COMO SE LIBERTAR DO PECADO?

Tendo-se levantado alta madrugada, saiu, foi para um lugar deserto e ali orava.

Mc 1.35

Há muita gente que não aguenta mais viver com certos vícios e pecados. Maus hábitos que lhes perseguem há anos e dos quais desejam se livrar, mas não conseguem. Pessoas que já entregaram suas vidas a Cristo, mas, ainda assim, sofrem por não conseguirem se ver livres daquilo que as afasta de Deus e as coloca debaixo de um jugo.

Muitas destas pessoas já procuraram ajuda, já clamaram por socorro a pastores, conselheiros, amigos e terapeutas, mas continuam encontrando, semana após semana, as mesmas quedas nos mesmos pecados dos quais não veem a hora de estarem libertos.

De fato, não existe uma fórmula mágica para libertar pessoas da escravidão ao pecado. Somente Cristo nos liberta, mas, para isso, é necessário que ouçamos e vejamos certas coisas que ele disse e fez.

Em Mt 11.28 Jesus disse: Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. No entanto, para que consigamos nos achegar a Cristo e receber o alívio que só ele pode nos dar, é necessário que leiamos este outro texto (Mt 16.24): Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. 

Cristo não apenas nos convidou para que o sigamos e encontremos alívio de nossos vícios e pecados, mas nos orientou que, para segui-lo, seria necessário que nos negássemos. Negássemos tudo aquilo que poderia manter vivo o velho homem dentro de nós. Ainda que, para isso, tivéssemos que nos desfazer de certas coisas ou privilégios. Tudo o que nos fizesse reviver o tempo de escravidão ao pecado deveria ser tirado de nossas vidas. Tudo o que nos liga aos velhos ídolos do nosso coração deveria ser extirpado. Se não houver um corte radical, nunca nos veremos livres cabalmente.

E não é possível que esse corte seja feito sem que haja oração. Sem oração não há ruptura. Sem oração não é possível que morramos para este mundo e tudo aquilo que nos tenta. Se queremos fugir das tentações e das distrações do dia a dia, é necessário que leiamos com atenção a atitude de Jesus em Mc 1.35, texto registrado mais acima, abaixo do título.

Mesmo Cristo sendo Deus, reconhecia a necessidade (e prazer) do deserto. Aqui está o outro elemento importantíssimo para que você e eu encontremos finalmente libertação de nossos pecados. Não basta apenas ir à Cristo e entregar-se a ele, mas é necessário que você permaneça nele, constantemente, em oração. Para isso, você precisa do deserto.

Deserto aqui não diz respeito a um lugar quente, sem vida e distante, mas a um lugar onde você poderá ficar sozinho, a sós com Deus. O teu quarto, segundo Jesus, pode ser um lugar deserto, se nele você estiver sozinho (Mt 6.6). O cultivo da oração diária a sós com Deus é extremamente necessário se você deseja manter-se em pé diante das tentações do dia. Só Deus pode sustentar sua vida, seus pensamentos, seus olhos, suas palavras e suas motivações.

Não deixe de seguir o exemplo de Cristo em algum momento do dia procurando um lugar deserto para orar. E não deixe de ouvir as palavras de Cristo sobre o que você precisa deixar para poder segui-lo e encontrar alívio. Ele é fiel e verdadeiro. Sua palavra nunca falha. Ele é sempre o mesmo e está sempre no mesmo lugar, pronto a lhe perdoar e restaurar.

VOCÊ DESEJA SER LIVRE?

A quem ou a quê você está ligado? Todos estamos amarrados a algo ou a alguém. Até mesmo aqueles que se consideram livres e que não estão presos a nada, enganam-se não percebendo que são escravos de uma falsa liberdade que não os levará a nada. Um falso senso da liberdade escraviza ignorantes ingênuos que supõe que a liberdade é um estado. Liberdade não é e nunca será um estado. Liberdade é uma pessoa!

Paulo aqui expõe algo sobre esta verdadeira liberdade que encontramos quando, paradoxalmente, nos tornamos prisioneiros de Jesus Cristo. Em Ef 3.1, Paulo diz:

 

Por esta causa eu, Paulo, sou o prisioneiro de Cristo Jesus, por amor de vós, gentios,

 

Compreendamos tais palavras passo a passo.

 

Por esta causa 

 

A causa sobre a qual Paulo escreve está ligada ao amor de Deus que ultrapassa o tempo e a história e ao poder de Deus em trazer à vida pessoas sem esperança e salvação, libertando-as de sua morte espiritual.

A causa da preocupação de Paulo era trazer os efésios para mais perto de Deus e afastá-los de tudo o que apenas cooperava para distanciá-los cada vez mais do soberano Deus que os salvou e protegia em meio às aflições que os cristãos no mundo todo passavam por aqueles dias.

Todos vivem por uma causa. Cristãos ou não-cristãos, todos vivem e morrem sobre uma causa. Consciente ou inconscientemente, todos compram, orçam, relacionam-se, sonham, agem, baseados em uma causa que, nem sempre, é clara e aparente aos tais.

É neste sentido que a causa de Paulo é Cristo. Cristo é o fundamento sobre o qual ele está. Em suas palavras anteriores aos efésios, Paulo comentou sobre o fundamento dos apóstolos e profetas sobre o qual toda igreja está construída. Paulo, como mais um membro deste grande corpo e edifício, também tem sua vida construída sobre Jesus. 

