Pequeno comentário bíblico (Ex 21-23)

Leia Ex 21-23.

Esta pequena porção trata de como os servos deveriam ser tratados por seus senhores. O fato desta lei existir demonstra duas coisas:

(1) Havia uma preocupação da parte de Deus com a situação dos escravos e servos, o que lhes conferia dignidade e valor;

(2) A maneira como os escravos lidavam com seus senhores naquela época era completamente diferente de como estamos acostumados a pensar a relação senhor-escravo.

No verso 2, já percebemos a grande diferença de tudo o que já ouvimos sobre a relação senhor-escravo. Após seis anos servindo ao seu senhor, todo escravo poderia sair livre sem nada dever ao seu senhor. Isso nunca aconteceu na história da humanidade fora da história israelita.

Ainda assim, a relação senhor-escravo naquela época era tão diferente de tudo que já vimos ou ouvimos que era possível que um escravo amasse tanto seu senhor que, voluntariamente, decidisse não deixá-lo (v. 5). Se isso acontecesse, o escravo teria sua orelha perfurada significando que, por amor, o serviria por toda a sua vida. Isso apenas demonstraria que a relação entre senhor-escravo era de profunda amizade, cuidada e amor mútuos. Para muitos hoje, isso é um completo absurdo pois jamais conseguiriam imaginar tal fato.

Ainda assim, fatos terríveis eram possíveis, como um homem chegar ao ponto de vender sua própria filha como escrava. Ciente desse terrível ato, deveria apenas observar que sua filha não fosse vendida a um povo estranho. Do verso 7 ao 11, Deus demonstra que aqueles que tratassem suas filhas desta maneira deveriam tratá-las com respeito e dignidade, evitando que fossem tratadas como um objeto.

A partir do verso 12, o Senhor trata de violência. O foco é na justiça. Ninguém que retirasse algo de outro deveria ficar impune. Antes, deveria pagar exatamente o que retirou em seu roubo. Seja uma vida, seja uma cabra, seja um vaso, tudo o que fosse tirado de alguém deveria ser restituído e, quando fosse a própria vida, que esta deveria ser tirada da mesma maneira com tirou a de outrem (v. 12).

Deveria haver respeito para com pais e mães, fonte de todo respeito que destrói a violência pública. Ou seja, se alguém não é capaz de ser respeitoso com seus próprios pais, jamais será diante de outros.

Quando alguém viesse a ferir, matar, roubar ou cometer qualquer outro crime contra seu semelhante, jamais deveria ser julgado e punido em medida menor do que seu crime cometido. Por exemplo, se alguém roubasse um camelo, não deveria pagar pelo crime dando uma formiga ao que foi lesado. Se alguém matasse alguém, jamais deveria ser punido de outra forma que não com uma justiça que equivalesse ao crime cometido (versos 23 a 25).

A partir do capítulo 22, o Senhor tratará da propriedade privada, tema tão importante, sobretudo em nosso tempo, quando ideologias políticas tanto defendem a intervenção estatal sobre aquilo que foi suada e honradamente conquistado pelos trabalhadores. A Bíblia é contra a interferência estatal sobre a esfera da família e sobre aquilo que pertence honrada e justamente a ela. Vários detalhes são dados neste capítulo, tanto relacionados a terra quanto à animais que pertençam a uma família ou indivíduo. O capítulo termina com orientações relacionadas às relações sociais e religiosas dentro do contexto israelita de então.

No capítulo 23, Moisés registra as palavras do Senhor relacionadas ao testemunho falso diante de um tribunal. Jamais devemos fazer porque os outros estão fazendo, seguindo o caminho da multidão e sua forma de resolver problemas. O suborno é condenado, tanto o receber quanto o subornar.

As orientações seguem no sentido de orientar o povo como cuidar da terra e de seu próprio corpo. Ninguém deveria matar a terra e a si mesmo de tanto trabalhar. O trabalho é para o homem e não o homem para o trabalho. Se o povo fosse fiel a Deus, certamente Ele cuidaria de sua terra, de sua família e do Seu fiel. O servir ao Senhor era o que traria paz e benção sobre o povo. O capítulo 23 termina com uma promessa relacionada ao que Deus daria ao seu povo caso este permanecesse fiel a tudo o que o Senhor estava lhes apresentando. O Senhor lhes daria a terra que começa no mar Vermelho “até ao mar dos filisteus e desde o deserto até ao Eufrates”. Israel, por causa de sua desobediência, nunca possuiu toda esta extensão de terra. Nunca.

