. Jeremias assim escreveu:

Procurai a paz da cidade para onde vos desterrei e orai por ela ao SENHOR; porque na sua paz vós tereis paz.
Jr 29.7

Jeremias, usado pelo próprio Deus, lembrava seus ouvintes que todos deveriam orar pela paz da cidade. Obviamente, as pessoas diretamente envolvidas com a paz na cidade são seus governantes. Orar pela cidade significa orar por aqueles que a governam.
E, aqui, a cidade para onde o Senhor os “desterrou” nada tinha a ver com a terra prometida. O Senhor havia desterrado seu povo para cidades e povos que não o temiam nem guardavam sua Palavra. Ainda assim, o Senhor lhes orienta a orar pela cidade — e por seus governantes.

Além deste verso, sabemos que o Senhor nos incentivou a orar por todas as pessoas, inclusive por aquelas que nos fazem mal, ou que nos perseguem (Mt 5.44 e Lc 6.28). De modo que, para Jesus, um cristão deve orar inclusive por aqueles que lhe governam de um modo errado. Mas, pelo que orar por essas pessoas?

Antes de tudo, devemos orar por sua conversão e mudanças de atitude no governo ou para que o Senhor intervenha, e os retire do poder, e abençoe a nação com pessoas que O temam para nos governar — ou, ainda que não tenham temor do Senhor, que ao menos não trabalhem em prol de leis contrárias à Palavra de Deus.

Pacificamente protestar

Podemos, também, pacificamente protestar contra intenções ou ações dos que nos governam (vereadores, prefeitos, governadores, deputados, senadores e presidente) que se colocam acima da Palavra de Deus.

Quando João Batista anunciava a vinda do Cordeiro de Deus, convidava as pessoas ao arrependimento e mudança. Seu governador à época foi repreendido por ele por causa de sua conduta de vida. Por causa de uma vida de adultério e de “todas as maldades” (Lc 3.19) que o governador Herodes cometia, João Batista pacificamente protestou.

Um cristão nunca deve se envolver com quebra-quebra, com destruição do patrimônio público, e com qualquer coisa que seja ilegal. Podemos protestar, desde que sem ofender nosso semelhante agindo como Jesus, João Batista e os apóstolos agiam diante dos governantes que agiam pecaminosamente.

Biblicamente discordar

Pedro nos deu um bom exemplo de como podemos discordar dos que nos governam e, até mesmo, chegarmos a descumprir suas ordens. Veja:

Expressamente vos ordenamos que não ensinásseis nesse nome; contudo, enchestes Jerusalém de vossa doutrina; e quereis lançar sobre nós o sangue desse homem. Então, Pedro e os demais apóstolos afirmaram: Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens.
At 5.28–29

As primeiras palavras deste texto trazem uma ordem das autoridades da época para que Pedro e os demais apóstolos não pregassem. Ou seja, quando uma lei claramente contrária à Palavra de Deus foi dada, a resposta de Pedro foi: Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens.

A intromissão ou ingerência do Estado na esfera da família (Lei da Palmada) ou da religião (criando leis que proíbam pregadores de afirmar que homossexualismo é pecado) são formas do governo legislar em áreas onde nossa Lei Suprema, a Palavra de Deus, já legislou. E se a lei dos homens se impôr sobre a Lei de Deus, antes, importa obedecer a Deus do que aos homens.

Em um próximo artigo, continuaremos esta reflexão.

Lula, o filho do Brasil?

Um ensaio crítico a partir do trinômio criação-queda-redenção do messianismo lulo-petista presente no filme de Fábio Barreto

Lula, o filho do Brasil, é um filme de 2009 produzido e dirigido por Fábio Barreto tendo como base o livro homônimo de Denise Paraná,1 editado em 2003 pela Fundação Perseu Abramo. Em princípio, o livro de Paraná foi sua tese de doutorado escrita em 1995, na Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.

 

O filme, diferentemente do livro, foi produzido e lançado (pré-estreia e sessões especiais) em um período de transição no governo brasileiro. Após dois mandatos, Luiz Inácio estava prestes a deixar presidência da república tendo todo o seu apoio colocado sobre a candidata Dilma Rousseff. Muitos críticos tomaram o lançamento do filme como uma jogada política.    Segundo reportagem do Jornal Zero Hora de 13 de janeiro de 2010, houve certa expectativa por parte dos governistas de que o filme Lula, o filho do Brasil, ajudasse a fortalecer a campanha de Dilma Rousseff à presidência. Com os números de plateia bem abaixo do esperado por causa da pré-estreia em novembro de 2009 e as várias sessões antes do lançamento comercial em janeiro de 2010, Pedro Butcher destacou que as críticas ao filme foram muito negativas, tendo em vista o forte caráter eleitoreiro no entorno da obra.

