História da Igreja? Pra quê?

Alunos da SEBI-Araraquara. Encerramos a semana de estudos com um delicioso churrasco!

Alunos da SEBI-Araraquara. Encerramos a semana de estudos com um delicioso churrasco!

Por que estudar história da igreja? Muitas pessoas já me perguntaram isso. Frustradas com professores de história que tiveram no ensino médio e/ou faculdade, não entendem o valor (e, até mesmo, prazer) em estudar e conhecer melhor a própria história da igreja.

Pois bem, conhecer melhor a história do cristianismo é fundamental para quem deseja viver o melhor possível o hoje. Conhecer erros do passado, conhecer bem as discussões em cima de questões que, volta e meia, retornam, pode nos ajudar a fim de que não caiamos nos mesmos erros.

Semana passada, tive o privilégio de ensinar História da Igreja 3 para os brilhantes [;-)] estudantes de teologia da Sociedade de Estudos Bíblicos Interdisciplinares, pólo Araraquara-SP. Pudemos estudar sobre os Puritanos e sobre os dois primeiros séculos da história da igreja batista.

livro-a-igreja-crista-na-historia-206x300Há excelentes livros de história da igreja escritos em português. Sem dúvida alguma, o recém lançado de Franklin Ferreira, A Igreja Cristã na História, publicado pelas Edições Vida Nova, é o melhor. O livro é super didático, recomendadíssimo para ser usado em seminários, traz um elemento inédito: informações riquíssimas sobre filmes e documentários sobre os vários períodos da história da igreja cristã. Além disso, traz mapas, quadros e gráficos que auxiliam muito a compreensão do período e contexto estudado.

Sem dúvida, se conhecêssemos melhor a história da igreja e a própria história do pensamento cristão, não cairíamos, como igreja, em tantos erros doutrinários sugeridos por pregadores recentes. Temas já rebatidos e destruídos com autoridade e sabedoria no passado, mas que retornam retocados seduzindo e destruindo a vida de tantos descuidados.

Se eu fosse você, valorizaria muito mais a história da igreja. Conhecê-la também significa conhecer a história dos feitos de Deus, o seu Deus, na história. Conhecer a história dos santos e santas, inspirariam você a uma vida mais santa também. Lhe asseguro: vale a pena! Estude mais. Você só ganhará com isso.

Wilson Porte Jr.

 

 

Reflexões sobre “O Peregrino”, de John Bunyan

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Pr. Paulo me apresentando antes da última pregação na 8ª Conf. Reformada John Bunyan.

No último final de semana, tive a alegria de estar na Igreja Batista Reformada em Volta Redonda-RJ pregando na 8ª Conferência Reformada John Bunyan. A cada ano, esta conferência se dedica a estudar um capítulo do livro mais lido e impresso na história, depois da Bíblia: O Peregrino.

Nesta conferência, refletimos sobre o capítulo 8, Cristão encontra estranhos companheiros no caminho. 

Antes de compartilhar aqui um pouquinho das minhas reflexões feitas com aqueles irmãos, deixo aqui registrada minha gratidão a Deus por suas vidas e história. Amei estar com vocês. Continuem sendo luz e sal em sua cidade.

Reflexões

Este capítulo é muito especial a todos nós, pois fala daquilo que aconteceu imediatamente após o personagem principal, Cristão, encontrar-se com a Cruz. Foi na cruz que Cristão perdeu o fardo que carregava em suas costas. Na cruz ele encontrou alívio, paz e direção.

Após seu encontro com a cruz do Senhor, Cristão inicia sua peregrinação na estrada estreita com dois grandes muros nos quais está escrito a palavra Salvação. Logo no início, Cristão encontra 5 estranhos companheiros de caminho. O nome dos três primeiros são: Simplicidade, Preguiça e Presunção.

Como todos sabemos, no caminho dos peregrinos encontraremos muitos FALSOS PEREGRINOS. Eles nos atrapalharão, desanimarão, e tentarão. E é disso que Bunyan trata nesse capítulo de seu livro.

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Irmãos presentes à conferência em Volta Redonda-RJ.