Pequeno comentário bíblico (Ex 18-20)

Leia Ex 18-20.

É impressionante a mudança que uma simples visita pode realizar em nossas vidas. A Bíblia apresenta diversas visitas. Em cada uma delas, mudanças consideráveis são feitas. Visitas de anjos, visitas do próprio Senhor, visitas de profetas e sacerdotes, visitas de reis, e, por fim, a própria visita de nosso Deus na pessoa bendita de nosso Senhor Jesus Cristo.

Em cada uma delas, mudanças marcantes aconteceram. Não foi diferente no capítulo 18 de Êxodo. Há muito tempo sem ver sua esposa e filhos, Moisés foi surpreendido pela visita dos mesmos — embora o texto não apresente os mesmos como o foco da visitação.

O foco permaneceu no sogro de Moisés. É Jetro (o qual trouxe a esposa e filhos de Moisés para visitá-lo) que acaba sendo mencionado com certa riqueza no texto. Especialmente por causa dos conselhos que o mesmo trouxe a seu genro.

Ex 18.1 afirma que Jetro veio a Moisés depois de ouvir sobre as grandes coisas que Deus havia feito por ele e seu povo. Zípora, Gerson e Eliezer estavam com eles. Moisés estava em um deserto quando recebeu a visita. Deserto que nunca mais sairia de sua vida. Ele morreria naquele deserto, algumas décadas depois.

Após dispensar toda hospitalidade ao seu sogro, Moisés lhe contou com detalhes as maravilhas que o Senhor havia feito por seu povo. Agora, Jetro ouvia dos milagres da boca do próprio Moisés, e não mais da boca de terceiros. Muita gente naquela região do mundo sabia do que havia acontecido. A notícia da libertação de Israel se espalhou por muitos lugares. Mas ouvir do próprio Moisés certamente trazia mais riqueza aos acontecimentos.

Ex 18.9 e seguintes apresentam Jetro louvando a Deus por aquilo que Ele fez pelos seus. Primeiro, Jetro louvou a Deus por aquilo que Ele fez. Depois, ofereceu sacrifícios e holocaustos em adoração pela ação grandiosa por meio da qual Israel foi liberto da escravidão.

O capítulo 18 continua afirmando que, no dia seguinte, Moisés saiu para fazer o que, aparentemente, sempre fazia. Como único líder de todo aquele povo, Moisés possuía a responsabilidade de julgar as ações de cada um, cada disputa, embate, roubo, assassinato, o que fosse, Moisés era a pessoa a ser procurada para se resolver a situação.

Assim, “no dia seguinte”, Moisés saiu para fazer o que sempre fazia. Como o visitava, Jetro o acompanhou e observou. Diante da situação, entendeu que deveria aconselhar seu genro a agir de um modo diferente. Caso não o ouvisse, certamente não suportaria muito tempo. O serviço de Moisés durava “desde a manhã até o pôr do sol” (Ex 18.13).

O conselho de Jetro se resume nestas palavras: “Procure homens de verdade, homens que não são avarentos e que temem a Deus. Coloque-os como chefes de mil, de cem, de cinquenta e de dez pessoas.”

A ideia de Jetro era ajudar Moisés a dividir as responsabilidade, delegar. Moisés o ouviu em tudo e, após estes conselhos, aparentemente Jetro foi embora.

O capítulo 19 começa com o Senhor preparando Moises para o encontro no Sinal, o grande e inesquecível encontro do Sinal. Aquele encontro duraria para sempre. Seria um momento a ser lembrado para todo o restante da história da humanidade. Deus prepara Moisés para o momento em que lhe daria os famosos Dez Mandamentos.

O tempo daquele encontro seria no primeiro dia do terceiro mês da saída de Israel do Egito. Este seria o dia do encontro. Neste encontro, Deus faria uma aliança com Israel. Deus chamou Moisés e disse a ele o que ele deveria dizer ao povo. Lendo os versos 5 e 6, temos um resumo do conteúdo dessa aliança.

