Quais os frutos da nova vida? (parte 1)

[assista ao final do texto o vídeo desta mensagem]

Há quase dois anos estudamos na Igreja Batista Liberdade a mensagem de cada livro das Escrituras. Hoje, chegamos à mensagem mais difícil, àquela que mais encontrou controvérsias por parte daqueles que participaram do processo formativo do Novo Testamento.

Como comentou João Calvino na introdução de seu comentário à Tiago, Jerônimo e Eusébio em seus escritos durante o período conhecido hoje como “Igreja Primitiva” escreveram que esta epístola não foi formalmente recebida em muitas igrejas sem que encontrasse oposição. Ou seja, desde o início esta carta encontrou aqueles que tiveram problemas em aceitá-la.

No entanto, por obra do Espírito Santo que inspirou Tiago para escrevê-la, ela nunca deixou de estar no cânon, ainda que a contragosto de alguns. De fato, depois de muito estudo sobre ela, hoje é mais fácil para nós compreendermos que ela não só é inspirada mas, como disse Calvino, trata-se de uma das cartas mais importantes do Novo Testamento.

Graça ou Obras? 

A dificuldade que muitos tiveram com ela se deu com o fato dela enfatizar mais as obras do que a graça. Não seriam os cristãos salvos pela graça por meio da fé somente? Não seriam as nossas obras, trapos de imundícia para Deus? Não seriam elas obrigação de todos? Por que então escrever uma Epístola sobre as obras? Seria ela, de fato, inspirada por Deus?

Por causa dessas questões, muitos no passado entenderam que a Epístola de Tiago não deveria ser contada como obra inspirada, como parte do cânon neotestamentário.

Todavia, o engano de seu pelo fato de não enxergarem a motivação da epístola. De fato, a Epístola de Tiago não trata da salvação pelas obras, muito menos de que elas são algo importante para Deus (pelo menos as obras de antes de nossa conversão).

No entanto, as obras praticadas após a regeneração (conversão) são sim importantes e de certo valor para Deus. Elas são um sinal do progresso de nossa salvação, um sinal de que estamos alcançando os degraus mais altos de santidade. Santidade, aliás, que não é sinal de plena perfeição, mas de um processo de purificação e separação.

A carta demonstra que as obras irão acompanhar a salvação (que não é tratada pelo fato do assunto já ser, aparentemente, claro a todos os ouvintes).

Obras após a salvação:

 1. Perseverança nas provações (Tg 1.2-4, 12-15)

Seria possível imaginar uma vida cristã sem aflições? Seria possível imaginar uma vida sem sofrimentos? Algumas ideologias políticas pregam que sim, que é possível instalarmos um paraíso na Terra. Mas, por causa da própria natureza humana após a queda, é impossível vivermos sem as consequências de nossos pecados. Ou seja, é impossível imaginar uma vida sem pecado.

Mesmo os cristãos encontrarão sofrimentos durante sua vida. Jesus disse que “no mundo” teríamos “aflições”. Mas também disse que nos deixaria a Sua paz, não como o mundo a dá (ausência de problemas), mas como Ele mesmo a sentia; a paz que vem dEle, que vem dos céus. É essa a paz que excede todo o entendimento (Filipenses 4.7).

Portanto, as provações virão com certeza. Talvez, elas já estejam aí. Mas, se você ainda não enfrentou aflições em sua vida, aguarde que elas virão. E, quando vierem, persevere. Neste grande teatro que é a vida, o papel do mundo é trazer aflições, o seu papel é perseverar.

2. Pobre glorie-se em sua dignidade (1.9)

A segunda obra que é esperada de você é o contentamento. Especialmente se você é pobre, ou considera-se pobre. Se você não tem condições de viver com muito, de comprar o que quiser quando quiser sem que necessite fazer parcelamentos ou empréstimos. Se você não possui dinheiro para realizar seus sonhos e, às vezes, nem mesmo para as necessidades básicas da vida, o que espera-se de você é contentamento.

Esta virtude tem a ver com sua atitude em oração quando passar pelas aflições. Nas aflições, seja firme e resoluto na certeza de que Deus está cuidando de você e de nunca lhe deixará. Seja grato também, tenha você pouco ou muito para viver, seja sempre grato. Viva de um modo digno, lembrando sempre de que sua dignidade não vem de você, mas dAquele que perdoou seus pecados e transformou seus sofrimentos de momentos cheios de tormento em momentos cheios de paz.

3. Rico lembre-se de sua insignificância (1.10)

Mas, se você é uma das poucas pessoas no mundo que têm o privilégio de poder fazer o que quer a hora que quer pelo fato de ter dinheiro para isso, saiba: a você Deus ordena o reconhecimento de sua própria insignificância. Ou seja, você não é nada. Ninguém. O fato de você ter mais que outros pode ter muitas razões, que não vem ao caso discutir aqui. Mas, se você tem mais condições financeiras, o que espera-se de você é que compartilhe e nunca esqueça de que ter mais que os outros não lhe faz ser mais que as outras pessoas.

Nunca confunda ter com ser. Há muitos que tem e nada são além de imorais e desonestos. E há aqueles que nada tem mas são homens e mulheres cheios de virtudes.

4. Prática da Palavra de Deus (1.22-24)

Se você me leu até aqui, para um pouquinho para ler o que está nos versos acima: ponha em prática tudo o que você está lendo! Assim como é louco aquele que se vê sujo no espelho e sai da frente dele sem se limpar, é louco aquele que ouve a Palavra de Deus, vê seus pecados e volta para casa sem confessá-los e abandoná-los aos pés da cruz.

5. Não fazer acepção de pessoas (2.1-4)

A quinta atitude que espera-se de você é o acolhimento. Esta é mais uma obra que espera-se encontrar na vida daqueles que se encontraram com a graça. Mais uma vez, não há encontro com a graça de Deus que não cause mudanças práticas em sua vida. A consequência da graça serão as obras, frutos.

E este é um dos mais evidentes: você não fará acepção de pessoas. Você tratará a todos de igual modo. Seja no ambiente de sua jornada diária (família, trabalho, escola, etc.), seja no novo ambiente: a igreja.

No texto acima, Tiago parece apontar para a igreja como um bom lugar para testar estas novas obras na vida. Se na igreja não somos capazes de agir com novas atitudes, o que dizer de nossa vida fora desse ambiente? Nunca nos esqueçamos do que nos é recomendado nestes quatro primeiros versos de Tiago 2.

6. A fé sem obras é morta (2.14-17)

Mais uma vez, nestes versos Tiago nos convida a pararmos um pouco e pensarmos se estamos praticando novas obras, ou seja, tendo novas atitudes após a nossa suposta conversão a Cristo ou ao cristianismo.

Pois, se nossa vida após a conversão é exatamente igual a de antes, então ainda estamos mortos para Deus e para a vida com Deus.

Por hoje, paro por aqui. Em breve, postarei outras obras que tornam evidentes a nova vida. Reflita e clame a Deus para que estes frutos sejam cada dia mais evidentes em sua vida.

Deus lhe abençoe!

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