NOVAS ESPERANÇAS: Feliz 2015!

Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos

1 Pe 1.3

Com Jesus Cristo em nossas vidas, sempre temos uma viva esperança em nossos corações. Com o final de mais um ano, muita gente fala de esperança, embora esta fuja aos olhos daqueles que dela falam.

Esperança de um diploma, esperança de uma família melhor, esperança de uma vida melhor, esperança de mais condições financeiras para alcançar objetivos sonhados, esperança de que nada de mal aconteça (ou volte a acontecer), etc.

A esperança está sempre viva. Ela (quase) nunca morre, ou, “é a última que morre”, como alguns costumam dizer.

No entanto, a Palavra de Deus afirma que há uma esperança que nunca morre e que habita no coração de quem foi regenerado, ou seja, de quem nasceu de novo para uma vida de comunhão e consagração a Deus.

Pedro, no texto acima, afirma que fomos regenerados para uma viva esperança. Esta esperança da qual Pedro fala é sempre viva, nunca morre, visto estar ligada a Deus, que nunca morre. Ele é nossa garantia de que, venha o que vier, tudo cooperará “para o bem daqueles que amam a Deus”, Rm 8.28.

Uma das coisas que devemos manter vivas em nossos lábios são as palavras de Davi:

Sl 51.10,12: Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito inabalável… Restitui-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito voluntário.

Davi foi extremamente sábio nestas palavras. Foi a ausência da alegria da salvação que o levou a procurar alegria no pecado. Consciente de que, se voltasse a sentir prazer e alegria em Deus e sua tão preciosa salvação, não voltaria ao pecado.

Você, neste novo ano, não ficará sem alegria. Nenhum ser humano vive sem procurar satisfação e prazer em algo ou alguém. E, se Deus não for sua procura, outras coisas serão, as quais se tornarão ídolos em sua vida.

Que vivamos este novo ano como Paulo escreveu:

Fp 3.12–14: Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.

Temos um alvo diante de nós: ser mais parecidos com Cristo. Sem isso, não conseguiremos chegar a lugar algum e não viveremos a alegria da viva esperança dentro de nós.

Você pode ter vivido um ano não muito bom. No entanto, se tivesse se consagrado mais, orado mais, buscado mais a Deus, e sido mais transformado pelo Senhor, sem dúvida não terminaria o ano tão frustrado como terminou.

Sua alegria depende de Deus. É ele quem regula o tamanho de nossa paz, alegria e esperança. Quanto mais dele em nós, mais da paz, da alegria e da esperança. Quanto menos dele, menos de tudo o que ele promete nos dar em sua Palavra.

Que, além de vivermos para correr para o alvo, olhando para Cristo, possamos nos recordar do conselho de Tiago:

Tg 4.13–17: Atendei, agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã, iremos para a cidade tal, e lá passaremos um ano, e negociaremos, e teremos lucros. Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa. Em vez disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo. Agora, entretanto, vos jactais das vossas arrogantes pretensões. Toda jactância semelhante a essa é maligna. Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando.

Que o Senhor guie nossos passos e que não nos esqueçamos que dependemos dele para tudo. Que ele seja o seu tudo e que você possa procurar entregar tudo a ele neste novo ano. Com ou sem ele, continuaremos a ser como uma palha a queimar, como uma flor que nasce, murcha e cai, como uma onda tossida no oceano, como um vapor que surge e passa. Com ou sem ele, continuaremos a ser pequenos, frágeis e passageiros.

No entanto, quanto mais entregamos nosso tudo (que é tão pouco) a ele, mais ele nos enche de esperança fazendo tudo ter sentido. Não nos sentiremos perdidos. E mesmo quando nossos braços fraquejarem, seremos sustentados na crença de que ele está no controle e que, no final, tudo terminará bem.

Que Deus dê um bom ano a todos!

UMA MENSAGEM PARA QUEM DESISTIU DE VIVER

Por que você existe? Você já se perguntou isso? Por que você está vivo? Será que é só por causa de um encontro físico de seus pais? Será que é apenas por que eles lhe planejaram? É comum pessoas se questionarem sobre a razão de sua existência. Muitas pessoas sofrem com crises existenciais terríveis.

Quando pensam na brevidade da vida e naquilo que será de cada um deles após sua morte, muitos ficam transtornados com a ideia de que existiram para nada. Você já se questionou sobre o por quê de estar vivo?