Após vir ao povo e expor ao mesmo as palavras da aliança, todos ouviram com atenção e responderam com temor. Ali, o povo concordou com as palavras de Deus e com sua aliança com o povo.

Após isso, Deus pediu a Moisés que purificasse o povo. Ninguém deveria se apresentar diante de Deus impuro. Aliás, ninguém deveria tocar no monte onde Moisés estaria se encontrando com Deus. O fato da presença de Deus estar ali tornava santíssimo o lugar. Isso nos demonstra quão séria é a questão da santidade e da pureza aos olhos de Deus. Se o povo faria uma aliança com Deus, deveria considerar sua santidade e pureza desde cedo.

Ao descer do monte, Moisés purificou o povo (Ex 19.14). O monte fumegava, como uma grande fornalha. Tremia. Era, sem dúvida, uma visão impressionante, sobrenatural. Não era possível que alguém que o visse não reconhecesse a presença divina sobre aquele lugar. Por diversas vezes Deus exortou a Moisés que este exortasse o povo a não ultrapassar os limites demarcados ao redor do monte. Se fizessem isso, homens ou animais, morreriam imediatamente. Moisés desceu e orientou todo o povo e, depois, voltou a subir com Arão.

No capítulo 20, somos colocados diante de um dos textos mais conhecidos da Bíblia. Ex 20 começa com o próprio Deus falando. Ele se apresenta no monte como o mesmo “Eu sou” que outrora havia falado com Moisés do meio de uma sarça ardente. O Eu Sou se apresentou como o mesmo que os tirou da terra do Egito. E ele apresentou as seguintes leis:

1. Não terás outros deuses;

2. Não farás para ti imagem de escultura;

3. Não tomarás o nome do Senhor em vão;

4. Lembra-te do dia de sábado;

5. Honra teu pai e tua mãe;

6. Não matarás;

7. Não adulterarás;

8. Não furtarás;

9. Não dirás falso testemunho;

10. Não cobiçarás.

Obviamente, entre um e outro, Deus detalhou como o povo poderia cumprir e obedecer tais mandamentos. Especialmente no que diz respeito à adoração às imagens, à guarda do sábado, à obediência aos pais e à cobiça. Os demais mandamentos são dados sem explicação, pois, talvez, parecerem óbvios demais àqueles que os ouviam em primeira mão. Hoje, não só para eles, mas para todos nós, todos os Dez Mandamentos são óbvios em suas orientações. Trata-se de uma lista básica para nos guiar à uma vida em paz.

O verso 18 afirma que todo o povo assistia aos trovões e relâmpagos de longe. Sabiam que Moisés estava ali, mas não sabiam se voltaria dali vivo. Isso se tornou mais forte adiante. O capítulo 20 termina com orientações sobre como o povo deveria adorar a Deus no deserto. Nisso percebemos o quanto Deus desejava estar em comunhão com o povo. Deus não apenas os libertou, mas desejava prepará-los para um encontro, prepará-los para comunhão. E, biblicamente, o nome deste preparo é santificação.

Pequeno comentário bíblico (Ex 15-17)

Leia Êxodo 15-17.

 

A música está presente do início ao final das Escrituras. Deus a criou e compartilhou com os seres humanos. Em certa medida, compartilhou-a também com as aves e com alguns animais aquáticos – como golfinhos e baleias. Deus é bom e belo, e sua criação não é em nada diferente.

Não é raro encontrarmos homens de Deus se valendo de canções para adorar e agradecer ao Senhor. Aqui em Ex 15, Moisés se vale de música para louvar a Deus. O cântico de Moisés é um reconhecimento da força e poder do Senhor diante do que se foi e do que estava por vir. Um exército todo poderoso derrotado por um grupo de ex-escravos que não portavam nenhuma arma e que nunca tiveram um treinamento militar. Isso foi um sinal de tudo o que estava por vir. O Senhor seria a força de seu povo. Por meio dele viriam as vitórias, e não da força e capacidade dos israelitas.

Não só Moisés cantou, mas Miriã também. Esta era sua irmã. Ela tocava tamborim. Miriã, junto de outras mulheres, saíram tocando tamborins, dançando e cantando: “Cantai ao Senhor, porque gloriosamente trincou e precipitou no mar o cavalo e o seu cavaleiro”.