A seguir, faço uma síntese da vida de Luiz Inácio baseada no filme que conta sua história,ao  mesmo tempo que, apresento como o trinômio criação-queda-redenção acompanha a cosmovisão lulopetistapresente na obra e na esperança de boa parte dos brasileiros.

Síntese e cosmovisão subjacente ao filme Lula, o filho do Brasil


O filme começa sob uma perspectiva de miséria, carência e desesperança— características de muitas áreas do Brasil. Luiz Inácio da Silva nasceu em Caetés, Pernambuco, no dia 27 de outubro de 1945. O início do filme retrata todo o cenário de sofrimento, excesso de trabalho, falta de estrutura e infraestrutura presentes naquela região. Em meio a muitos gemidos e sofrimento, as crianças são apresentadas em um cenário sub-humano.


Logo após tais cenas, junto de sua mãe, Luiz Inácio e seus irmãos vão para São Paulo depois de uma controvertida carta escrita por seu irmão mais velho. No caminho, o cenário supervaloriza o choro, a morte de animais e de passageiros do caminhão que os leva para São Paulo. É enfatizada a gravidez precoce, a pobreza, a falta de trabalho, de educação e de vida. Após treze dias de viagem em cima do caminhão, chegam a Santos-SP.


O primeiro ponto que considero significativo quanto à cosmovisão da autora, é seu compromisso para mostrar Luiz Inácio da Silva como uma espécie de messias dentro de um contexto de caos quase absoluto, do qual ele emerge. 


O cenário de morte e caos, presente em cenários dos quais emergem os “messias”da humanidade, está presente fortemente no início do filme. Muito choro, animais mortos, uma criança morta no caminhão , entre outras cenas já mencionadas acima, dão o pano de fundo de onde Luiz Inácio surgiria.


Lula, o Filho do Brasil, é uma obra muito consistente com a aparente cosmovisão existencialista e ateísta da autora, Denise Paraná. Desde o início, transparece a compreensão de que não há providência divina, mas fatos históricos … CONTINUE LENDO ESTE ARTIGO NO SITE DA REVISTA TEOLOGIA BRASILEIRA DAS EDIÇÕES VIDA NOVA. Continuar lendo!

Uma palavra sobre POLÍTICA aos POLÍTICOS cristãos.

Apesar de poucos a buscarem, sobretudo nos tempos em que vivemos, a Palavra de Deus fala muito sobre política. Nela, tudo o que se passa é vivenciado dentro de um grande ambiente político. Tributos são cobrados, e são até mesmo por Cristo justificados. Nela, encontramos os publicanos (antigos coletores de impostos), governadores, prefeitos, reis, príncipes, além de muitos problemas entre os governantes e os povos das províncias.

Em meio a tudo isso, encontramos os valores e apontamentos que Deus dá sobre o papel do governo e dos governantes. E é exatamente aqui que Deus aponta aqueles que governam como homens de valor. Mas, cabe-nos refletir: onde está o valor destes homens, ou, estes homens de valor?

A resposta do apóstolo Paulo é que o valor destes homens está no fato deles serem também ministros de Deus. Não são apenas chamados de ministros de Deus aqueles que pastoreiam almas, que evangelizam e se incumbem diuturnamente do ministério da pregação e da oração, mas também aqueles que se incumbem da tarefa de cuidar da res-publica, ou seja, da coisa pública, de tudo o que é público.

Diferentemente dos povos antigos que tratavam os governantes como deuses, ou filhos dos deuses, na Bíblia, Deus chama os magistrados de Seus agentes, Seus servos. No exercício de Sua soberania, Deus os institui, tanto para o bem, quanto para a disciplina de um povo. Quando bons políticos, Deus diz que todos devem tratá-los com temor e honra.

Na história, encontramos muitos homens que receberam honra e ainda hoje são lembrados pelo fato de serem agentes da justiça e da paz sobre homens e mulheres criados por Deus.

Um deles é Abraham Kuyper. Kuyper foi um cristão e político holandês que viveu entre os séculos 19 e 20. Além de fundar um partido em seu país, foi primeiro-ministro dos Países Baixos entre 1901 e 1905.