Na continuação de sua adoração a Deus, Paulo explica ter compreendido a razão de sua existência. Veja suas palavras:

12 com o fim de sermos para o louvor da sua glória, nós, os que antes havíamos esperado em Cristo;

13 no qual também vós, tendo ouvido a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, e tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa,

14 o qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus, para o louvor da sua glória.

No início do verso 12, Paulo demonstra ter compreendido a razão de estar vivo. Aliás, ele compreende a razão de ter sido criado. O fim de nossa existência é glorificar a Deus. Se não o glorificamos, secamos e morremos vazios.

Paulo aqui está falando de uma segunda criação. A primeira, obviamente, é quando Deus nos fez do pó da terra. A primeira criação está ligada a nossos primeiros pais – Adão e Eva. Já a segunda criação diz respeito à nossa conversão a Cristo. Paulo escreveu aos coríntios (2Co 5.17) que, "se alguém está em Cristo, nova criatura é". Àquele que nega a si mesmo e torna-se um fiel seguidor de Jesus de Nazaré, Deus faz dele uma nova criatura. Ele é recriado. Nas Palavras de Cristo, ele nasceu de novo (João 3.3).

A razão pela qual fomos criados é para que vivêssemos para o louvor da glória de Deus. Mas não é assim que vivemos, desde o início da criação da história humana. A história da humanidade é uma história de rebelião contra Deus. Amamos tudo o que Ele odeia; e odiamos tudo o que Ele ama.

A razão de Paulo louvar a Deus aqui é que, pela grande paciência e misericórdia divina, Paulo se vê com um nova oportunidade de viver e de ser o que ele foi criado para ser. Deus não nos criou por acaso ou por brincadeira. Ele não nos criou para deixar-nos soltos pelo planeta. Houve um objetivo, um propósito. Logo, há uma razão para você estar vivo. Há um objetivo para com a sua vida neste mundo.

Você foi criado para a glória de Deus e para glorificar a Deus em tudo o que faz. Seja brincando, jogando, ensinando, namorando, casando, comprando, vendendo, etc. "Portanto, quer comais quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus" (1Co 10.31).

Paulo está adorando a Deus pela obra que o Senhor começou em sua própria vida. Afinal, ele descobriu a razão de sua vida, o motivo de estar vivo. Ele encerra o verso 12 dizendo que ele, juntamente (provavelmente) com todos os judeus, esperavam por Cristo, ou seja, pelo Messias, visto que ele daria sentido às suas vidas. No verso seguinte, ele vai expressar alegremente que a mesma salvação que trouxe razão à sua existência também foi oferecida a outros povos.

13 no qual também vós, tendo ouvido a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, e tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa,

Alegremente, Paulo expressa seu conhecimento de que os efésios também haviam descoberto a razão de suas vidas. Quando foi que eles descobriram isso? Quando foi que tudo fez sentido para eles? Quando foi que suas dúvidas sobre vida e morte foram dissipadas?

No verso 13, Paulo afirma que foi no exato momento de suas conversões a Cristo. Essa é a hora quando tudo faz sentido. É assim que  homens e mulheres de Deus no passado falaram do momento de suas conversões. É como se, naquele momento, tudo fizesse sentido. É isso que C.S.Lewis, professor da Universidade de Oxford na Inglaterra, ateu, afirmou sobre sua conversão: "Eu acredito no cristianismo como eu acredito no sol, não apenas por que eu o vejo, mas por que por meio dele eu vejo tudo o mais".

Na conversão, a luz de Cristo irrompe dentro de nós assim como a luz do sol irrompe na aurora sobre as trevas da madrugada. Assim como o nascer do sol dissipa as trevas da noite, o nascer do sol da justiça em nossos corações também dissipa as trevas do medo, da insegurança, da dúvida, e do pecado de nossos corações.

Como dizia Calvino, após uma vida de trevas, enfim vemos a luz. "Após as trevas, luz!" (post tenebras lux) era o lema da cidade de Genebra nos dias em que João Calvino foi o seu pastor.

Tendo isso em mente, é importantíssimo que entendamos o que Paulo está falando neste verso. Vejamos como se dá o nascer do Sol da Justiça em nossos corações. Vejamos como Cristo nasce dentro de nós.