O final de Ex 15 mostra a sede do povo por água. Três dias caminharam sem encontrarem nada para beber. Como tudo o que Deus fez até aqui, milagrosamente proveu-lhes água de uma fonte que transformou de não-potável em potável. Após dar-lhes alguns poucos estatutos e uma ordenação (as quais não nos são reveladas nesta porção do texto), levou-os a um lugar onde descansaram sob setenta palmeiras junto a doze fontes de água. Deus é bom!

De lá, Ex 16 diz que eles partiram para o deserto de Sim. Estavam em peregrinação rumo à terra prometida. Lá, enfim descansariam e  teriam plena paz e vida. Portanto, não poderiam perder muito tempo nos lugares onde paravam e erguiam acampamento.

O GRANDE PROBLEMA DO POVO surgiu quando, após um período de sede, começaram a sentir um pouco de fome. No Egito, apesar das dificuldades que a escravidão lhes trazia, eles eram bem alimentados. Seus donos, os egípcios, tinham todo interesse de que seus escravos tivessem boa saúde a fim de lhes prestarem todos os serviços ordenados. Agora, apesar da liberdade e ausência do senhorio tirano de seus ex-donos, sentiam falta da comida que lhes davam. E, por isso, começaram a murmurar.

Chegam a lançar na face de Moisés que era melhor que os tivessem deixado como escravos do que terem sido tirados do Egito para morrer de fome no deserto.

ENTÃO, DEUS RESPONDEU AO POVO POR MEIO DE MOISÉS dizendo que faria chover, naquele mesmo dia, carne do céu e, no dia seguinte, pão para todo o povo. E assim se fez. No final da tarde, aves lotaram o céu e o chão do lugar onde estavam. Puderam comer carne a vontade. Na manhã seguinte, Deus fez como prometido. Ao acordarem, os israelitas viram um orvalho diferente ao redor do lugar onde estavam. Quando o sol esquentou e o orvalho evaporou, eles viram algo bastante fino que permaneceu no lugar onde estava o orvalho. Pareciam escamas de peixe.

Ninguém entendeu o que era aquilo. Nunca haviam visto nada parecido. A respostas e Moisés ao povo foi: “Isto é o pão que o Senhor vos dá para nosso alimento”. Todos recolheram, certamente procurando entender como aquela fina escama podia ser um pão, e levaram para suas casas. Ninguém deveria recolher mais do que o suficiente para um dia. Quando o faziam, na manhã seguinte estava cheio de bichos e cheirando mal. Apenas nas sextas-feiras eles deveriam recolher em dobro a fim de não desobedecerem o mandamento da guarda do sábado.

 O final de Ex 16 diz que os israelitas deram ao alimento o nome de maná. Seu aspecto era parecido com a “semente de coentro, branco e de sabor como bolos de mel”.

Apesar de todos os milagres já demonstrados até aqui, ainda assim o povo encontrou motivo para voltar a reclamar e murmurar com Moisés. Agora, em Ex 17, era pela falta de água. Ao invés de fé na provisão, manifestavam a dureza do coração.

Ao chegarem em um lugar chamado Refidim, voltaram a guerrear com Moisés usando palavras duras e de contenda. Moisés responde com firmeza dizendo que não era a ele que o povo tentava, mas ao Senhor! O povo volta a dizer que preferiam morrer escravos no Egito do que de sede no deserto. O que fazer diante de tanta reclamação?

Moisés nos dá uma grande lição. Ele corre para o Senhor e lhe pede socorro e ajuda. Ninguém pode acabar com um problema como o Senhor. Só ele é capaz de nos dar sabedoria e de abrir um caminho onde não parece haver nenhum. Foi isso que ele fez aos olhos de todo o povo quando lhes abriu o mar vermelho.

A solução do Senhor foi dizer a Moisés que ferisse uma rocha em Horebe – dela, sairia água para todo o povo se saciar. Mais uma vez, milagre.