A vida de Kuyper, tanto dentro quanto fora da política (embora, como alguns afirmam, nunca ficamos fora dos assuntos políticos), foi de grandes realizações em prol de seu povo. Além de propôr uma ampla reforma na vida cultural na Holanda, agiu fundando uma rede de escolas orientadas pelos pais dos alunos, foi editor de jornais, fundou a Universidade Livre de Amsterdã, além de muitas outras coisas.

Kuyper, consciente de sua responsabilidade perante a face de Deus, esteve na vanguarda de movimentos importantíssimos relacionados à valorização do trabalho, o desenvolvimento da democracia ocidental, além de sempre lutar pela justiça. Kuyper faleceu em 8 de novembro d 1920, mas seu legado e exemplo ainda hoje influenciam seu povo e país.

Um outro grande político de valor foi William Wilberforce, que viveu entre os séculos 18 e 19. Wilberforce foi um britânico que liderou o movimento abolicionista do tráfico negreiro no Império Britânico. A história nos ensina que, em 1787, Wilberforce conheceu Thomas Clarkson e um grupo abolicionista. Ao entrar no grupo, tornou-se rapidamente o líder do grupo e de uma grande campanha no parlamente inglês pelo fim do tráfico negreiro. 

Wilberforce, em um de seus diários escreveu sobre sua consciência de que Deus estava chamando para por fim ao terrível comércio humano no império. Em maio de 1788, apresentou uma proposta ao Parlamento onde mostrava o crime que era o comércio de escravos. Todos rejeitaram.

A maioria era contra Wilberforce. Fazendeiros, comerciantes, donos de navios e até a coroa britânica era contrária à proposta de Wilberforce. Em 1791, 4 anos depois, apresentou novo projeto de lei contra a escravidão, o qual também não foi aprovado. A partir de então, Wilberforce passou a apresentar novos projetos a cada ano, até que, em 1807, cerca de 20 anos após a apresentação do primeiro projeto, o Parlamento acabou assinando o Ato Contra o Comércio de Escravos no Império Britânico.

Não satisfeito com isso, Wilberforce passou a lutar pela libertação de todos os escravos espalhados por todo o Império. E foi apenas em 1833, 16 anos após o fim do comércio de escravos, que foi assinado a Lei de Abolição da Escravidão pelo Parlamento que acabou por influenciar o mundo todo a conceber leis abolicionistas.

Embora muitos, inadvertidamente, apontem o fim da escravidão como consequência do espírito industrial e capitalista, a grande verdade é que, por detrás do fim dessa mancha horrível da história da humanidade, estava um homem, que desejou glorificar a Deus em sua vocação.

Wilberforce faleceu em 29 de julho de 1833, apenas 3 dias após a assinatura da Lei de Abolição da Escravidão, pela qual lutou toda sua vida. Seu corpo está sepultado na Abadia de Westminster.

Wilberforce é um exemplo de que, um homem ou uma mulher, com temor a Deus no coração e que deseja agir pelo povo de um modo que glorifique a Deus, ainda que esteja sozinho ou em pequeno número, é capaz de fazer a diferença e, por fim, vencer em prol do bem, da paz e da justiça.

Apesar de serem apenas dois homens simples, assim como cada um de nós, eles puderam provar que, temendo a Deus e desejando agir como homens de valor aos olhos do povo e de Deus, nada lhes seria impossível. Deus seria por eles! Com a ajuda de Deus, eles e muitos outros mudaram a cidade, o estado e a nação em seus dias, e até hoje somos indiretamente abençoados por sua coragem, fé, e serviço público.

Assim como na vida destes, Deus pode usar de um modo muito especial cada um de vocês para fazer uma grande diferença e até mesmo mudar a realidade de milhares ou milhões de vidas. Minha oração é que os planos e propósitos de Deus pelas suas vidas sejam de usá-los especial e poderosamente, seja em sua cidade,  estado ou em nossa grande e amada nação.

É disso que mais precisamos, homens de valor aos olhos de Deus e do povo, homens a quem possamos entregar a devida e justa honra, conforme nos ensina a Palavra de Deus: "A quem honra, honra”. 