É por causa de Cristo, e pela causa de Cristo, que Paulo agora lhes escrevia. Não apenas por ter sido alcançado por este amor imerecido e liberto pelo poder desta misericórdia, mas também pela certeza de que o Senhor havia o chamado para espalhar a mensagem deste amor.

E foi em amor que Paulo lhes escreveu. A causa está relacionada a este amor, tanto por Cristo quanto pelos efésios e todos os demais gentios. Por causa deste amor por eles e da pregação deste evangelho, Paulo agora estava preso.

A ‘razão’ também está relacionada com o novo plano em que judeus e gentios agora estão colocados. E a razão dessa união e inseparabilidade entre os convertidos se dá pelo fato do Senhor ter os escolhido desde antes da fundação do mundo.⁠1 Ele são obra de Deus, fruto do poder de Deus. A graça de Deus é abundante também sobre os gentios. Eles nunca deveriam se esquecer disso.

 

eu, Paulo, sou o prisioneiro 

 

Paulo estava preso em Roma por causa de seu serviço no reino de Deus, e mais especificamente por causa de seu serviço entre os gentios (2Tm 1.11-12). Muitos judeus se levantaram contra Paulo por causa de sua pregação. Vinha dos judeus a maior parte das acusações falsas sobre o apóstolo, as quais incitavam governos e “forças policiais” a se levantarem contra Paulo para prenderem-no. A força da oposição dos judeus contra Paulo acabou ocasionando um ataque contra sua pessoa na cidade de Jerusalém e consequente prisão que o levou primeiramente a Cesareia e depois a Roma, de onde escreveu esta carta.⁠2

A prisão de Paulo não o fazia sofrer por causa dela em si. A aflição trazida pela prisão não significou tristeza para Paulo. Embora não deixasse de ser tribulação, havia paz em sua alma. Por isso Paulo não reclama, embora recorde de sua situação de prisioneiro. Assim, textos como os seguintes servem para nos recordar o que nossos irmãos quando sofriam tinham em mente:

 

Apocalipse 2.10: Não temas as coisas que tens de sofrer. Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova, e tereis tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida.

 

Colossenses 4.3: Suplicai, ao mesmo tempo, também por nós, para que Deus nos abra porta à palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual também estou algemado;

 

Embora, a aflição seja certa, nenhum deles a trocaria pela paz e alívio deste mundo, momentâneos, mas que se dissipam com o tempo. O foco deles estava na eternidade. Era nela que eles pensavam. Os sofrimentos do tempo presente não se podem comparar com o que estava preparado para eles em seu futuro:

 

Romanos 8.18: Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós.

 

Paulo se via como um prisioneiro, mas não prisioneiro de um império, e sim prisioneiro de um homem, Jesus Cristo. Assim ele continua:

 

de Cristo Jesus, 

 

Paulo estava ligado a Cristo, amarrado a Jesus, atado com laços de amor, a ponto de se considerar um escravo (δοῦλος) de nosso Senhor. Estar ligado dessa forma a Cristo é estar verdadeiramente liberto. Só quem está preso a Cristo é verdadeiramente livre. Quem supostamente está “livre” de Cristo são os que verdadeiramente estão escravos de seus vícios e pecados. Só Cristo nos liberta. Ele é a verdade que nossa alma tanto anseia e busca em tantas coisas e pessoas. Só nele encontramos verdadeiro e pleno descanso.

Paulo se considera um prisioneiro de Cristo Jesus. E isso é razão da liberdade de Paulo, da plena alegria em sua vida e história. Se alguém não está ‘acorrentado’ a Cristo, como um prisioneiro ou escravo, tal pessoa está acorrentada a outro senhor ou prisão. Consciente ou inconscientemente, todos estão presos a algo ou alguém. E só as correntes que nos atam a Cristo nos trazem paz e liberdade.

 

por amor de vós, gentios,

 

Literalmente, Paulo escreveu: “Por causa de vós, das etnias”. As etnias aqui descritas dizem respeito aos gentios que tanto sofriam por causa do preconceito dos judeus. Agora, todas as etnias do mundo seriam alcançadas pelo Evangelho.

O amor de Paulo pelo Senhor Jesus o levou a morrer para si e para o mundo levando o Evangelho a todos os não-judeus. Isso fez com que ele encontrasse a prisão em várias ocasiões. Quando estamos atados a Cristo, amando-o com todo o nosso coração e alma, estamos sempre prontos a falar dessa paz a todos que nos perguntam sobre ela.

 

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1 Harold W. Hoehner, “Ephesians”, in The Bible Knowledge Commentary: An Exposition of the Scriptures, ed. J. F. Walvoord e R. B. Zuck, vol. 2 (Wheaton, IL: Victor Books, 1985), 628.

2 Harold W. Hoehner, “Ephesians”, in The Bible Knowledge Commentary: An Exposition of the Scriptures, ed. J. F. Walvoord e R. B. Zuck, vol. 2 (Wheaton, IL: Victor Books, 1985), 628.

OS MORTOS PODEM VOLTAR A VIVER?

Esta pequena introdução de Paulo ao capítulo 2 de Efésios, bem que poderia se chamar “Libertos da Sepultura”. Não apenas “Liberto”, tratando-se de nosso Senhor Jesus Cristo, mas “Libertos”, pois com ele todos alcançamos libertação.

Mais do que isso, com ele, todos alcançamos a própria vida. Nossa libertação não foi de uma simples escravidão, mas da própria sepultura onde vivíamos mortos para Deus.

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