Logo após mais esse milagre, Ex 17 nos conta da luta entre os israelitas e os amalequitas. No mesmo lugar em que reclamaram da falta de água, os amalequitas os encontraram para uma batalha. Em Refidim, Moisés ordenou a Josué que escolhesse alguns homens e que saísse a batalhar contra Amaleque. A história é igualmente incrível pois, os braços de Moisés foram o que determinou a vitória de Israel. No momento da batalha, Moisés subiu em um pequeno monte e estendeu as mãos sobre o povo. Enquanto suas mãos estiveram estendidas, os israelitas venciam a batalha. Quando cansava e baixava os braços, os amalequitas prevaleciam. Chegaram a colocar duas grandes pedras sob os braços de Moisés a fim de que ele nunca os abaixasse.

Foi assim que Israel venceu a sua primeira batalha. Debaixo de um milagre e providência do Senhor. Assim foi em toda a sua história no Antigo Testamento. Pela mão do Senhor venceram, conquistaram e derrotaram. E quando fugiam do Senhor, sofreram sem a proteção do Senhor.

Assim é conosco também. Se perto do Senhor estivermos, Sua provisão e boa mão sempre nos susterá. No entanto, se para longe de Deus formos, colheremos as conseqüências de não termos mais seu braço forte a nos guardar – não, pelo menos, como se estivéssemos perto.

Pequeno comentário bíblico (Ex 9-11)

Leia Êxodo 9-11.

Céus e terra estão nas mãos do Senhor. Não há nada que lhe escape à ciência ou ao poder. Ele, com as pragas do Egito, se demonstrou soberando sobre céus e terra, sobre grandes e pequenos, sobre reis e escravos. Não há como negar sua autoridade e domínio, sem um diagnóstico de sandice absoluta.Ex 9 dá continuidade às pragas sobre o Egito.

A quinta praga foi a da morte dos animais. O procedimento foi o mesmo. Primeiro, Moisés se apresenta diante de Faraó. Diz o que vai acontecer caso ele não deixe os israelitas irem. Como o coração de Faraó permanece duro, uma grande mortande de animais se espalha por todo o império. Curiosa e miraculosamente, os animais do israelitas permanecem vivos, intactos, como um sinal da soberania do Deus de Israel sobre os demais "deuses" do Egito.

Uma sexta e uma sétima pragas são lançadas ainda no capítulo 9 – tumores e chuva de predras. Ambas, fantásticas! De um pouco de cinzas tiradas de um forno, Moisés, jogando-as para cima, fez com que se tornassem tumores ao caírem sobre os habitantes do Egito. As cinzas se multiplicaram e espalharam por toda parte. E, por onde caíram, viraram tumores que se abriram e viraram úlceras sobre homens e animais. Quanto à chuva de pedra, o terror foi ainda maior, pois Deus fez com que fogo caísse junto das pedras. 

Apenas tente imaginar a cena. Enormes e pequenas pedras caíam dos céus. E elas ardiam em chamas. Ao caírem sobre as casas, devastaram tudo, seja pelo impacto, seja pelo fogo que consumia plantações, animais, pessoas, construções, etc. Uma verdadeira cena de guerra. Uma grande destruição. Diante de tal evidência, Faraó chegou a afirmar que o povo poderia ir embora. Moisés chega a acordar com ele que, assim que saísse, levantaria as mãos e a chuva cessaria. E assim o fez. O faraó, todavia, não cumpriu o que havia prometido.

No capítulo seguinte, Moisés continua instando com Faraó que deixasse o povo ir. Uma oitava e uma nona pragas foram lançadas. Na primeira, gafanhotos vieram como nuvem e devastaram tudo o que encontraram pela frente. Nuvens de gafanhoto eram famosas e temidas na antiguidade. Demonstravam, para os povos, a fúria dos deuses. Moisés avisou, o Faraó não ouviu. Consequência: o que a chuva de pedras deixou para trás, os gafanhotos terminaram de destruir. Curiosamente, o Faraó mandou chamar Moisés nessa hora e confessou seu pecado, dizendo-se arrependido. Moisés orou por ele e para que os gafanhotos fossem levados para outro lado. Soberanamente, Deus enviou um vento tão forte que, todos os gafanhotos, foram lançados no mar Vermelho. Nenhum gafanhoto permaneceu sobre a terra do Egito, segundo Ex 10. O que parecia ser o fim de uma saga, revelou até que ponto pode chegar a obstinação no coração de um homem. Endurecido perante Deus e Moisés novamente, a penúltima praga foi liberada. Uma vasta escuridão se espalhou por todo o Egito por três dias. Tal escuridão era tão espessa que ninguém conseguia andar sem estender a mão para "ver" o que estva diante de si.