1. Tento o ouvido a palavra da verdade;

Em primeiro lugar, Paulo afirma a importância de ouvirmos o Evangelho, a Palavra da Verdade. O Evangelho é a boa notícia de que nós estamos perdidos, mortos em nossos pecados, cegos para enxergarmos a luz de Deus, cauterizados para sentir prazer em Deus, mas Deus enviou o Seu Filho unigênito para pagar o preço necessário para que mortos vivam, cegos vejam e cauterizados voltem a sentir.

Mas essa transformação sobrenatural no ser humano não pode acontecer sem que o próprio Deus intervenha. É necessário um milagre para que sejamos salvos. E o milagre está inteiramente relacionado à Palavra da Verdade, ou seja, à Sagrada Escritura. O primeiro passo para que Cristo "nasça em nossos corações", ou seja, para que nasçamos de novo, é ouvirmos à Palavra de Cristo. Lembre-se de que somos salvos por meio da fé e que a fé é um dom de Deus concedido no ato da pregação:

"E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo." Rm 10.17

"Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus" Ef 2.8

"De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam." Hb 11.6

Assim, sem fé não é possível agradar a Deus, sem fé não é possível ser salvo. Todavia, a fé não vem (e nem está em) de nós, mas vem de Deus, é um presente de Deus. E esta mesma fé, segundo a Sagrada Escritura, vem a nós como um dom de Deus por meio da pregação da palavra de Cristo, ou seja, do Evangelho.

2. E tendo nele também crido;

Em segundo lugar, após ouvir o Evangelho, é necessário crer em sua mensagem. Ouvir sem crer não muda a situação perdida do ser humano. Após ouvir o Evangelho, é necessário reconhecer a si mesmo como um pecador, como um perdido, como um mendigo faminto sem nenhuma condição de retribuir o gesto gracioso de quem o encontrou e o socorreu.

Assim são os eleitos. Eles reconhecem-se como mendigos desesperados por pão, sentido, vida, limpeza, mudança. E tudo isso lhes é dado se arrependidos de seus pecados passados e presentes, curvam-se diante de Cristo clamando o seu perdão. Crer no Evangelho significa crer em sua miséria e pecaminosidade, e estar arrependido da mesma.

No entanto, crer no Evangelho também significa crer que é pela graça de Cristo que tal pessoa será salva. Ela desiste de depender de seus méritos para sua salvação. Reconhece que,  do início ao fim, sua salvação é pela obra de Deus.

Crer em Cristo salvificamente significa crer que você é um pecador perdido sem Cristo, que nada em você agrada a Deus, que nada que você faça ou fizer terá o poder de agradar a Deus a ponto dele lhe salvar por tal (ou tais) atitudes; e também significa crer que é pela graça de Deus em Cristo que sua salvação acontecerá.

3. Fostes selados com o Espírito Santo da promessa.

Esta expressão é uma das fortes em toda a Bíblia. É dela que tiramos nossa segurança. Originalmente, Paulo escreveu ἐσφραγίσθητε τῷ πνεύματι τῆς ἐπαγγελίας τῷ ἁγίῳ,[1]. A primeira palavra é a palavra da qual se traduz "vós fostes selados". Ela está no passivo, ou seja, denotando algo que foi feito a alguém sem que esse alguém tivesse qualquer participação na ação. O tempo verbal é o aoristo, mais especificamente, aoristo passivo, indicativo, na segunda pessoa do plural. Ou seja, todas as pessoas a quem Paulo se dirigia foram totalmente passivas na ação que concretamente conferiu salvação e segurança de salvação a cada um deles.

Sem dúvida, Paulo aqui trata daquilo que em outras partes é chamado de batismo com o Espírito Santo. Quando é que somos batizados pelo Espírito Santo? Aqui, Paulo afirma clarissimamente que é no exato momento em que ouvimos o Evangelho e cremos nele. Neste momento, Deus nos sela (batiza, ato que vem de cima e marca algo ou alguém) com o Espírito Santo.

Este selo, tal qual os selos reais de outrora, é irrevogável. Ele não pode ser destruído nem mesmo cancelado. Ele é a garantia de nossa salvação, de que pertencemos a ele. A palavra σφραγίς traz a ideia de um objeto usado para imprimir uma marca que denota posse, aprovação, proximidade.[2]

14 o qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus, para o louvor da sua glória.

