QUAL A RELAÇÃO ENTRE O SUICÍDIO E A DEPRESSÃO?

Suicídio e depressão. Qual a relação entre elas? Tenho falado em alguns lugares sobre o que a Bíblia fala a respeito de depressão e são muitos os casos de pessoas que testemunham acontecimentos em suas famílias de pessoas que se suicidaram durante uma depressão.

Mas, como os cristãos veem isso?

Infelizmente, muitos desconhecem o que é depressão. Por isso, aconselham mal, tratando todo tipo de depressão como sendo demônio, ou pecado, ou frescura. Isso faz com que a pessoa doente em depressão não vá se tratar, não procure ajuda. Faz com que a pessoa tente lutar sozinha, tente achar algum pecado, ou alguma brecha demoníaca.

O problema é que a depressão é uma doença. Sim, demônios e pecados podem causá-la, mas julgar que todos em depressão ou escondem pecado grave ou são possessos por demônios é muita ignorância, maldade e falta de amor.

Se um dia você aprendeu que depressão se cura com somente com a Bíblia , esqueça isso, para o seu bem! Se miopia se cura com a Bíblia e veia entupida no coração com oração, então tudo bem, continue na loucura de tratar depressão como um probleminha de segunda categoria. Entenda, há mais pessoas que se matam por conta da depressão do que assassinatos no mundo. Cuide muito bem de seus sentimentos e do sentimento de quem lhe procurar pedindo ajuda.

De acordo com o site suicide.org, mais de 30.000 pessoas se suicidam anualmente no Estados Unidos da América e a principal razão para o suicídio é a depressão, quando esta doença mental não é tratada. Enquanto o suicídio por causa de depressão é a 11ª causa de morte nos EUA, o assassinato é a 13ª causa de morte no mesmo país. Segundo as estatísticas deste site, estes números correspondem ao que ocorre em outros países no mundo, aumentanto ou diminuíndo as colocações dependendo do país.

Uma estatística apresentada por David Murray apresenta o seguinte quadro:

Uma em cada cinco pessoas experimenta depressão, e uma em cada dez uma crise de pânico em algum estágio da vida. Há uma estimativa de que 121 milhões de pessoas em todo mundo sofrem de depressão e de que 5,8% dos homens e 9,5% das mulheres experimentará um episódio depressivo em algum ano. Suicídio, que é algumas vezes o resultado final da depressão, é a causa principal de mortes violentas em todo o mundo, contabilizando 49,1% de todas as mortes violentas, comparadas com 18,6% na guerra e 31,3% por homicídio.

Graças a Deus, temos sua luz e sabedoria para podermos fazer uso de tudo que possa nos ajudar a ficarmos bem. Assim sendo, creio ser um pecado rejeitarmos deliberadamente o uso daquilo que Deus permitiu que fosse descoberto para o bem-estar dos seres humanos.

Se você está em depressão ou conhece alguém que está, por favor, além de procurar seu pastor, padre ou qualquer líder espiritual, procure um médico ou um profissional da área da saúde mental. Isso é sério. Mais do que você imagina.

Por Wilson Porte Jr.

Se quiser saber mais sobre a relacão entre o suicídio e a depressão, sugiro meu livro Depressão e Graça, publicado pela Editora Fiel.

DEVOCIONAIS NOS SALMOS

Há 6 meses, comecei uma exposição devocional dos Salmos. No link abaixo
você encontra a playlist completa. Ainda estou gravando estas devocionais. Inscreva-se e não perca nenhum!

Por Wilson Porte Jr.

A HOMOSSEXUALIDADE EM ROMANOS 1: UM FRUTO DO AFASTAMENTO DA HUMANIDADE

Wilson Porte Jr.

Introdução

Ao contrário do que alguns poucos aloprados afirmam, o que Paulo combate em Romanos 1 e 2 não é a promiscuidade dentro de relações homossexuais, mas a própria homossexualidade.

A homossexualidade existe há milênios e é conhecida tanto dentro da literatura judaico-cristã quanto fora. O termo deriva dos termos homo e sexus (a primeira, tanto da língua grega quanto da latina, e a segunda da língua latina), e refere-se a um ser humano, homem ou mulher, que possui afeição e atração sexual por outro ser humano do mesmo sexo. Homens e mulheres podem ser homossexuais. As mulheres normalmente são chamadas de lésbicas e os homens de sodomitas. Lésbicas, por causa de uma ilha grega chamada Lesbos, onde viveu uma poetisa, Safo, que escreveu amplamente sobre seus relacionamentos sexuais com outras mulheres. Sodomitas, por causa da prática comum na cidade de Sodoma onde homens buscavam outros homens para relações sexuais, pública ou privadamente.

Os protestantes, desde o início, se valeram dos textos bíblicos para lidarem com o assunto. Apenas recentemente, com um distanciamento da Sagrada Escritura como elemento normativo quanto à moral, ética, sexualidade, comportamentos e fé, é que dentro do protestantismo começou-se a aceitar a homossexualidade como prática aceitável desde que dentro de princípios morais e éticos respeitáveis.

MEU OBJETIVO com esta pregação é compreender qual era o pensamento de Paulo sobre a homossexualidade. Procuraremos compreender qual a razão do apóstolo ter colocado as relações homoafetivas no topo da lista de pecados na abertura de sua epístola aos romanos.

Exposição

Em Romanos 1.1-7, Paulo fala sobre as Boas Novas sobre um Novo Rei. Paulo, claramente, começa sua epístola desafiando o pensamento dos cristãos gentios e judeus na igreja em Roma a pensarem e compararem o rei presente em seu contexto local, o próprio César, e o novo Rei que se apresenta com os mesmos títulos usados para César.

Nesta porção, fazendo clara comparação com César, Paulo chama Jesus de kyrios (Senhor), apresenta Jesus como um filho de Deus, e como alguém que possui um evangelho. Todos estes termos eram usados, antes do cristianismo, à pessoa de César.

Paulo, assim, está provocando o pensamento de seus leitores a pensarem na supremacia da pessoa de Jesus diante do Senhor de todo império romano.

Nos versos 8 a 13 deste mesmo capítulo, Paulo apresenta seu imenso desejo de visitar os cristãos romanos (especialmente, versos 11 e 12).

Nos versos 14 a 17, Paulo volta a falar sobre o Evangelho. Ele inclui temas como salvação, justificação e justiça de Deus.

Nos versos 18 a 23, Paulo apresenta a forma como seres humanos rejeitam a justiça graciosa de Deus e abraçam a corrupção.

Então, nos versos 24 a 27, Paulo entra no assunto que pretendo expor aos irmãos nesta noite. Paulo fala sobre desejos impuros, e corpos que não o honram:

É por isso que Deus os entregou à impureza sexual, ao desejo ardente de seus corações, para desonrarem seus corpos entre si; pois substituíram a verdade de Deus pela mentira e adoraram e serviram à criatura em lugar do Criador, que é bendito eternamente. Amém. Por isso, Deus os entregou a paixões desonrosas. Porque até as suas mulheres substituíram as relações sexuais naturais pelo que é contrário à natureza. Os homens, da mesma maneira, abandonando as relações naturais com a mulher, arderam em desejo sensual uns pelos outros, homem com homem, cometendo indecência e recebendo em si mesmos a devida recompensa do seu erro.

Rm 1.24-27

Segundo as Escrituras, a consequência da rejeição da justiça de Deus foi a entrega que o próprio Deus realizou dessas pessoas à impureza sexual. O texto diz que Deus os entregou. A palavra é παρέδωκεν, de παραδίδωμι, ou seja, entregar alguém ou alguma coisa a outro, especialmente, à autoridade de um outro.

Assim, com essa entrega, tais pessoas não teriam como vencer os impulsos desonrosos de sua carne. O final do verso 24 diz que eles desonrariam seus corpos entre si. A razão é simples: a idolatria do corpo. Ao entregarem-se a idolatria do corpo criado ao invés daquele que o criou, substituem a verdade pela mentira.

No verso 26, o verbo παρέδωκεν, o mesmo do verso 24, é repetido, enfatizando que o próprio Deus é quem confundirá a mente do homem idólatra que insiste em fugir do culto ao Criador. A partir daqui as paixões desonrosas serão explicadas com detalhes:

Porque até as suas mulheres substituíram as relações sexuais naturais pelo que é contrário à natureza. Os homens, da mesma maneira, abandonando as relações naturais com a mulher, arderam em desejo sensual uns pelos outros, homem com homem, cometendo indecência e recebendo em si mesmos a devida recompensa do seu erro.

A homossexualidade é tratada pelo Espírito do Senhor como uma paixão desonrosa, contrária à natureza. Segundo este texto, por mais desconcertante que venha a ser, uma das maneiras de constatarmos a corrupção da vida humana é pela existência das práticas homossexuais.

Algo que deve nos chamar a atenção aqui é, porque razão Paulo coloca este pecado no topo da lista no início de sua epístola aos romanos? Como escreveu N. T. Wright, a resposta não é simples, como alguns têm sugerido. Como um judeu, essa prática já era claramente repugnante a Paulo. No entanto, muitas culturas pagãs de sua época aceitavam a homossexualidade com naturalidade.

Alguns pontos precisam ser conhecidos aqui. O próprio Nero, o imperador, era conhecido por suas práticas homossexuais, bem como várias práticas bizarras heterossexuais. É bastante possível que o apóstolo Paulo tenha desejado colocar o dedo na ferida, apontando para o sistema imperial como algo corrompido, podre, por conta de imoralidade em seu núcleo central.

Além de Roma, a homossexualidade era comum em toda a Grécia Antiga, chegando a ser considerado um modelo de educação para os jovens. Em Roma, uma curiosidade é que a relação homossexual passiva era considerada desonrosa. Os romanos eram ensinados a serem ativos em suas relações. A posição passiva era devida apenas às mulheres e aos escravos. De todos os imperadores romanos do período neotestamentário, somente Claudio foi heterossexual. O mais imoral de todos foi Julio César, que era respeitado apenas por ser o imperador e por causa de suas conquistas em favor do império. De Julio César se dizia que “era o homem de todas as mulheres e a mulher de todos os homens”.