A experiência de Cristão com os 3 primeiros personagens nos leva a Provérbios 23.29-35. Lá, Salomão escreve sobre algumas questões que todos deveríamos fazer:

  • para quem são os ais?
  • para quem os pesares?
  • para quem as rixas?
  • para quem as queixas?
  • para quem as feridas sem causa?
  • e para quem os olhos vermelhos?

As respostas dadas pelo próprio Salomão são estas:

  • para os que se demoram em beber vinho;
  • para os que andam buscando bebida misturada.

Após isso, Salomão exorta:

  • não olhes para o vinho:
  • quando vermelho;
  • quando resplandece;
  • quando escoa;
  • ou seja, quando sua aparência e sedução nos convidam à satisfação.

É bom que se destaque aqui que nem Salomão, muito menos Bunyan, estão nos exortando a não bebermos vinho. O ponto deles é fazer-nos entender que, longe de Deus, a busca por prazer é pecado, loucura e idolatria.

O vinho (em Prov 23) é algo que produz prazer. E quando buscamos prazer longe de Deus, agimos como um louco. É disso que Salomão e John Bunyan tratam. Bunyan, no capítulo 8 de O Peregrino, apresenta os senhores Simplicidade, Preguiça e Presunção como homens que buscam seu prazer nestas referidas coisas. Por isso, Bunyan os compara ao homem de provérbios que  se deita sobre um mastro no meio do mar.

Obviamente, ninguém em sã consciência encontra prazer deitando-se sobre um poste na rua ou sobre um mastro no mar. Isso causa incômodo, ferimentos e dor. Mas, é justamente essa a atitude de quem busca prazer longe do caminho de Deus. São loucos!

John Bunyan, falando através de Cristão, nos dá os motivos pelos quais a busca pelo prazer longe de Deus e insensatez:

  • No final, todos somos feridos e mortos por aquilo que nos seduz;
  • Nossos olhos, feridos pelo prazer pecaminoso, ficarão cansados e tristes (vermelhos);
  • E, por fim, nosso coração e boca se encherão de perversidades.
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Expondo a Palavra de Deus e explicando O Peregrino.

Satisfação, só encontramos no caminho que leva a Deus, o caminho estreito. Quando encontramos este caminho, lamentamos o tempo que passamos longe dele.

Santo Agostinho escreveu sobre isso em suas Confissões, quando orou “Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão rara, tarde demais te amei”.

Em outra ocasião, quando Agostinho atravessava uma rua e encontrou uma antiga “amiga”, uma meretriz com a qual passava momentos de imoralidade, a moça começa a gritar pelo seu nome: “Agostinho! Agostinho! Volte, Agostinho. Sou eu, aquela! Aquela, Agostinho!”

Diante disso, Agostinho para, se volta, e responde: “Você é aquela, mas eu não sou mais aquele”. O que fez com que Agostinho não quisesse mais aquele antigo prazer? A resposta é: Agostinho encontrou um novo prazer, prazer no Criador daquela triste criatura que o chamava para o pecado.

No caminho, encontraremos pessoas que agirão da forma como os falsos companheiros do Cristão de O Peregrino: Simplistas, Preguiçosas e Orgulhosas. Pessoas que encontram prazer no simplismo, ou seja, em não ver perigo em andar de qualquer jeito neste mundo. Pessoas pluralistas, para as quais o apego às sãs doutrinas não é algo importante. Também encontraremos pessoas preguiçosas, para as quais o cristianismo e obedecer em amor aos mandamentos do Senhor não é algo que deve ser levado tão a sério. E, por fim, encontraremos pessoas presunçosas, para as quais cada um deve andar como achar melhor. Para estas últimas pessoas, tudo é relativo, ou seja, cada um tem a sua própria verdade.

Os últimos amigos que Cristão encontra no capítulo 8 são Formalista e Hipocrisia. Estes são aqueles que, cegamente, andam como se não vivessem em meio a uma grande batalha espiritual. Lembrando as palavras de Pedro em 1Pe 5.5-9, John Bunyan compara Formalista e Hipocrisia àqueles que vivem como se o Diabo não estivesse o tempo todo querendo nos destruir.