Novamente, o Faraó mandou chamar Moisés e disse que poderiam sair para adorar o seu Deus no deserto. Deveriam deixar apenas os animais. Resoluto, Faraó não quis deixá-lo ir. Diante de convicção de Moisés, o rei do Egito promete que o mataria se o visse novamente. E, nesse momento, o expulsa de sua presença.

O breve capítulo 11 de Êxodo conclui a preparação da última praga, a morte de todos os primogênitos do Egito. Nessa altura, os egípcio já respeitavam e temiam os israelitas. Temiam, também, a Moisés, líder daquele povo e representante do seu Deus. Diante da ordem de que os israelitas deveriam sair e pedir jóias a seus vizinhos, não foi surpreendente que todos lhes atendessem, visto o medo que sentiam do Deus dos israelitas. Certamente, temiam por suas próprias vidas, caso não dessem.

Ex 11 termina com a apresentação da conversa entre Moisés, Arão e Faraó, que, mais uma vez, teimou em não ouvir a voz de Deus. Mesmo Moisés afirmando que, no dia seguinte, haveria uma grande mortandade em toda a terra, ainda assim o coração do rei permaneceu duro contra a palavra do Senhor.

Sem dúvida, aquele que endureceu a Faraó é o mesmo que libertou em grande glória seu povo. É o mesmo que, ainda hoje, conduz e liberta a sua igreja. É mesmo Deus que resgata vidas ao mesmo tempo em que procura revelar sua glória a todos que têm olhos para ver.

Pequeno comentário bíblico (Ex 5-8)

Leia Êxodo 5-8.

Aqui começa a aventura de Moisés. Para aqueles que pensam que foi fácil, comecem a duvidar. Moisés e seu irmão começaram a dura jornada e batalha contra o Faraó em Ex 5. Suas palavras foram simples: "O Senhor, Deus dos escravos israelitas, te diz: Deixe o meu povo ir".

Obviamente, o embate não foi tão fácil. O Faraó não cederia mão de obra tão especial. Os escravos solicitados eram produto do império. Desestabilizariam a economia, as construções, e até mesmo a segurança imperial no caso de uma iminente guerra. Por isso, jamais cederia que milhões de israelitas, propriedade do Egito, saíssem felizes para habitar em outra terra.

Por isso, então, Deus ter dado a Moisés a capacidade de realizar milagres. Os milagres tinham (e têm) um único propósito: revelar a glória, soberania e graça de Deus. 

Ex 6 começa com a confirmação divina de que o Faraó não seria capaz de deter o Soberano dos soberanos da Terra. Deus chamou Moisés. Na conversa, Deus (como sempre fez) confirmou a aliança – Deus é um Deus de Palavra! – e, Moisés, as repetiu diante do povo.

Curiosamente, não somente o Faraó não queria ouvir Moisés, mas o próprio povo se indispunha perante ele. Desde o início, parece que seus corações estavam ligados ao pecado que curtiam mesmo na escravidão. Após uma breve genealogia de Moisés, o Senhor volta a falar com Moisés. Ex 6 termina com as desculpas de Moisés que teria dificuldades em se postar perante o Faraó novamente.

É nessa hora (início de Ex 7) que Arão é feito por Deus o porta-voz de Moisés. Deus fala com Moisés, Moisés fala com Arão, Arão fala com Faraó. A solução foi dada pelo próprio Deus para Moisés. Os irmãos Moisés e Arão tinham 80 e 83 anos, respectivamente.

Com fé e coragem, ambos vão ao Faraó e, logo de início, operam milagres perando o mesmo. Este pede que os sábios e mágicos do império se apresentem e tentem reproduzir a "mágica" de Moisés. Satanicamente, eles conseguem. Todavia, a serpente de Moisés engoliu a serpente dos mágicos egípcios, numa clara demonstração de superioridade daquele que estava por detrás dos irmãos sobre a divindade e magia por detrás dos magos do Egito.