É interessante notar também que Paulo escreve esta epístola muito provavelmente durante sua estada em Corinto. Nesta cidade, a cultura grega sobre educação sexual era muito forte. Os meninos deixavam a casa de seus pais ainda muito cedo, provavelmente no início da adolescência, e iam estudar com homens mais velhos dos quais se esperava que fossem introduzidos às práticas sexuais. Estes meninos tornavam-se amantes destes mestres adultos. A pedofilia homossexual era vista como um relacionamento afetivo e educacional entre mestres e alunos. E Paulo estava mergulhado nessa cultura quando escreveu aos romanos. E note que, quando Paulo escreveu sua primeira epístola aos Coríntios, no capítulo 6, versos 9 a 11, citou que os efeminados e os sodomitas não herdariam o reino de Deus. E afirma impressionantemente que, alguns na igreja em Corinto haviam sido homossexuais, mas haviam sido justificados, lavados, santificados em nome do Senhor Jesus, pelo Espírito do nosso Deus (1Co 6.11).

É possível que Paulo tenha pensado nesse contexto coríntio e romano ao escrever. Mas esse não é o seu ponto aqui. Paulo não estava apenas dizendo que os judeus eram contrários àquela prática normal no mundo não judeu, como alguns insistem.

Paulo apenas está a esclarecer que não foi para isso que Deus fez macho e fêmea. Nem está Paulo preocupado em apontar uma realidade somente da casa imperial, ou da cultura greco-romana que assistia com certa medida de simpatia as relações homossexuais. Paulo está a tratar da homossexualidade, e não de homossexuais específicos.

No verso 18, Paulo afirma que a ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e injustiça dos homens, que impedem a verdade pela sua injustiça. Paulo, então, está falando de todos os homens, ou seja, da raça humana. Assim, as relações homoafetivas são um sinal de que o universo humano está quebrado.

A homossexualidade é um sinal de que Deus entregou a humanidade à outra autoridade. A homossexualidade, então, segundo a teologia-bíblica, é apenas um de muitos sinais da entrega da humanidade para viver longe de Deus e contrariamente à sua vontade e verdade.

Quando um homem se deita com um homem, temos algo que não está funcionando como deveria na criação. A criação está quebrada, fora de ponto. E isso é o resultado de Deus ter entregado os seres humanos às paixões infames, contrárias à natureza.

As escolhas que a humanidade tomou, e não apenas homossexuais, tem trazido consequências a todos. E Deus tem permitido que exploremos as consequências de nossa própria rebelião. Ele nos avisa, nos chama ao arrependimento, nos convida à conversão. Mas, se escolhermos a idolatria do corpo, a idolatria da criatura, a idolatria e serviço e culto da carne, caminharemos para o dissolver da humanidade.

Um livro lançado em 2013 nos Estados Unidos revelou o poder de Deus na vida de um famoso ator de filmes pornográficos homossexuais. O livro se chama Swallowed by Satan (Engolido por Satanás), e tem como subtítulo “como nosso Senhor Jesus Cristo me salvou da pornografia, homossexualidade e ocultismo. Seu autor, Joseph C. Sciambra, conta a história de como ele, com uma infância tranquila numa família tradicional, entrou no universo da pornografia.

Em princípio, a porta foi via a pornografia impressa em revistas. Após ser introduzido no universo dos vídeos pornográficos, Sciambra passou a não mais se interessar somente pela pornografia heterossexual. Ele afirma em seu livro que foi a adicção à masturbação e pornografia heterossexual que o introduziu ao universo homossexual.

Ele conta como, com 19 anos de idade, ele começou a frequentar o distrito de Castro e encontrou um homem mais velho que estava disposto a pagar tudo para ele. Esse homem passou a ter encontros sexuais com ele, depois passou a filmá-lo, depois passou a mostrar tais filmes a amigos, e ele passou a fazer sucesso. Com o tempo, Sciambra passou a fazer filmes pornográficos oficialmente e a viver disso. Em suas palavras, Satanás o engoliu aos poucos.

De acordo com Sciambra, sua história não é mais ou menos extraordinária da de tantos outros que entram no universo pornográfico homossexual. Ele afirma:

“O que em minha vida justifica este livro? Em uma palavra: Eu não fiz nada que possa ser considerado extraordinário, excepcional, ou digno de nota. O que pode ser interessante aos outros é o papel que Nosso Senhor Jesus Cristo desempenhou em minha história.”

Em outra ocasião, Sciambra, pensando em sua própria história, afirma que, no universo homossexual, “Satanás tem anexado alguns demônios extremamente vorazes. A influência deles sobre suas vítimas é forte e profunda. Uma vez que eles grudam em você, se livrar deles não é algo fácil.”

Foi quando esteve à beira da morte que Joseph Sciambra descreve a sensação de algo estava o arrastando ao inferno. Sciambra diz que o pouco que havia conhecido sobre Jesus em sua infância foi suficiente para que ele clamasse o socorro de Jesus, dizendo: “Senhor, me ajude”. Ele diz que neste momento, uma paz imensa invadiu seu coração e ele se converteu. É óbvio que sua jornada de conversão foi longa, mas começou com o reconhecimento de sua carência de Jesus para transformá-lo.

Hoje, Sciambra possui um site no qual ajuda outras pessoas a encontrarem em Jesus a mão para socorrer pessoas que desejam sair da pornografia e viver um celibato até o final de sua vida.

Assim, a única solução para o problema humano da homossexualidade é a conversão. Quando os seres humanos adoram o Deus à imagem de quem foram criados, estes mesmos seres humanos passam a ser transformados por Deus a fim de serem aquilo que Deus os criou para ser.

Obviamente, esta não é uma palavra final de Paulo sobre o assunto. São apenas dois versículos (26-27). Muito mais poderia ser dito e colocado, mas os mesmos não podem ser explorados sem que este princípio esteja em mente. A homossexualidade não é fruto de uma escolha individual, ou genética, ou de uma doença, ou de uma construção social. A homossexualidade é fruto da entrega que o Criador realizou quando o primeiro casal se rebelou. A homossexualidade somente existe na humanidade pelo fato de todos terem pecado e estarem distantes de Deus. A homossexualidade, tal como qualquer outro pecado de natureza sexual, qualquer outra perversão sexual, é fruto do afastamento de Deus, da escolha que, desde o início, os homens têm feito.

Conclusão

Há poucas referências bíblicas sobre a homossexualidade. No Antigo Testamento, a primeira e principal referência é sobre a história de Sodoma, em Gn 19.4-11. Além desta passagem, Jz 19, Lv 18.22, Lv 20.13 apresentam a abominação que é ao Senhor a prática homossexual. O Antigo Testamento observa pouco este assunto, não sendo objeto de grande preocupação pelos escritores veterotestamentários. No entanto, no Novo Testamento, mostrando que não se tratava de um assunto exclusivo de um tempo distante, os escritores voltaram a tratar do assunto em 1Co 6.9-11, 1Tm 1.10 e Rm 1.27. Nestes últimos textos, a homossexualidade volta a ser condenada, embora muitos críticos no Novo Testamento acreditem que estas orientações não sejam válidas para a contemporaneidade. Muitos destes, afirmam que sejam moralistas aqueles que usam tais textos bíblicos como suporte para sua visão sobre homossexualidade.

22Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; é abominação.23Nem te deitarás com animal, para te contaminares com ele, nem a mulher se porá perante um animal, para ajuntar-se com ele; é confusão.

Lv 18.22-23

13Se também um homem se deitar com outro homem, como se fosse mulher, ambos praticaram coisa abominável; serão mortos; o seu sangue cairá sobre eles.

Lv 20.13

Assim, hoje, entre protestantes encontra-se um pequeno grupo que sustenta não haver base para a Lei Natural e sua relação com os atos sexuais, inclusive, procriativos. À medida em que muitas nações têm revisto suas leis e têm reformado a lei civil reconhecendo e favorecendo o casamento entre pessoas do mesmo sexo, algumas igrejas têm buscado se adaptar ao contexto em que vivem não encarando mais como um comportamento pecaminoso as relações homossexuais.

Todavia, a vasta maioria dos cristãos permanecem com sua tradição bíblica de que a homossexualidade, por conta de todos os textos bíblicos apresentados, deve continuar a ser vista como um pecado a ser deixado. Assim como todos os demais pecados, a homossexualidade também deve ser confessada e abandonada. Não só ela, mas todos os demais pecados para os quais um ser humano diz que nasceu inclinado para aquilo.

Segundo a visão protestante mais aceita, todos são concebidos em pecado (Sl 51.5) e seguem durante a vida sendo mais inclinados ou tentados a um determinado pecado, enquanto que, outros, são mais tentados em outros pecados. Mas, desde o momento em que tal ser humano compreende o chamado para o arrependimento e fé no Filho de Deus, tal pessoa deve olhar para suas antigas práticas do mesmo modo como Deus olha. E, no caso da homossexualidade, como um pecado a ser abandonado para o resto da vida.

Termino com o testemunho de Jerry Arterburn, falecido em 13 de junho de 1988 aos 38 anos, de AIDS:

“Espero que você compreenda que não importa o quão longe você tenha ido em seu estilo de vida homossexual, nunca é tarde demais para mudar, nunca é tarde demais para voltar ao lar. Deus tem o poder de reformá-lo completamente em corpo, alma e espírito. Por causa do que Deus fez por mim, o velho Jerry Arteburn acabou. Ele se foi. E sou uma nova pessoa através do poder de Deus.”