Encerro com as palavras do Apóstolo Paulo a respeito das autoridades governamentais:

"Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por ele estabelecidas. Portanto, aquele que se rebela contra a autoridade está se colocando contra o que Deus instituiu, e aqueles que assim procedem trazem condenação sobre si mesmos. Pois os governantes não devem ser temidos, a não ser pelos que praticam o mal. Você quer viver livre do medo da autoridade? Pratique o bem, e ela o enaltecerá. Pois é serva de Deus para o seu bem. Mas se você praticar o mal, tenha medo, pois ela não porta a espada sem motivo. É serva de Deus, agente da justiça para punir quem pratica o mal. Portanto, é necessário que sejamos submissos às autoridades, não apenas por causa da possibilidade de uma punição, mas também por questão de consciência. É por isso também que vocês pagam imposto, pois as autoridades estão a serviço de Deus, sempre dedicadas a esse trabalho. Dêem a cada um o que lhe é devido: Se imposto, imposto; se tributo, tributo; se temor, temor; se honra, honra.”

Apóstolo Paulo, aos Romanos 13.1-7

 

 

O CRISTÃO E OS PROTESTOS: um outro ponto de vista

Policial linchado durante
o movimento “pacífico”.
Será que estamos enxergando bem? Será que nossos óculos estão devidamente ajustados para vermos o que realmente está acontecendo?


A injustiça e a corrupção existem. São visíveis e nojentas, repugnantes! A corrupção está em todo lugar. Um bom exemplo é a mídia que insiste em chamar de pacífica as manifestações dos últimos dias. 


Mas, é claro, em um país com 50.000 assassinatos anuais, um movimento com depredações, vandalismo, pixações, tiros, bombas caseiras, etc., só pode ser chamado de pacífico. 

É preciso observar que vivemos sob um alto nível de insensibilidade. Quando descartamos os mais de 50.000 assassinatos anuais como se não fossem “baderna real” ou “violência real”, pois a maioria das pessoas vive insensível a este fato, chegamos a um nível onde nossa sensibilidade para julgarmos se participaremos ou não de movimentos pacíficos com alguns poucos participantes baderneiros não nos alerta mais.

O que estou dizendo é que, mesmo antes das manifestações, chegamos a um nível tal de cauterização da consciência da realidade que não conseguimos perceber o “problema” em nos tornarmos coparticipantes do que está acontecendo.

Em princípio, deixo bastante claro que não acho errado o povo se manifestar. Manifestações pacíficas são legítimas, direito de todo o povo que vive sob um regime democrático. Portanto, não sou contra a manifestação.

 
Minha tristeza é que nunca vi tanta empolgação entre os cristãos por uma causa muito mais sensata e correta – como um Dia Nacional de Arrependimento.


Carro incendiado durante
manifestação “pacífica”.

Minha tristeza é por ver que os cristãos se ajuntam facilmente ao barulho, mas relutam em fazer o que os profetas e apóstolos tanto nos exortaram. Acredito que o caminho seria manifestarmos publicamente nossa tristeza pelos nossos próprios pecados bem como pelos de nossa nação.

Sairmos às ruas confessando nossos pecados como indivíduos, como igrejas e como nação. Confessando-os com placas que reconhecessem onde temos errado. Placas que convocassem, exortassem todas as pessoas de nossa nação a se arrependerem também! Exortando a todos a confessarem seus próprios pecados.

Imagino um Dia Nacional de Arrependimento com placas dizendo:

Tenha misericórdia e perdoe nossos jovens que financiam tantos crimes ao comprarem drogas ilícitas.

Tenha misericórdia e perdoe nossos políticos corruptos que priorizam R$ 27 Bilhões em Copa do Mundo enquanto tantos morrem em corredores de hospitais sem leito e sem médicos.

Perdoa-nos por nossos adultérios.

Perdoa-nos pelo Jeitinho Brasileiro.

Tenha misericórdia e perdoe nossos políticos corruptos que priorizam R$ 27 Bilhões em Copa do Mundo enquanto tantos são assaltados e assassinados por falta de segurança pública em nossa nação.

Arrependa-se e confesse os seus pecados! Só assim veremos mudanças reais no Brasil!

Perdoa-nos por comprarmos atestados médicos.

Perdoa-nos quando sonegamos nossos impostos.

Perdoa-nos por amarmos mais o futebol do que ao Senhor.

Perdoa-nos por aceitarmos tanto adultério e prostituição em nossas televisões.

Perdoa-nos por amarmos mais ao dinheiro e ao sucesso do que ao Senhor.

Perdoa-nos por pagarmos suborno a policiais a fim de não sermos multados.

Abandone a cobiça, a ganância e a luxúria. Volte-se para Cristo! Arrependa-se! Só assim seremos uma nação feliz!

Ame a Deus e à sua família mais do que o dinheiro, o trabalho e o sucesso!