Na manhã seguinte, diante da obstinação do Faraó, os irmãos foram ao rio Nilo, onde o Faraó estaria. Ali, realizam outro milagre. A primeira praga é lançada sobre o Egito tornando as águas do Nilo em sangue. Tanto o rei quanto seus funcionários assistiram admirados o feito sobrenatural. Os peixem começaram a morrer e o cheiro fedido passou a incomodar a todos que estavam por perto. Ex 7 termina com a teimosia de Faraó diante da ordem do Senhor.

Ex 8 começa com outra conversa entre Deus e Moisés. Agora, sete dias após a primeira, a segunda praga deveria ser lançada sobre o Egito: as rãs! Rãs infestaram o Nilo, saindo do mesmo e entrando no palácio. Encheram o lugar onde Faraó morava. Quartos, camas, casas dos funcionários, casas dos moradores locais, fornos, bacias, enfim, eram rãs por todo lado pulando em cima de pessoas de um modo sobrenatural.

Ainda assim, o rei não se curvou. Por isso, uma terceira e uma quarta praga foram lançadas: piolhos e moscas. Mesmo diante do insuportável, o Faraó não cedeu. Era estranho que seu coração permanecesse duro, mesmo diante de tantas evidências do poder de Deus sobre o que acontecia. No entando, o próprio Senhor endurecia o coração de Faraó a fim de mostrar quão grande poder detinha sobre céus e terra. Com as pragas, o Senhor pretendia mostrar sua grandeza e autoridade não apenas ao rei do Egito, mas ao seu próprio povo, tão carregado de idolatrias e cosmogonias bizarras. Os próprios israelitas precisavam contemplar o poder de Deus antes de saírem para adorá-lo no deserto.

 

 

Pequeno comentário bíblico (Ex 1-4)

Leia Êxodo 1-4.

Se o livro de Gênesis narra a Eleição de uma Nação, o livro de Êxodo narra a Libertação dessa nação. Poderíamos dividir os livros de Moisés da seguinte forma:

  • GÊNESIS: (A criação de todas as coisas) e a eleição de um povo;
  • ÊXODO: A libertação desse povo;
  • LEVÍTICO: A santificação desse povo;
  • NÚMEROS: A instrução desse povo;
  • DEUTERONÔMIO: A exortação desse povo a ser fiel por amor.

O livro de Êxodo, portanto, relata a história de como o povo eleito, herdeiros das promessas de Deus feitas a Abraão, foi liberto depois de 400 anos de escravidão, e de como iniciaram sua longa peregrinação até à Terra Prometida.

No início de Ex 1, os nomes daqueles que desceram ao Egito são relatados. Além dos filhos de Jacó (e de José, que lá vivia), outros desceram de modo que a quantidade de descendentes de Jacó que vieram primeiramente ao Egito foi de aproximadamente 70 pessoas.

Estes 70 se proliferaram rapidamente. Em poucos anos já eram muitos, a ponto de serem considerados uma ameaça ao futuro rei do Egito. Mas, algo curioso em Ex 1 precisa ser aqui investigado. Por qual razão o rei que sucedeu o Faraó, amigo de José, não conhecia a José, governador do Egito que há pouco tempo havia falecido? Sim, essa é outra informação do início do livro – José morreu.

O que ocorreu, segundo relatos históricos extra-bíblicos, é que houve uma invasão hicsa durante a décima segunda dinastia do Egito (1990-1802 a.C.). Foi exatamente neste tempo que José morreu. Com um novo rei sobre o Egito, rei vindo do extremo asiático, tanto a história de José quanto a de seus irmãos eram completamente desconhecidas dos novos "soberanos estrangeiros", que na língua egípcia se diz "heqa khasewet", ou "hicso".

Estes novos soberanos escravizaram os israelitas. E com medo de que crescessem demais, ordenou às parteiras Sifrá e Puá que, na hora de realizarem o parte, matassem os meninos. Quanto às meninas, que deixassem viver.

Deus abençoou muito as duas por elas, ousadamente, não terem seguido às ordens do imperador hicso, rei do Egito. Devido ao número de israelitas que não parava de crescer, o rei ordenou que todos os meninos que nascessem fossem lançados no rio Nilo.

Foi nesse tempo que nasceu Moisés. Ex 2 começa com a história de como a sua mãe, desesperada, obedeceu à ordem colocando seu filho em um cesto de junco tapado com betume e piche. 