Eu termino com a conclusão de que o apóstolo Paulo pretendia apresentar a homossexualidade não como fruto de uma doença, de uma condição social, de um determinismo genético, ou qualquer outra pressuposição moderna. O Espírito Santo usou Paulo para revelar ao Seu povo que a homossexualidade deve ser vista como um sinal da queda da humanidade e da quebra, ou seja, da impossibilidade dessa humanidade viver os propósitos de Deus sem uma conversão e retorno a Ele.

Assim como a relação entre céus e terra está quebrada, a relação entre homem e mulher também foi afetada pela queda. A homossexualidade deve ser vista conforme comentou Bob Utley – como o pior julgamento que pode haver. É como se Deus dissesse: “deixe que a humanidade caída trilhe seu próprio caminho”. Em Salmo 81.12: 12Assim, deixei-o andar na teimosia do seu coração; siga os seus próprios conselhos. Em Os 4.7: 17Efraim está entregue aos ídolos; é deixá-lo. Em At 7.42: 42Mas Deus se afastou e os entregou ao culto da milícia celestial.

O paganismo, ou seja, o distanciamento de Deus, sempre foi caracterizado pela perversão sexual. Não devemos olhar para esse pecado como mais ou menos importante, mas apenas como mais uma força que oprime pessoas afastando-as do caminho de Deus. E precisamos nos lembrar que nada nem ninguém é capaz de vencer sozinho contra as forças tentadoras de seu próprio coração (sejam estas forças a mentira, a fofoca, a ganância, ou a homossexualidade). É somente na conversão, na justificação dessa vida, que ela será capaz de viver como um homem, ou uma mulher, conforme planejados por Deus.

Deus abençoe a vida de cada um dos irmãos e nos ajude a lidarmos com esse assunto sempre com sabedoria e cuidado, e a lidarmos com as pessoas que são tentadas homossexualmente, com o Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, e também com respeito e compaixão.

 

HOMOSSEXUALIDADE (PARTE 1): DAVI E JÔNATAS – UM ESTUDO SOBRE O AMOR ENTRE DOIS HOMENS

Wilson Porte Jr.

Introdução

Muito tem sido dito e escrito sobre o amor entre Jônatas, filho de Saul, e Davi, filho de Jessé. Era homossexual a relação que eles tinham? Este estudo tratará não de uma passagem específica, mas de uma série de versículos que, uma vez distorcidos e mal compreendidos, são usados para corroborar a prática homossexual.

Para responder a essa pergunta sobre a relação entre Jônatas e Davi, é necessário que compreendamos o uso da palavra amor no Antigo Testamento, não só dentro da história que envolve Jônatas e Davi, mas em outras envolvendo outras pessoas.

Em nosso próximo estudo (post), veremos como o projeto na criação de Deus para os seres humanos era de uma relação heterossexual entre as pessoas. Este é o projeto natural de Deus. Com o afastamento da humanidade, este projeto, bem como tantas outras coisas, se quebrou, dando origem à homossexualidade como um fruto de abandono de Deus da raça humana, do entregar de Deus às paixões infames da carne a humanidade como um todo. Um sinal disso é justamente as relações homoafetivas.

Veremos que a relação homossexual é fruto de uma mentira na qual a humanidade está. Vimos que:

Rm 1:25-27 “Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém.  Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza.  E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro”.

Este ponto da teologia-bíblica sobre a homossexualidade é claro para todos nós. Não se trata de uma opinião pessoal, ou da cultura de um povo. Trata-se da Palavra de Deus sobre o assunto.

Exposição

Posto isso, vamos às passagens que, normalmente, são distorcidas para forçar, discriminatoriamente (diga-se de passagem), um pecado na vida de Davi que nunca existiu.

1Sucedeu que, acabando Davi de falar com Saul, a alma de Jônatas se ligou com a de Davi; e Jônatas o amou como à sua própria alma.2Saul, naquele dia, o tomou e não lhe permitiu que tornasse para casa de seu pai.3Jônatas e Davi fizeram aliança; porque Jônatas o amava como à sua própria alma.4Despojou-se Jônatas da capa que vestia e a deu a Davi, como também a armadura, inclusive a espada, o arco e o cinto.5Saía Davi aonde quer que Saul o enviava e se conduzia com prudência; de modo que Saul o pôs sobre tropas do seu exército, e era ele benquisto de todo o povo e até dos próprios servos de Saul.

1Sm 18.1-5

Bem, aqui começa a confusão. Jônatas amou Davi como à sua própria alma. A palavra usada aqui é אַהֲבָה, de אָהֵב. Esta palavra é normalmente associada em traduções com a palavra amor e, pode estar ligada tanto ao amor como afeição, quanto como atração, ou como um cuidado amoroso entre amigos, ou ainda como um amante mesmo.

O primeiro ponto que temos que considerar aqui é tanto Jônatas quanto Davi eram homens desempenhando seus papeis na nação, casados e tendo filhos. Davi, inclusive, chegou a ter 8 mulheres, indicando qual era sua real dificuldade. Se Davi era, realmente, tentado por homens, como explicar estas oito além das muitas concubinas?

Em segundo lugar, é importante observar que o amor apresentado em 1Sm 18 nada tem de conotação sexual, não podendo se traduzir אַהֲבָה como um amor de atração. A mesma ideia que se apresenta em 1Sm 18 aparece nos versos abaixo:

21Assim, Davi foi a Saul e esteve perante ele; este o amou muito e o fez seu escudeiro.22Saul mandou a Jessé: Deixa estar Davi perante mim, pois me caiu em graça.23E sucedia que, quando o espírito maligno, da parte de Deus, vinha sobre Saul, Davi tomava a harpa e a dedilhava; então, Saul sentia alívio e se achava melhor, e o espírito maligno se retirava dele.

1Samuel 16.21–23

Este texto nos diz que Saul, pai de Jônatas, também amou a Davi. Estaria o texto apresentando uma possível relação homoafetivas entre Saul e Davi? Vejamos o texto abaixo:

1Enviou também Hirão, rei de Tiro, os seus servos a Salomão (porque ouvira que ungiram a Salomão rei em lugar de seu pai), pois Hirão sempre fora amigo de Davi.

1Reis 5.1

Já neste texto, temos outro rei amando Davi. Hirão, rei de Tiro, é apresentado como alguém que todo o sempre amou a Davi. Embora nas versões em português apareça que Hirão sempre fora amigo de Davi (ARA), ou, Hirão havia sido sempre muito amigo de Davi (A21), no texto original, as palavras que aparecem são כָּל־הַיָּמִֽים … אֹהֵ֗ב , ou seja, amou … todo o sempre. אֹהֵ֗ב é a mesma palavra usada para falar do amor de Jônatas por Davi. Estarei o texto dizendo que, além de Jônatas, Saul e Hirão também o amavam homossexualmente?

Bem, outra passagem mal usada é 2Sm 1.26, na qual Davi afirma que o amor de Jônatas era maior do que o das mulheres:

26Angustiado estou por ti, meu irmão Jônatas; tu eras amabilíssimo para comigo!  Excepcional era o teu amor, ultrapassando o amor de mulheres.

2Samuel 1.26

Em quê sentido este amor ultrapassava o de mulheres? No sentido de que a amabilidade de Jônatas superava o modo como algumas mulheres amavam e tratavam a Davi na época. Veja essa experiência de Davi com sua primeira esposa, irmã de Jônatas:

16Ao entrar a arca do Senhor na Cidade de Davi, Mical, filha de Saul, estava olhando pela janela e, vendo ao rei Davi, que ia saltando e dançando diante do Senhor, o desprezou no seu coração … 20Voltando Davi para abençoar a sua casa, Mical, filha de Saul, saiu a encontrar-se com ele e lhe disse: Que bela figura fez o rei de Israel, descobrindo-se, hoje, aos olhos das servas de seus servos, como, sem pejo, se descobre um vadio qualquer!

2Sm 6.16,20

Em comparação com o amor de Mical, também filha de Saul, o amor de Jônatas ultrapassava o amor de mulheres. Davi (e muito menos o texto bíblico) não está dizendo que ama Jônatas mais do que ama as mulheres, como alguns analfabetos funcionais afirmam. Davi está apenas percebendo que o amor que Jônatas demonstra por ele é maior do que o cuidado que ele vinha recebendo de mulheres. Para enxergar um amor homossexual aqui, somente usando as lentes da homofobia ou do preconceito.

Sempre foi (e ainda é) comum que homens encontrem em outros homens o cuidado e o amor que, em determinadas situações, supera o amor de mulheres. Considere promessas feitas na guerra por companheiros que dão a vida uns pelos outros, e que se comprometem, como fez C. S. Lewis durante a 1ª Guerra Mundial, com seu amigo Paddy Moore, a cuidar da família um do outro no caso de um deles morrer lutando. Moore faleceu em 1918 durante a guerra na qual ele e Lewis lutaram contra o jovem e, ainda desconhecido, Adolf Hitler, especialmente na Batalha do Somme, em 1916.

Em meio à guerras e outras situações que produzem aflições em nosso coração, se temos um amigo junto a nós é natural que percebamos o amor cuidadoso desse amigo. Vemos isso na relação entre pais e filhos, entre irmãos, e entre amigos. No entanto, não podemos cometer a tolice de, sempre que virmos um homem demonstrando cuidado amoroso ao seu amigo, considerarmos aquilo uma relação homossexual.

Um último absurdo que precisa ser considerado é o do beijo entre Jônatas e Davi:

41Indo-se o rapaz, levantou-se Davi do lado do sul e prostrou-se rosto em terra três vezes; e beijaram-se um ao outro e choraram juntos; Davi, porém, muito mais.

1Samuel 20.41

Qualquer pessoa não homofóbica (ou preconceituosa) saberá ler o contexto e entender o que está acontecendo. Infelizmente, esse tipo de atitude tem levado muitas pessoas a evitarem gestos de carinho por um amigo em público. Recentemente, um pai foi espancado em um show por ter dado um beijo e um abraço em seu filho. Um homem, homofóbico, vendo a cena incomodou-se e decidiu bater naquele suposto gay. O pai apanhou tanto que terminou sem parte de uma orelha.