Paulo encerra seu louvor afirmando que a garantia de que realmente somos filhos de Deus é o selo do Espírito Santo em nós. O fato de termos sido batizados com o Espírito Santo de Deus faz com que tenhamos a garantia de que entramos no céu. Aliás, o Espírito Santo não é apenas a garantia de nossa salvação futura do inferno, mas é a garantia de uma boa qualidade de vida no presente.

O que chamo de qualidade de vida? Paz. Não apenas saúde física, que é mais do que importante, mas saúde espiritual. Ou seja, paz em seu interior. É a isso que chamo de qualidade de vida. Só o Espírito Santo pode lhe garantir isso

Você, assim como Paulo, já compreendeu a razão de estar vivo? Você não é um mero resultado do acaso. Para os seres humanos o acaso pode ser algo real. Mas não para Deus. Para Deus não há acasos, coincidências, surpresas, etc. Como Soberano, nada foge ao seu controle.

Nós estamos vivos com o objetivo de vivermos para o louvor da sua glória. Foi para isso que ele nos redimiu, tornando-nos sua possessão particular. Quem garante à Deus de que somos seus é o selo que ele imprimiu em nós por meio da obra do seu Espírito Santo.

Louvado seja Deus por isso! Louvado seja Deus por tamanha segurança e esperança que isso nos traz.

 


[1]. Eberhard Nestle et al., The Greek New Testament, 27th ed. (Stuttgart: Deutsche Bibelgesellschaft, 1993), 504.

[2]. Johannes P. Louw e Eugene Albert Nida, Greek-English lexicon of the New Testament: based on semantic domains (New York: United Bible Societies, 1996), 59.

A ÚNICA SOLUÇÃO PARA A ASCENSÃO DO DESESPERO

O Brasil nunca conheceu uma época de tanta violência e crueldade como agora. O último Mapa da Violência registrou que, só em 2012, mais de 50.000 pessoas morreram assassinadas no Brasil.
Pra você entender melhor, isso significa que aproximadamente 4.500 pessoas morrem por mês, 150 morrem por dia, 6 morrem por hora, e uma pessoa a cada 10 minutos. Segundo as estatísticas do ano passado, quando você terminar de ler este texto, uma pessoa terá sido assassinada.
Em um país onde filhos matam pais e pais matam filhos com tanta frequência, onde dentistas são queimados por não terem muito dinheiro a dar aos bandidos, onde um pai de família tem o corpo cheio de álcool pelos bandidos em frente à esposa e filhas, que esperança que se tem? Na polícia? Na justiça, lenta e corrupta que é em determinadas instâncias?
O Brasil é um dos países mais violentos do mundo. É um dos países onde mais se mata gente no mundo. Mais gente foi assassinada no Brasil em 2012 do que na Guerra do Golfo em 1990/1991 (10.000 mortos), na Guerra Civil da Guatemala (16.667 mortos) e nas guerras emancipatórias e étnicas entre Chechênia e Russia de 1994 a 1996 (25.000 por ano).
Os números são desesperadores! Entre 2004 e 2007 morreram 340.177 pessoas no Brasil vítimas de homicídios e armas de fogo. Só para você ter uma noção, na Índia/Paquistão morreram 4.956 pelas mesmas causas, e 2.247 pessoas na disputa entre Israel e Palestinos (também no período entre 2004 e 2007).
No Brasil, nós não estamos seguros em lugar nenhum. Este é o motivo pelo qual tanta gente vive em desespero. Mas, qual a solução para um país em desespero? Só existe uma solução: o Evangelho!
Foi o Evangelho que transformou a vida de Saulo de Tarso quando este estava à caminho de Damasco para fazer mais vítimas. Saulo era um torturados, um assassino. Atos 9.1-31 conta a história que transformou a sua vida.
Não fosse um encontro com Jesus Cristo, muita gente continuaria a ser morta pelas mãos ou ordens de Saulo de Tarso.
Creio eu que da mesma solução o Brasil carece. Se não for o Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, nada será capaz de frear o avanço da violência em nosso país.
Meditando nisso, evangelize mais e ore mais pelo nosso país. Sem oração, sem a mão de Deus intervindo, e sem a transformação que só o Evangelho pode trazer, não haverá futuro para nosso país que não o desespero cada vez maior.
Oremos para que Deus transforme um futuro de desespero em um futuro de esperança, salvação e paz. Que Deus tenha misericórdia de nós!

Wilson Porte Jr.