A soberania de Deus se vê claramente no fato da filha de Faraó, provavelmente Hatshepsut (futura rainha do Egito), mulher conhecida por sua autoridade e destemor numa época em que as demais filhas de Faraó nem mesmo são consideradas, ter encontrado o pequeno Moisés dentro de um cesto. Ela, diferentemente de todas as demais mulheres do império, era considerada "filha de Faraó", como uma espécie de demonstração de sua considerável diferença diante de suas irmãs (e irmãos, também!).

Com a autoridade que tinha, ordena que a irmã de Moisés (que o seguiu ao longe nas margens do rio) o levasse para ser criado por uma israelita até que ele pudesse voltar e ser criado por ela, Hatshepsut. E assim se fez. O nome Moisés, foi ela quem o deu.

Quando Moisés já tinha por volta de 40 anos, visitou seus irmãos israelitas (todos escravos) e viu quando um egípcio bateu em um israelita. Moisés, vendo que não havia ninguém do império por perto, matou o egípcio e o enterrou sob a areia. No dia seguinte, quando repreendeu dois israelitas por que brigavam, ouviu de um deles sobre o que Moisés havia feito no dia anterior. Dali em diante, não sentiu mais segurança de que seu assassinato continuaria em segredo. Por isso fugiu para a terra de Midiã.

Ao chegar lá, também viveu uma situação onde tomou as dores das filhas de Jetro quando estas eram enxotadas do poço para onde levaram suas cabras e ovelhas para beberem água. Moisés as defende dos pastores que as ameaçavam. Quando soube do que aconteceu, Jetro convidou Moisés para morar com ele. Sem dúvida, ouviu sua história e soube que era um estrangeiro naquela terra. Caiu de tal modo na graça de Jetro que este lhe concedeu Zípora, uma de suas filhas, como esposa. Com ela, Moisés teve o seu primeiro filho. Ex 2 termina afirmando que, enquanto tudo isso acontecia, Deus ouvia os gemidos do seu povo no Egito para que Ele desse fim àqueles séculos de sofrimento pelos quais passavam como escravos.

Ex 3 começa narrando a história de como Moisés acabou levando seus animais para pastarem em um local no Monte Sinai onde se deparou com uma sarça que era envolvida por chamas, mas não era consumida. Admirado com o milagra, aproximou-se para ver o que sucedia. A contemplar que o fato era extraordinário, ouviu uma voz que vinha da sarça. Era o próprio Deus chamando-o para a maior missão de sua vida: ir ao Egito, enfrentar o Faraó, e retirar todos os israelitas da escravidão.

Após conversar como Senhor, ouve dEle a confirmação de suas promessas feitas à Abraão. Deus não se esquece de suas promessas. Suas palavras nunca se perdem na história. Mesmo 400 anos tendo se passado, Ele permanece o mesmo: Fiel. O capítulo termina narrado a revelação do nome sagrado de Deus: EU SOU QUEM EU SOU, derivado de YHWH (yod, he, waw, he), o famoso e enigmático tetragrama hebraico. O capítulo termina com a promessa divina de que, além de sairem da escravidão, levariam parte das riquezas egípcias, que ajudaram a construir em meio às suas lágrimas e suor. Moisés deveria apenas crer e marchar, sem murmurar ou duvidar. E assim o fez.

Ex 4 começa com uma espécie de treinamento particular entre Deus e Moisés. O Senhor não o deixa ir sem, antes, treiná-lo para momentos em que ações sobrenaturais se fariam necessárias no Egito. O final do 4 relata a despedida de Moisés de seu sogro Jetro e o início do retorno ao Egito, cerca de 40 anos depois dele ter fugido de lá. Agora, quem reinava no Egito era, provavelmente, Tutmés III, filho de Tutmés II, esposo de Hatshepsut, a rainha do Egito que adotou Moisés. Quando ela morreu, o filho de seu marido (que não era seu filho), assumiu o trono e o nome de Tutmés III. Provavelmente, ele havia conhecido Moisés quando, ambos, eram mais novos.

O capítulo termina com Moisés se encontrando com Arão e fazendo milagres diante do povo a fim de atrair a confiança destes, além de buscar uma espécie de unificação que os preparasse para o êxodo.