Por outro lado, encontramos gays celebrando quando um pai beija seu filho em publico, especialmente se ambos já são adultos, porque preconceituosamente consideram aquilo com a atitude de dois gays, quando, na verdade, são pai e filho. Você consegue perceber para onde caminha isso?

Como o tempo, qualquer atitude de um pai com seu filho será tida como um incesto. Qualquer homem que abraçar seu amigo será tido como gay. E, como a Bíblia recomenda o ósculo santo, isso seria um sinal de aprovação bíblica da prática homossexual. Neste ponto, tanto homossexuais preconceituosos quanto homofóbicos raivosos agem de igual modo, ignorando o lado afetivo da amizade entre duas pessoas do mesmo gênero.

E, quando olhamos para a Bíblia, o que vemos é uma clara demonstração do que era, na cultura judaica, o beijo. Era tudo, menos a demonstração de homossexualidade. Veja:

4Então, Esaú correu-lhe ao encontro e o abraçou; arrojou-se-lhe ao pescoço e o beijou; e choraram.

Gn 33.4

15José beijou a todos os seus irmãos e chorou sobre eles; depois, seus irmãos falaram com ele.

Gn 45.15

1Então, José se lançou sobre o rosto de seu pai, e chorou sobre ele, e o beijou.

Gn 50.1

27Disse também o Senhor a Arão: Vai ao deserto para te encontrares com Moisés. Ele foi e, encontrando-o no monte de Deus, o beijou.

Êx 4.27

7Então, saiu Moisés ao encontro do seu sogro, inclinou-se e o beijou; e, indagando pelo bem-estar um do outro, entraram na tenda.

Êx 18.7

14Então, de novo, choraram em voz alta; Orfa, com um beijo, se despediu de sua sogra, porém Rute se apegou a ela.

Rt 1.14

39Havendo, pois, todo o povo passado o Jordão e passado também o rei, este beijou a Barzilai e o abençoou; e ele voltou para sua casa.

2Sm 19.39

16Saudai-vos uns aos outros com ósculo santo. Todas as igrejas de Cristo vos saúdam.

Rm 16.16

Seriam todos estes casos, casos de homossexuais?

O beijo sempre foi uma prova de afeto, de respeito, e de amor por um amigo ou amiga, independentemente do sexo da pessoa que recebe o beijo.

É necessário ter uma proporção muito grande à imoralidade para enxergar no texto bíblico algo além do que está nele posto. É, aliás, isso que provavelmente há no coração de tais pessoas, uma mistura de homofobia e preconceito.

Homofobia por parte daqueles que olham para a Bíblia com raiva por ela apresentar estas cenas de afeição entre amigos, nas quais estes homofóbicos são incapazes de perceber outra coisa que não algo de conotação sexual. Veja que a homofobia está ligada também à perversão de mente.

E preconceito por parte das pessoas que, ao olharem para o texto, imediatamente veem sexualidade e julgam o carinho entre amigos como se fosse uma prova de sua homossexualidade. Sim, homossexuais que assim olham para o texto bíblicos são preconceituosos. Agem com um preconceito sobre aqueles que a Bíblia apresenta.

O melhor caminho para não cairmos neste erro da ignorância é não nos contentarmos com uma leitura rasa das Escrituras, mas procurarmos nos aprofundar cada vez mais. Conhecer melhor a mais profundamente as Escrituras é algo bom! O Senhor diz pelo profeta Oséias que seu povo se perde justamente por lhe faltar conhecimentos de Suas Palavras (Os 4.6).

 

PEDRO: Transformado pela Palavra de Deus 

 

16Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.17Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus.18Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela

Mt 16.16-18 

Exposição bíblica

Pedro e sua relação com os Doze Apóstolos.

Pedro é, ao lado do apóstolo Paulo, uma das pessoas mais importantes apresentadas no Novo Testamento. Pedro, além de ser escolhido por Jesus para ser um dos doze apóstolos, foi escolhido para ser um dos três discípulos mais próximos de Jesus durante seu ministério terreno. E, além de ser ao lado de João e Tiago, um dos três discípulos mais próximos de Cristo, foi escolhido pelo próprio Jesus para ser o líder dos apóstolos.

O capítulo 16 do Evangelho segundo Mateus traz para nós o fermento dos fariseus e algumas lições relacionadas à compreensão sobre isso. O capítulo começa com os fariseus e saduceus pedindo a Jesus um sinal. Estes dois grupos representavam boa parte dos judeus no período do Novo Testamento. Enquanto os fariseus estavam mais ligados à religião, os saduceus eram mais ligados à políticas e outros movimentos menos religiosos. Saduceus, ao contrário dos fariseus, não criam em ressurreição e, muitos deles, em milagres.

Jesus responde a eles dizendo que sua preocupação com sinais representava uma espécie de cegueira espiritual. “Nenhum sinal” a não ser o de Jonas lhes seria dado. Uma geração má e adúltera pede um sinal; e nenhum sinal lhe será dado, senão o de Jonas, Mt 16.4. Palavras duras de Jesus aos seus ouvintes. Jesus respondeu, e se retirou.

A percepção que estas facções judaicas deveria ter era a de algo que havia vindo do céu. Assim como chuva pode ser percebida por sinais visíveis vindos do céu, assim a vinda do Messias poderia ser percebida pela vida e obras de Jesus. Tudo o que as Escrituras diziam sobre o Messias estava se cumprindo na vida de Jesus naqueles dias. Como é que eles pedem um sinal? Havia, de fato, abundância de sinais a serem vistos por todos os lados. Mas seus pecados os impedia de verem o óbvio.

Em seguida, Mt 16 nos apresenta uma conversa de Jesus com os discípulos sobre o fermento dos fariseus. Os discípulos haviam esquecido de levar pães para o lugar para onde foram. Nesse contexto, Jesus lhes fala para tomar cuidado com o fermento dos fariseus. Imediatamente, eles associam as palavras de Jesus com o fato de terem esquecido dos pães.

Nos versos 5 a 12, Jesus lhes explica que não era desse tipo de fermento que falava. Lhes lembra de seu poder para fazer o impossível, e de como alimentou nove mil pessoas, em duas ocasiões diferentes, multiplicando pães e peixes milagrosamente. O fermento do qual Jesus fala era a doutrina ensinada por aqueles grupos, que se diziam religiosos, tementes a Deus, mas que haviam construído doutrinas nas quais criam e viviam, mas que nada tinham de ligação com a Palavra de Deus. Erro doutrinário leva pessoas para muito longe de Deus, mesmo que essas pessoas estejam vivendo religiosamente em uma igreja.

Caminhando, Jesus chega com seus discípulos à cidade de Cesareia de Felipe. Lá, pergunta para eles sobre o que o povo estava falando sobre ele. As respostas envolviam comparação com João Batista, Elias e Jeremias. Então Jesus pergunta o que eles diziam sobre ele. Isso é muito importante, pois o que Jesus está pedindo é uma definição cristológica. Jesus está pedindo uma confissão de fé. Jesus está pedindo que eles exponham seu pensamento sobre a pessoa dele. Isso é algo que todos nós devemos nos preocupar em saber ainda hoje. O que sabemos sobre Cristo pode (ou não) mudar nossa vida. Confessar o que sabemos pode mudar a vida de alguém.

É após esse momento que encontramos a confissão de Pedro. No verso 16, Pedro responde com a seguinte confissão: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Poucas, mas precisas palavras. Simples e profundo, Objetivo, mas não superficial. Claro e preciso.Tu és o messias (o Cristo). Era isso que os fariseus e saduceus deveriam ter percebido, mas não conseguiram. Pedro aqui o confessa. E não apenas o Messias, mas o Filho do Deus vivo, aquele que soberanamente governa sobre todas as coisas.

A resposta de Jesus para Pedro foi: 17Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus.18Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.19Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus.20Então, advertiu os discípulos de que a ninguém dissessem ser ele o Cristo.

Mt 16:17–20

  1. Pedro, o apóstolo, a rocha.

Há muita coisas que podem ser ditas sobre estas palavras de Jesus. Mas este não é meu objetivo neste estudo. O foco aqui é na pessoa de Pedro, e nas palavras que ele ouviu de Jesus. A confissão de Pedro tornavam-no um bem-aventurado. Bem-aventurança está ligada, também, a uma saudável confissão de nossa fé e a uma alegria que não está ligada apenas a algo que nos acontece no momento. Não se trata apenas de felicidade.

Uma saudável confissão de fé também está ligada à revelação do próprio Deus. A humanidade, sem Deus, é incapaz de chegar a confissões sadias de sua fé. Via de regra, farão como os fariseus e saduceus e criarão suas próprias doutrinas numa tentativa de se conduzirem a um suposto céu onde um suposto Deus os aceitaria com base em suas próprias obras.

A confissão de Pedro coloca Deus no centro do processo de salvação e de construção do que cremos. Sobre a liderança pastoral de Pedro, e sobre a afirmação feita por ele, Jesus edificaria a sua igreja. A rocha não é Pedro, mas o que ele disse, ou seja, sua confissão e a verdade contida nela. Todos que viessem a crer e confessar a mesma fé seriam colocados sobre esta pedra sobre a qual Jesus edifica sua igreja.

Jesus deixa claro que, ainda que venham perseguições, batalhas espirituais e aflições na vida, que as portas do inferno, os poderes do inferno, a influência demoníaca, não destruiriam sua igreja. O dom da fé, confessada pela igreja, uniria e manteria viva sua igreja até sua segunda vinda de Jesus.

Jesus conclui dando o poder das chaves para sua Igreja. O poder das chaves não está com Pedro, mas com a Igreja de Jesus Cristo. É ela que se reune confessando a mesma fé e tem o poder das chaves do verso 19: Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus.