Imagine se, a isso tudo, você e eu aderíssemos nossos próprios pecados? Um Dia Nacional de Arrependimento, clamando a Deus que nos perdoasse. Clamando a Deus que tivesse misericórdia de nosso povo e perdoasse seus pecados (assim como Jesus fez na cruz e Estevão ao ser apedrejado — “Pai, perdoa-lhes…”, Lc 23.34 e At 7.60).

Quem sabe assim, veríamos um grande avivamento em nosso país, avivamento capaz de mudar até mesmo as estruturas do Estado.

Apesar de eu ter escrito acima “sairmos às ruas”, este Dia não precisaria ser necessariamente na rua. Poderíamos estar em qualquer lugar… na rua, na igreja, em casa, no aeroporto, em viagem, enfim… 

Seria um Dia quando pararíamos tudo para orar e pedir perdão a Deus pelos pecados nossos e da nação.

Você, talvez, me dirá: “mas não podemos fazer as duas coisas? Orar e manifestar!?” Claro! Mas por que não fizeram até agora? Onde vocês estavam, cristãos? Por que somente agora pegaram o bonde da história gritando por algo bem menos eficaz do que o arrependimento e a oração?

Se você vive olhando e cobiçando o corpo da mulherada, não honra seu pai e sua mãe, vive falando mal dos outros, sonega imposto, mente, fura filas, pede para autoridades livrá-lo de multas de trânsito, recebe troco a mais e fica quieto, procura políticos para conseguir benefícios pessoais, entra em esquemas de pirâmide financeiras onde quem entra por último sofre às custas dos primeiros “grandes” beneficiados, ultrapassa pelo acostamento, nunca estendeu a mão e abriu o bolso pra ajudar ninguém, fala mal dos outros pra se dar bem, cobra lucros excessivos sobre o que vende, e sempre quer tirar vantagem de tudo, por favor, antes de sair às ruas pedindo mudanças nas ações do Estado, dobre os joelhos e peça a Deus que mude primeiro o seu próprio coração.

Eu sei que existe insatisfação no coração dos brasileiros. Eu também estou insatisfeito. O ponto não é a insatisfação, mas a origem de toda corrupção!

Precisamos de menos movimentos e mais arrependimento. Menos cristãos em pé nas ruas e mais cristãos de joelhos no chão, clamando pela transformação de seus próprios corações e também pela transformação do coração daqueles que nos governam.

Temo pelo que pode vir no final destas manifestações. Se as pessoas conseguirem transformações por meios não democráticos (vandalismos e terror), a história nos ensina que um tirano há de se levantar como um “salvador da pátria” e nos conduzirá à um tempo de tirania, como na Venezuela, China e Cuba. Que Deus nos livre disso!

 

 Diante disso, sugiro três atitudes:   

  • Convoco-os para um Dia Nacional de Arrependimento , em 1º de Setembro de 2013;
  • Se você pensa em sair às ruas para manifestar sua indignação pela corrupção em nosso país, ajoelhe-se antes, peça perdão a Deus pelos seus próprios pecados;
  • Enquanto estiver nas ruas, ao invés de ficar tirando foto e postando no facebook ou twitter, lembre-se de clamar a Deus por um avivamento e transformação espiritual, cultural e moral em nosso país. É disso que precisamos!

 

Concluo com uma série de perguntas feitas por Isaque Sicsú:

E se os políticos e os funcionários corruptos saíssem às ruas clamando: “Parem de jogar lixo nas ruas”, “Parem de sonegar imposto”, “Parem com o maldito jeitinho brasileiro”, “Parem de comprar atestados médicos”, “Parem de pixar as ruas”, “Não mintam sobre suas ausências e horas extras no RH da empresa”, “Sejam corteses no trânsito”, “Sejam educados com os subalternos”, “Não depredem o patrimônio público”, “Não espanquem suas mulheres e crianças”, “Parem de beber e dirigir”, “Não financiem o crime consumindo drogas ou pagando por privilégios ilegítimos”?Pra exigir a diferença, a ética, a moral, precisamos ser éticos e morais. Caso contrário, somos os hipócritas do lado de cá do sistema…

Espero em Deus que esta reflexão ajude você a olhar sob um novo prisma para o momento em que nosso país vive. Sem dúvida, hoje mais do que nunca precisamos sondar nossos corações e tomarmos cuidado com a corrupção e más intenções que nele há (Jr 17.9). Sonde seu coração antes de sair para protestar. Sonde seu coração e, com bom senso, sonde a “situação” para saber se é sábio mesmo fazer parte do que está acontecendo.

Que Deus conduze cada um de vocês!

 
Wilson Porte Jr.