Uma breve análise sobre Lc 22.31, Ef 6.12 e 1Pe 5.5-9 nos ajuda a perceber como demônios (anjos caídos) estão ao nosso redor o tempo todo querendo destruir nossa comunhão com Deus, destruir nossas famílias e nossa comunhão com outros cristãos.

Como um leão, os demônios são fortes, sedentos por morte, espertos, sagazes e silenciosos. Você e eu nos tornamos presas fáceis deles quando agimos como Formalista ou Hipocrisia.

Formalista é como aqueles que acreditam que serão salvos por observarem usos e costumes. Hipocrisia é aquele que critica usos e costumes, aparentemente é cristão “por fora”, mas interiormente é imundo, sujo, imoral, podre.

A exemplo de Cristão, devemos nos entristecer e orar por aqueles que estão no caminho, mas tão preguiçosamente. Devemos também orar por nossas vidas, certos de que, se o Diabo estará ao nosso lado em toda a nossa peregrinação nesta terra, o Senhor Jesus prometeu que também estaria para nos guardar, amparar e guiar.

Clamemos por Sua graça e presença, agindo como Cristão, perseverando no caminho estreito. Se assim fizermos, continuaremos firmes no caminho e teremos a certeza de que os demônios se manterão afastados de nós, de nossas famílias, e de nossas igrejas.

Que Deus nos guarde e nos fortaleça. A vitória já é nossa, mas as batalhas precisam ser travadas.

Que Deus nos ajude!

Minhas leituras: 2013

Eis os livros que li até aqui em 2013:

(35 livros, 5.436 páginas)

35º

BUNYAN, John. O Peregrino. São José dos Campos: Fiel, 2013, 270 páginas.

Este livro sempre me surpreende. Apesar de ser uma alegoria da vida e caminhada dos cristãos neste mundo, O Peregrino transpira as Escrituras. Charles Spurgeon certa vez disse isso às suas ovelhas. John Bunyan estava completamente preenchido pela Palavra de Deus, de modo que cada palavra, história, ilustração e figura brilham passagens e histórias bíblicas. Todo cristão deveria ler este livro, pelo menos uma vez na vida. Ele está cheio de conceitos doutrinários, e cheio de desafios à nossa vida e comunhão com Deus. O li em três dias, de tão gostoso e bom de leitura que é. Recomendadíssimo!

34º

DEYOUNG, Kevin. Brecha em nossa santidade. São José dos Campos: Fiel, 2013, 206 páginas.

Gosto muito de DeYoung, jovem pastor, escritor e conferencista reformado norte-americano. Seus textos publicados no site do The Gospel Coalition são de uma riqueza ímpar. Neste livro, recentemente publicado pela Editora Fiel, Kevin DeYoung trata de um modo animador nossa busca por santidade. Ao invés de apresentar algo inalcançável, o autor expõe de forma animadora o maravilhoso caminho da santidade pessoal. Mostra-nos como a santidade está mais perto de nós do que imaginamos. Recomendadíssimo, como tudo que sai da pena de Kevin.

33º

NARLOCH, Leandro. Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil. São Paulo: Leya, 2009, 304 páginas.

Escrito por Leandro Narloch, o Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil (GPIHB) começa uma série de livros com o mesmo tema. Nos demais, Narloch trata da história da Amélica Latina e do Mundo. Neste, especialmente, é mostrado um outro lado da história do Brasil, diferente de como aprendemos na escola. Narloch deixa evidente o quanto o Marxismo Cultural exerceu influência até mesmo na historiografia de nossa nação. Particularmente, gostei muito do livro.

32º

TOZER, A. W. Cinco votos para obter poder espiritual. São Paulo: Editora dos Clássicos, 2004, 64 páginas.

Livro pequeno, mas de grande valor espiritual. Como uma pequena pérola ou um pequeno diamante, difíceis de encontrar, mas que mudam nossa vida ao tornarem parte da nossa história. Esse livro me tocou profundamente. Não apenas pelos 5 desafios/votos que Tozer apresenta, mas pela exortação à humildade por ele destacada.

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