Embora Jesus fale com Pedro, ele aqui é apenas um representante daqueles que confessariam a mesma fé e se uniriam em igreja um dia. Pedro não pode ser o dono do poder das chaves pois, se fosse, com sua morte morreria a única pessoa com autorização para disciplinar e desligar pessoas da comunhão dos santos sobre a Terra. Pedro é apenas um representante. Jesus fala com Pedro, mas não sobre Pedro. As chaves dadas a ele são as mesmas dadas à toda Sua Igreja, da qual Pedro foi seu primeiro pastor.

Este texto é de difícil interpretação. Muitos têm interpretado de maneira descuidada retirando-o do seu contexto. A despeito de uma série de especulações sobre o texto, o que Jesus está dizendo é que sua igreja, aqueles que confessam a mesma fé que Pedro, teria o poder da disciplina, da organização, das decisões, sobre todas as coisas que aqui acontecessem. O Senhor está dando uma espécie de autorização à igreja para que esta tenha poder sobre situações de pecado, de erro doutrinário (é isso que está no contexto do capítulo), e exercerem o desligamento necessário de pessoas ou grupos que venham a pregar ou crer em uma confissão de fé diferente. Ninguém na Terra tem mais autoridade sobre a igreja do que a própria igreja. Nenhum homem pode exercer uma autoridade sobre a Igreja que seja maior do que a autoridade que a própria igreja já tem.

A igreja não é edificada sobre Pedro, mas sobre ele, Jesus, a pedra fundamental, a pedra de esquina, a qual os construtores rejeitaram. Ademais, gramaticalmente não se pode associar a pedra com Pedro. Πέτρᾳ é uma palavra feminina. Já Πέτρος é masculina. Gramaticalmente, a pedra não poderia ser Simão Pedro. A pedra é a confissão sobre o próprio Cristo. Crer na divindade de Jesus, e nele como o Filho do Deus vivo, nosso único e suficiente Salvador é a doutrina mais importante e fundamental do cristianismo.

Sua história: Porque Pedro deixou tudo?

Mas, quem foi esse homem chamado Simão Bar-Jonas? O significado desse nome seria Simão, filho de João. Essa é uma nomenclatura comum no mundo semítico. Simão seria o equivalente a Simeão, na língua dos hebreus. A adição do apelido Pedro veio somente posteriormente, assim como o Cristo veio posteriormente ao nome de Jesus.

Pedro cresceu na Galileia. Ele era da cidade de Betsaida, como descrito em João 1.44: Ora, Filipe era de Betsaida, cidade de André e de Pedro. Pedro e André viviam do comércio de peixes na região. Tinham, provavelmente uma casa (ou uma estação de venda) em Cafarnaum, cidade da região. Vemos isso nestes versos:

Marcos 1:21,29: Depois, entraram em Cafarnaum, e, logo no sábado, foi ele ensinar na sinagoga. … E saindo eles da sinagoga, foram, com Tiago e João, diretamente para a casa de Simão e André.

João e Tiago eram, provavelmente, seus sócios no negócio. Veja este verso:

Lc 5.10: bem como de Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram seus sócios. Disse Jesus a Simão: Não temas; doravante serás pescador de homens.

Pedro, sua conversão e chamado.

Quando Jesus os chamou a seres seus discípulos, os desafiou a serem, agora, pescadores de homens. Em Lucas, vemos que Pedro e os demais deixaram tudo para seguir a Jesus:

Lucas 18:28: E disse Pedro: Eis que nós deixamos nossa casa e te seguimos.

Pedro era casado e em Mc 1.29-31 Jesus cura a sogra dele. Em 1Co 9.5, Paulo dá-nos a impressão de que a esposa de Pedro o acompanhava em seu ministério pastoral e em suas viagens às igrejas. E, pelo verso, sabemos que outros apóstolos também eram casados.

Pedro viveu muitas experiências com Jesus. Não as veremos uma a uma aqui. Ele é o apóstolo com mais envolvimento e histórias envolvidas com Jesus.

De certo modo, a afirmação de Pedro em Mt 16 está relacionada àquilo que foi a sua vida junto do Senhor. Sempre firme, resoluto, mas não infalível. Mateus não mascara sua fraqueza e debilidade. Descreve as palavras de Jesus a ele como alguém de uma fé muito pequena:

Mateus 14:31: E, prontamente, Jesus, estendendo a mão, tomou-o e lhe disse: Homem de pequena fé, por que duvidaste?

Em outra ocasião, Mateus descreve as palavras de Jesus a Pedro associando-o a Satanás e aos planos demoníacos para atrapalhar o caminho da redenção, o caminho da cruz:

Mateus 16:23: Mas Jesus, voltando-se, disse a Pedro: Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens.

O galo, a negação e o arrependimento.

Este episódio é um dos mais conhecidos de sua história. Após Jesus ser traído e preso, Pedro o acompanhou, seguindo-o de longe. Muitos fugiram, mas Pedro o seguiu de longe.Viu todas as cenas relacionadas a Jesus. E Jesus, sendo Deus, viu o que Pedro também passou ao ser tentado quando lhe perguntaram, três vezes, sobre sua associação com o homem sob julgamento. Nas três ocasiões, Pedro negou.

Enquanto Judas Iscariotes, após se entristecer com o que havia feito, ter sob remorso se suicidado, Pedro optou por outro caminho. Pedro poderia ter tido o mesmo fim de Judas. Ambos traíram a Jesus. Pedro, no entanto, diferencia-se por ter genuinamente se arrependido do que fez. Pedro saiu de onde estava e chorou amargamente:

Lc 22.60–62: 60Mas Pedro insistia: Homem, não compreendo o que dizes. E logo, estando ele ainda a falar, cantou o galo.61Então, voltando-se o Senhor, fixou os olhos em Pedro, e Pedro se lembrou da palavra do Senhor, como lhe dissera: Hoje, três vezes me negarás, antes de cantar o galo.62Então, Pedro, saindo dali, chorou amargamente.

De pescador de peixes a pescador de homens.

Nós não temos tantas informações sobre o ministério de Pedro quanto temos do de Paulo. Sabemos que ele passou um tempo em Corinto, pelo fato de lá haver um grupo que se considerava de Pedro (1Co 1.12, 3.22).

Pedro, provavelmente, também realizou viagens missionárias. Percebemos isso no texto já citado de 1Co 9.5: E também o de fazer-nos acompanhar de uma mulher irmã, como fazem os demais apóstolos, e os irmãos do Senhor, e Cefas?

As epístolas de Pedro foram enviadas às igrejas da Ásia Menor. Lá, ficavam as províncias de Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia. Sobre esta última cidade, é muito interessante notar que, a razão pela qual muitas pessoas acham que o Espírito Santo não permitisse que Paulo passasse pela Bitínia fosse porque Pedro já havia começado um ministério naquela cidade.

Acts 16:7: defrontando Mísia, tentavam ir para Bitínia, mas o Espírito de Jesus não o permitiu.

Algumas pessoas associam a Babilônia citada por Pedro em 1Pe 5.13 com Roma. Pedro escreve dando a impressão de estar nesta tal de Babilônia. Se Pedro estava literalmente em Babilônia ou se na “Babilônia do ocidente”, como Roma era chamada, não sabemos. Em Apocalipse, Roma é associada com a Babilônia. Seja uma ou outra, vemos que Pedro também chegou a este lugar pregando o Evangelho.

O Evangelho, o ministério e a morte.

Após uma vida de ministério na pregação do Evangelho, Pedro morre da maneira como é profetizada em Jo 21.18: Em verdade, em verdade te digo que, quando eras mais moço, tu te cingias a ti mesmo e andavas por onde querias; quando, porém, fores velho, estenderás as mãos, e outro te cingirá e te levará para onde não queres.

Muitos associam essas palavras a forma como Pedro morreu.

1Clemente foi escrita no final do primeiro século, provavelmente junto do livro de Apocalipse. Neste livro, lemos do martírio de Pedro, Paulo e muitos outros. Nesta epístola, Clemente de Roma menciona da morte de Pedro que aconteceu como um “glorioso exemplo entre nós”, o que demonstra que as pessoas da igreja de Clemente, em Roma, estavam envolvidas no mesmo martírio em que morreu Pedro, “um glorioso exemplo entre nós”.

Já na famosa e belíssima epístola de Inácio de Antioquia aos Romanos, o martírio de Pedro e de Paulo também são associados à cidade de Roma.

Também Dionísio, bispo de Corinto, em uma carta escrita em aproximadamente 170 d.C., e preservada por Eusébio de Cesareia, disse que Pedro e Paulo ensinaram juntos na Itália. No final do século II, Irineu de Lyon escreveu em seu livro Contra as heresias que Pedro e Paulo pregaram em Roma. Já Tertuliano escreveu no mesmo período que Pedro foi martirizado da mesma maneira que o Senhor.⁠1

Muitos outros escreveram sobre esse assunto⁠2. Há um grande debate sobre o lugar exato de sua tumba. No entanto, a visão mais tradicional é a que vê o monte vaticano como o mais provável lugar onde o corpo de Pedro foi enterrado após a sua morte.⁠3

PEDRO FOI UM HOMEM COMUM, como muitos de nós, sem nenhuma expressão política ou social. Um mero trabalhador de uma região distante do centro do seu país. Homem comum chamado para ser um discípulo de Jesus, transformado por Jesus, e que acabou morrendo pela causa de Jesus.

Como Pedro foi transformado, Deus deseja transformar a cada um de nós. E essa transformação tem como objetivo sermos usados para transformar, transformar por meio de nossa proclamação, transformados para trazer paz aos que sofrem, transformados para trazer alegria onde há morte.

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1 Elwell, W. A., & Beitzel, B. J. (1988). In Baker encyclopedia of the Bible (p. 1666). Grand Rapids, MI: Baker Book House.

2 Elwell, W. A., & Beitzel, B. J. In Baker encyclopedia of the Bible. Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1988.

3 Elwell, W. A., & Beitzel, B. J. (1988). In Baker encyclopedia of the Bible (p. 1667). Grand Rapids, MI: Baker Book House.

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MARIA: Obedecendo sem questionar!

 

26No sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado, da parte de Deus, para uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré,27a uma virgem desposada com certo homem da casa de Davi, cujo nome era José; a virgem chamava-se Maria.28E, entrando o anjo aonde ela estava, disse: Alegra-te, muito favorecida! O Senhor é contigo.29Ela, porém, ao ouvir esta palavra, perturbou-se muito e pôs-se a pensar no que significaria esta saudação.30Mas o anjo lhe disse: Maria, não temas; porque achaste graça diante de Deus.31Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus.32Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai;33ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim.34Então, disse Maria ao anjo: Como será isto, pois não tenho relação com homem algum?35Respondeu-lhe o anjo: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus.36E Isabel, tua parenta, igualmente concebeu um filho na sua velhice, sendo este já o sexto mês para aquela que diziam ser estéril.37Porque para Deus não haverá impossíveis em todas as suas promessas.38Então, disse Maria: Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra. E o anjo se ausentou dela.

Lc 1.26-38

Exposição bíblica

Maria, a mãe do Filho de Deus

Maria foi, sem dúvida, a pessoal mais extraordinária que já existiu na história. Foi, também, a pessoa mais privilegiada de todos os tempos. Além de tudo, foi escolhida pelo próprio Deus para ser aquela através de quem a promessa feita à esposa de Adão se cumpriria (Gn 3.15).

Maria é aquela que provê aos cristãos o maior exemplo de obediência a Deus e confiança em Cristo. Maria não foi apenas uma espectadora dos sofrimentos de Cristo; ela participou sofrendo também, além de estar o tempo todo entre os outros discípulos de Cristo.

Maria recebeu a visita de um anjo chamado Gabriel (cujo significado pode ser homem de Deus, força de Deus, enviado de Deus). Imagine você que não é sempre que recebemos a visita de um anjo. E Maria lida com essa realidade de forma aparentemente natural, demonstrando que havia muito temor do Senhor em seu coração, ou seja, ela cria que Deus realmente é real e presente sempre. Por isso encara como algo aparentemente natural quando o anjo lhe aparece.

Ela morava em Nazaré, segundo o texto. Ela era virgem, nunca havia casado, provavelmente uma adolescente. A palavra virgem, também designava alguém muito jovem que poderia ser desposada a partir dos 12 anos de idade.1

O fato de ser desposada significa que ela era prometida a alguém da linhagem do rei Davi. A palavra prometida em grego é ἐμνηστευμένην (emnēsteumenēn). Literalmente, diz respeito a alguém prometida a outra pessoa em casamento. Essa promessa não era apenas algo feito “de boca”, mas um compromisso formal e legal feito entre pessoas que haveriam de se casar.2

Durante o tempo em que durava esse contrato, normalmente não mais que um ano, o casal possuía um contrato/promessa de casamento sem, no entanto, relações sexuais.

Um anúncio cheio de alegria

Ao entrar em contato com Maria, a primeira palavra do anjo foi Alegra-te! A notícia que o anjo anunciaria seria a notícia mais esperada da história. A mensagem do Evangelho veio a Maria por meio de um anjo. E essa mensagem não poderia ser introduzida de outra maneira que não Alegra-te. A vinda de Jesus para salvar-nos de nossos pecados é a notícia mais feliz da história.

A mensagem de Gabriel a Maria foi um pouco diferente da mensagem dada a José. Para ambos, o anjo disse “não temas”. À Maria, Gabriel disse que ela conceberia (Lc 1.31). A José, o anjo disse que ela conceberia pelo poder do Espírito Santo (Mt 1.20). À Maria, disse que ele reinaria (Lc 1.33). A José, disse que ele salvaria (Mt 1.21). As mensagens se completam.

Em um primeiro momento, Maria não entendeu o que aconteceria. Isso não significa que ela não acreditou. É impressionante sua calma. Aparentemente, a realidade espiritual era tão natural para ela que, diante das palavras do anjo, o que surgiu no seu coração não foi medo ou incredulidade, mas apenas um desejo de saber como aquilo que o anjo falou se daria na prática.

Antes de explicar, Gabriel anuncia que ela achou graça diante de Deus. Ela foi escolhida por Deus. Daí, então, anuncia sua gravidez e diz que seu filho seria grande, seria rei, e reinaria para sempre.

Obedecendo sem questionar

No verso 34, Maria não questiona as palavras do anjo, mas apenas quer saber como isso se daria, visto não ser ela casada ainda. E, assim como Deus espera hoje de todas as jovens, Deus esperava de Maria também, e de todas as moças de sua época, que aguardassem o casamento para conhecerem sexualmente seus cônjuges.

É então que Gabriel anuncia que, pelo poder do Espírito Santo, ela conceberia e ficaria grávida. Para comprovar a Maria a capacidade de Deus de fazer o impossível, fala de uma parente de Maria chamada Isabel, descendente de Arão (Lc 1.5), esta que, além de ser bastante idosa, também era estéril. E então, anuncia as palavras do verso 37: Porque para Deus não haverá impossíveis em todas as suas promessas.

As palavras de Maria foram de alguém pronta para obedecer, sem questionar ou balançar, totalmente entregue aos planos de Deus. A resposta de Maria se deu através de um belo cântico conhecido na história como Magnificat:

46Então, disse Maria:

    A minha alma engrandece ao Senhor,

   47e o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador,

   48porque contemplou na humildade da sua serva.

    Pois, desde agora, todas as gerações me considerarão bem-aventurada,

   49porque o Poderoso me fez grandes coisas.

    Santo é o seu nome.

   50A sua misericórdia vai de geração em geração

    sobre os que o temem.

   51Agiu com o seu braço valorosamente;

    dispersou os que, no coração, alimentavam pensamentos soberbos.

   52Derribou do seu trono os poderosos

    e exaltou os humildes.

   53Encheu de bens os famintos

    e despediu vazios os ricos.

   54Amparou a Israel, seu servo,

    a fim de lembrar-se da sua misericórdia

   55a favor de Abraão e de sua descendência, para sempre,

    como prometera aos nossos pais.

Lc 1.46–55

Essas palavras expressam a surpresa e alegria de Maria por ter sido escolhida. Já como mãe, percebemos outros traços muito importantes nesta pequena jovem de Deus.

Uma mãe como qualquer outra

Maria guardava todas as memórias da infância de Jesus em seu coração, tal como qualquer mãe (Lc 2.51).

Com seu marido, Maria levou Jesus para ser circuncidado após 8 dias de nascido (conforme prescrito na lei em Lv 12.3). Depois de outros 33 dias (conforme prescreve a lei da purificação em Lv 12.4), o levou para ser apresentado ao Senhor no Templo em Jerusalém, como todos os pais faziam com todas as crianças na Judeia naqueles dias (Lc 2.21-24). Mais um ponto que nos chama a atenção neste texto é que Maria e José não puderam trazer o que a Lei prescrevia. Eles trouxeram o que a Lei permitia a famílias mais pobres. Vejam a Lei:

6E, cumpridos os dias da sua purificação por filho ou filha, trará ao sacerdote um cordeiro de um ano, por holocausto, e um pombinho ou uma rola, por oferta pelo pecado, à porta da tenda da congregação;7o sacerdote o oferecerá perante o Senhor e, pela mulher, fará expiação; e ela será purificada do fluxo do seu sangue; esta é a lei da que der à luz menino ou menina.8Mas, se as suas posses não lhe permitirem trazer um cordeiro, tomará, então, duas rolas ou dois pombinhos, um para o holocausto e o outro para a oferta pelo pecado; assim, o sacerdote fará expiação pela mulher, e será limpa.

Lv 12.6–8

Maria e seu marido não puderam trazer um cordeiro, mas duas rolas ou dois pombinhos, demonstrando serem de poucas condições financeiras. E foi em um lar assim que Jesus cresceu. Não em um berço de ouro, mas em um lar simples e humilde.

Quando o menino Jesus sumiu dos pais, Maria demonstrou ansiedade como qualquer outra mãe (Lc 2.48).

E, além de ter Jesus, a Bíblia nos fala que ela, com José, teve outros filhos e filhas (Mt 13.55-56 — a palavra irmão aqui significa irmão mesmo, filhos do mesmo pai e mãe, e não “primos” como alguns sugerem; a mesma palavra é usada em Mt 1.2 para falar de Judá e seus irmãos, filhos de Jacó).

Muitas outras coisas são ditas sobre ela nas Escrituras. Enfim, em um dos últimos textos sobre a vida de Maria na Bíblia, a encontramos orando junto com os demais discípulos (At 1.14).

Aplicação

Olhando para essa história de vida, não encontramos absolutamente nada que a desabone. Maria é um exemplo para mim de obediência e amor pelo Senhor. É um exemplo também de humildade e simplicidade, de auto-negação e serviço ao Senhor.

Maria serviu a Deus com sua própria vida e história, assim como se espera de todos nós. Ela não é um exemplo apenas para ser admirada ou elogiada, mas para ser imitada. Alguém que ame a Deus como Maria amou é alguém que deve estar pronto a se negar como ela se negou.

Alguém que deseja agradar a Deus deve atentar para a vida dessa jovem, pois ela foi alguém que conseguiu, desde a adolescência, acertar diante dos olhos de Deus. Essa foi a razão de Deus tê-la escolhido para ser a mãe do Salvador, a mãe do Filho de Deus.

Olhando para a vida dela, precisamos nos questionar:

1. Como pode alguém agradar a Deus se fica questionando a Palavra de Deus?

2. Como pode alguém agradar a Deus se nunca se dispõe a servir a Deus?

3. Como pode alguém agradar a Deus se não sabe conter os desejos de seu corpo?

4. Como pode alguém agradar a Deus se não está pronta para fazer de seu próprio corpo, de seu tempo, de seu presente e futuro, um vaso para ser usado para glória de Deus?

Com Maria aprendemos que é preciso morrer para poder viver. Com Maria e seu cântico Magnificat aprendemos que precisamos de um Salvador, como ela cantou que precisava, para que a alegria anunciada pelo anjo deixe de ser uma promessa e torne-se uma viva realidade dentro de nós.

Conclusão

Não há outro caminho diferente do de Maria. Não há melhor caminho do que o de Maria. O caminho de Maria é o caminho da obediência, o caminho de quem ouve e obedece, não por medo, mas por amor. Maria amava a Deus e por isso esteve pronta para obedecer. Deus não espera outra coisa de nós, que não, obediência por amor.

Deus nos dê um coração assim. Deus tire de nós todas os questionamentos sem sentido. Deus tire de nós todo medo em obedecer, pensando no que os outros dirão se nós obedecermos a Deus. Deus tire de nós a perca de tempo com fofocas e intrigas, enquanto poderíamos estar nossos lábios para seu louvor e evangelização. Deus tire de nós a lentidão em servir, a preguiça diante dos planos de Deus para nossas vidas, e coloque em nós um coração como o dessa menina que, desde sua adolescência, estava pronta para dizer sim e servir. Que juntos, todos nós possamos dizer diariamente ao Senhor: Aqui está a serva (o servo) do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra.

 

1 Manser, M. H. (2009). Dictionary of Bible Themes: The Accessible and Comprehensive Tool for Topical Studies. London: Martin Manser.

2 Louw, J. P., & Nida, E. A. (1996). Greek-English lexicon of the New Testament: based on semantic domains (electronic ed. of the 2nd edition., Vol. 1, p. 456). New York: United Bible Societies.

FALSAS DOUTRINAS SOBRE CRISTO

 

Replicou-lhes Pilatos: Que farei, então, de Jesus, chamado Cristo? 

Seja crucificado! Responderam todos.

Mt 27.22

Temos problemas com Jesus?

Sim, até mesmo com o filho de Deus, homens têm criado problemas. Mas, isso não é de hoje. Há milênios visões estranhas têm sido criadas sobre a pessoa bendita de nosso Senhor Jesus Cristo.

Desde o início do cristianismo, visões como o Ebionismo e o Arianismo negavam a divindade de Cristo, o Docetismo negava a humanidade de Cristo, o Nestorianismo separava a humanidade da divindade de Cristo, afirmando que ele era meio homem, meio Deus, algo parecido com o Eutiquianismo, visão que algumas maneiras se assemelhava com a anterior. Além destas duas últimas, havia ainda o Apolinarianismo, o qual dividia ainda mais a pessoa de Jesus, dizendo que ele era parte divino, parte alma, e parte corpo.

Desde o início do cristianismo, estas visões estranhas estavam presentes e foram combatidas pela igreja cristã através de concílios.

Hoje, infelizmente, há pessoas dentro de nossas igrejas interessadas em apresentar um Jesus diferente do apresentado nas Escrituras. Como já vimos até aqui, nas falsas doutrinas sobre a Bíblia e sobre Deus, nas falsas doutrinas sobre Cristo, pessoas são ensinadas com mentiras que têm o poder de destruir a fé que, talvez, exista, bem como manter distante de Deus aquelas pessoas que acreditam que estão próximos dele.

A mentira, mesmo com cara de verdade, não deixa de ser mentira. O veneno, mesmo em embalagem de iogurte, não deixa de ser veneno.

Jesus não é Deus

Já houve dentro da própria que igreja que pastoreio pessoas que viessem me questionar sobre a real divindade de Cristo Jesus. Não havia maldade em tal pessoa. Não havia desejo de destruir qualquer fundamento, mas apenas compreender como pode um homem ter sido Deus, ou, Deus ter se feito homem.

Infelizmente, dentro do cristianismo já existem igrejas que não só pensam assim, como têm tentado disseminar essa mentira através de canções, livros e vídeos no YouTube.

Dentro de igrejas onde pregadores são adeptos da Teologia Liberal, a divindade de Jesus é profundamente questionada. Um dos grandes desejos do liberalismo teológico é provar a falsidade da doutrina da divindade de Cristo.

Se eles estiverem certos, não há nem mesmo salvação, por motivos que apresento abaixo.

Nisso, os liberais de nosso tempo se assemelham muito com a doutrina muçulmana. Vocês sabem que o islamismo têm crescido assustadoramente na Europa e que é só uma questão de tempo para que chegue isso no Brasil. Nos Estados Unidos, movimentos de jovens muçulmanos, ligados à seitas jihadistas, crescem e ocupam espaços em universidades americanas. Isso logo chegará por aqui.

Para o islamismo, tal como para o liberalismo teológico, Jesus precisa ser reinterpretado. Para o muçulmano, Jesus precisa ser visto como um profeta sujeito a Maomé, e não como Deus. Para os muçulmanos, a Bíblia está cheia de erros e é essa a razão dela pronunciar a divindade de Jesus. Expressões como: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10.30) são uma deturpação do original.

De forma bastante curiosa, essa é a mesma argumentação usada pelos liberais. Eles não somente negam a divindade de Jesus, como também afirmam que a Bíblia está cheia de erros, cheia de deturpações.

Textos como estes também estariam distorcidos:

Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados; porque, se não crerdes que Eu Sou,* morrereis em vossos pecados.

Jo 8.24

Jesus lhes respondeu: Em verdade, em verdade vos digo que, antes que Abraão existisse, Eu Sou. Então eles pegaram em pedras para apedrejá-lo; mas Jesus escondeu-se e saiu do templo.

Jo 8.58–59

Outros, além dos muçulmanos e dos liberais que negam a divindade de Jesus são as Testemunhas de Jeová. Para estes, ter a Cristo como um Deus seria uma blasfêmia, pois só há um Deus, e não dois deuses.

Nesse caso, normalmente eles confundem o significado da palavra “primogênito” ou “primogenitura”, as quais, no Novo Testamento, estão relacionadas mais com o direito de alguém do que com a procedência desse alguém (vejam o caso de Esaú e Jacó, Efraim e Manassés, etc.).

O fato de Cristo ser o primogênito diz respeito apenas a que ele tenha direito sobre toda a criação, além de ser a causa, o princípio, de tudo o que há.

Já no mormonismo, Jesus é filho de Deus Pai com uma de suas esposas. Essa doutrina é fruto das revelações especiais que Joseph Smith disse ter recebido de Deus, assim como Maomé também disse ter recebido de um anjo suas revelações especiais.

Dentro de todas essas visões absurdas sobre Jesus, há um entendimento de que a salvação depende só do homem e não de Deus. A salvação é um mero esforço humano, um mérito humano.

Alguns Jesus(es) modernos

Além dessas visões estranhas sobre Jesus que, de alguma forma, chegam aos evangélicos de hoje, temos as aberrações que atribuem a si a personalidade de Jesus, neles reencarnado.

O caso mais esdrúxulo conhecido no Brasil é o de Inri Cristo. Por mais piada que ele pareça, há quem creia ser ele reencarnação de Jesus. Inri possui seguidores, sede, pregações, inserção na mídia.

Infelizmente, Inri não é o único. Uma rápida pesquisa na internet, revela tantos outros absurdos como ele. Aqui vão apenas alguns nomes de falsos Cristos modernos:

Século 19

John Nichols Thom (1799-1838)

Arnold Potter (1804-1872)

Bahá’u’lláh (1817-1892)

William W. Davies (1833-1906)

Mirza Ghulam Ahmad (1835-1908)

Lou Palingboer (1898-1968)

Século 20

Haile Selassie I (1892-1975)

Ernest Norman (1904-1971)

Krishna Venta (1911-1958)

Ahn Hong-Sahng (1918-1985)

Sun Myung Moon (1920-2012)

Jim Jones (1931-1978)

Marshall Applewhite (1931-1997)

Wayne Bent (1941 – )

Ariffin Mohammed (1943 – )

Matayoshi Mitsuo (1944 – )

José Luis de Jesús Miranda (1946 – )

Inri Cristo (1948 – )

Sergey Torop (1961 – )

Século  21

David Shayler (1965 – )

Oscar Ramiro Ortega-Hernández (1990 – )

Alan John Miller (1962 – )

Algumas informações adicionais

Quem é Jesus e porque cremos na divindade de Cristo?

Podemos dizer muitas coisas sobre Jesus. Carpinteiro, Sumo-sacerdote, Profeta, Rei, Sacerdote, dentre tantas outras coisas. Mas, acima de tudo, Jesus é o Verbo de Deus que se fez carne e habitou entre os homens.

O Evangelho de João nos explica a razão da encarnação. Em João, aprendemos que o Perfeito se fez imperfeito a fim de que os imperfeitos se fizessem perfeitos. Ele se fez maldição para que nos tornássemos benditos de Deus Pai. Ele se fez culpado para que nos tornássemos justificados, inocentes. Ele foi preso para que fôssemos libertos. Ele morreu para que pudéssemos viver. E, acima de tudo, ele só fez tudo isso porque é Deus e, sendo Deus, foi capaz de pagar ao próprio Deus-Pai a dívida que todos tínhamos por quebrar Sua Lei.

Entenda, ao quebrarmos a Lei de Deus, pecamos contra o eterno. Quando quebramos a Lei do Eterno, devemos pagar eternamente. Isso é justiça. Por sermos incapazes de tal coisa, ou seja, de conseguirmos pagar na eternidade pela culpa cometida, Deus se fez homem para pagar pelos homens. Como a Lei quebrada foi a divina, somente alguém divino poderia ser responsabilizado. Como não somos deuses, seríamos sacrificados, tal como um animal quando mata uma criança e é sacrificada. Um cachorro não vai a julgamento, por não ser da mesma essência que os humanos. Assim também nós não poderíamos ser culpados e absolvidos, pois não somos da mesma natureza divina.

Assim, se fazia necessário que alguém que fosse Deus pudesse pagar diante de Deus pela Lei quebrada. Todavia, esse Deus também precisaria ser homem pois teria de pagar pelos erros dos homens. Assim, a figura de um salvador deveria ser de alguém que fosse 100% Deus e 100% homem.

Essa é a razão pela qual cremos na divindade de Jesus, porque dela depende nossa própria salvação. A outra razão é pelo próprio fato de Jesus ter sido assassinado. O fato dos judeus terem se enfurecido com ele se deu por eles entenderem o que Jesus estava dizendo sobre si mesmo. Eles compreenderam o que Jesus disse quando chamou a si mesmo de Eu Sou. Não tivesse Jesus dizendo que ele é o mesmo Deus que se revelou aos judeus no Antigo Testamento, os judeus não teriam se enfurecido tanto com ele.

Todos devemos confiar nas palavras de Jesus. São elas que nos libertam. São elas que nos trazem à verdade. Sem elas, nunca seremos santificados. Distantes delas ou descrentes nelas, seremos presas fáceis diante de lobos velozes que há 2000 anos rondam o rebanho de Deus.

JOÃO BATISTA: Temor de Deus vs. Temor dos homens

1Naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judéia e dizia:2Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus.3Porque este é o referido por intermédio do profeta Isaías:

  Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas.

4Usava João vestes de pêlos de camelo e um cinto de couro; a sua alimentação eram gafanhotos e mel silvestre.5Então, saíam a ter com ele Jerusalém, toda a Judéia e toda a circunvizinhança do Jordão;6e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados.7Vendo ele, porém, que muitos fariseus e saduceus vinham ao batismo, disse-lhes: Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura?8Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento;9e não comeceis a dizer entre vós mesmos: Temos por pai a Abraão; porque eu vos afirmo que destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão.10Já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo.

11Eu vos batizo com água, para arrependimento; mas aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu, cujas sandálias não sou digno de levar. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.12A sua pá, ele a tem na mão e limpará completamente a sua eira; recolherá o seu trigo no celeiro, mas queimará a palha em fogo inextinguível.

13Por esse tempo, dirigiu-se Jesus da Galiléia para o Jordão, a fim de que João o batizasse.14Ele, porém, o dissuadia, dizendo: Eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?15Mas Jesus lhe respondeu: Deixa por enquanto, porque, assim, nos convém cumprir toda a justiça. Então, ele o admitiu.16Batizado Jesus, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba, vindo sobre ele.17E eis uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.

Mt 3.1–17

Um pregador do arrependimento

Bem, o texto já começa afirmando o que João fazia. Nada nos é dito aqui sobre sua história. Isso é mencionado em outro texto.

O deserto da Judeia era o local de pregação de João Batista. Sua mensagem era de arrependimento. O verso 2 menciona que suas palavras era: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus. A mensagem de João era um chamado ao arrependimento e conversão. Segundo ele, o reino dos céus estava chegando. Isso, segundo as profecias veterotestamentárias, tinha a ver com a vinda do Messias. Então, quem ouvia João, imaginava que ele estava falando sobre a vinda do Messias. E muitos se arrependeram e se tornaram discípulos de João, antes mesmo de se tornarem discípulos de Jesus.

No verso 4, vemos como João se vestia e alimentava. Ele usava vestes de pêlos de camelo e um cinto de couro; a sua alimentação eram gafanhotos e mel silvestre. Ou seja, ele seguia uma espécie de costume essênio. Os essênio eram um de muitos grupos existentes na Judeia nos tempos de Jesus. Assim como os fariseus eram uma denominação do judaísmo, os essênios eram outra. E curiosamente eles possuíam o costumo de se vestir e alimentar como João Batista, daí muitos considerarem se não tivesse sido um essênio também.

Os versos 5 e 6 dizem que ele andava por todo lado e pessoas de todos os lados saíam para ouvi-lo. Quando estavam diante dele e ouviam suas palavras, se arrependiam de seus pecados e eram batizadas.  João, vemos no verso 8, enfatizava muito os frutos dignos de um arrependimento sincero. Ou seja, João não estava preocupado com o que estavam pensando dele. Ele sabia que devia pregar, e o fez com todo o coração.

No final do verso 9, João Batista deixa claro que a mera prática das coisas religiosas não tornam uma pessoa filha de Deus. A partir do verso 11, João Batista passa a falar de Jesus, ou seja, aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu, cujas sandálias não sou digno de levar. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.12A sua pá, ele a tem na mão e limpará completamente a sua eira; recolherá o seu trigo no celeiro, mas queimará a palha em fogo inextinguível.

João Batista pregou sobre seu parente, Jesus de Nazaré (talvez, primo de 2º grau), filho de Maria, provavelmente, prima ou irmã de sua mãe (Lc 1.36). Jesus, na mensagem de João Batista, é aquele que venha para salvar, mas também para condenar.

O verso 13 diz que, no tempo em que João pregava todas estas coisas, Jesus foi da Galiléia, provavelmente, Nazaré, para o rio Jordão. O objetivo era ser também batizado por João. No encontro, João debate com Jesus reclamando que ele é quem deveria ser batizado por Cristo e não o contrário. Jesus o convence e é batizado. O verso 16 nos apresenta a manifestação do Espírito Santo e do Pai logo após o batismo de Jesus. Ou seja, temos aqui uma apresentação da Trindade. O verso 17 termina com a aprovação do Pai com relação ao que o Filho estava fazendo.

Lições dessa passagem sobre João Batista

Ele não tinha temor dos homens. João sabia o que deveria falar e não se envergonhou. Ele temia mais a Deus do que aos homens. Ele estava mais preocupado com o que Deus estava pensando sobre ele do que com o que os homens estavam pensando dele naquela ocasião.

Essa é uma das grandes lições que aprendemos com João na passagem. Outra coisa é que vemos um homem que conhece sua mensagem. Isso revela profundo interesse por conhecimento, por informação, por saber corretamente o que dizer. O contrário disso seria a negligência e a irresponsabilidade que as quais podem gerar mentiras ou falsas doutrinas sobre jesus. João, no entanto, sabia muito bem o conteúdo do que cria.

Outra lição é que essa informação não fez com que João tornasse-se alguém frio. O conhecimento trouxe m fervor ao coração de João. A boa teologia fez com que João agisse com mais “paixão” e afinco em seu ministério.

Alguns fatos sobre João

João era filho de um casal de idosos que não podiam ter filhos. Sua mãe se chamava Isabel, e era uma mulher reconhecida publicamente como estéril. Seu pai, Zacarias, era um sacerdote do templo de Jerusalém, que recebeu a visita de um anjo enquanto trabalhava dentro do templo.

Ele viveu no deserto sua infância até o momento em que deveria se manifestar em Israel (Lc 1.80). Muitas profecias foram feitas sobre sua pessoa:

Lucas 1.14–17: 14Em ti haverá prazer e alegria, e muitos se regozijarão com o seu nascimento.15Pois ele será grande diante do Senhor, não beberá vinho nem bebida forte e será cheio do Espírito Santo, já do ventre materno.16E converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus.17E irá adiante do Senhor no espírito e poder de Elias, para converter o coração dos pais aos filhos, converter os desobedientes à prudência dos justos e habilitar para o Senhor um povo preparado.

Lucas 1.76–79:

   76Tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo,

    porque precederás o Senhor, preparando-lhe os caminhos,

   77para dar ao seu povo conhecimento da salvação,

    no redimi-lo dos seus pecados,

   78graças à entranhável misericórdia de nosso Deus,

    pela qual nos visitará o sol nascente das alturas,

   79para alumiar os que jazem nas trevas e na sombra da morte,

    e dirigir os nossos pés pelo caminho da paz.

Mateus 3.3: 3Porque este é o referido por intermédio do profeta Isaías:

  Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas.

Lucas 3.4–6:

4conforme está escrito no livro das palavras do profeta Isaías:

  Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas.

   5Todo vale será aterrado, e nivelados todos os montes e outeiros; os caminhos tortuosos serão retificados, e os escabrosos, aplanados;

   6e toda carne verá a salvação de Deus.

Ele possuía um estilo de vida muito simples (Mt 3.4). Sua palavra era sempre um chamado ao arrependimento (Lc 3.3). João, antes de Jesus, teve seus discípulos, os quais, futuramente, tornaram-se discípulos de Cristo (Jo 3.25-26).

A morte de João Batista esteve ligada à sua pregação. Ao confrontar Herodes e sua vida adúltera, João Batista foi preso e, enfim, executado, a pedido da filha de sua amante (Mt 14.6-12).

João Batista foi um homem tão temente a Deus que muitos consideraram que Jesus era o próprio João ressuscitado:

Marcos 8.27–28: 27Então, Jesus e os seus discípulos partiram para as aldeias de Cesaréia de Filipe; e, no caminho, perguntou-lhes: Quem dizem os homens que sou eu?28E responderam: João Batista outros: Elias; mas outros: Algum dos profetas.

Mateus 14.1–2: 1Por aquele tempo, ouviu o tetrarca Herodes a fama de Jesus2e disse aos que o serviam: Este é João Batista; ele ressuscitou dos mortos, e, por isso, nele operam forças miraculosas.

O próprio Jesus o honrou com estas palavras:

Mateus 11.11: 11Em verdade vos digo: entre os nascidos de mulher, ninguém apareceu maior do que João Batista; mas o menor no reino dos céus é maior do que ele.

Aplicação

Tudo isso nos revela a vida de um homem que quis viver no temor do Senhor e não no temor dos homens, um homem que não amou a própria vida, que não se importou se a verdade tirasse dele privilégios que muitos em seu tempo desfrutava.

Em João, aprendemos que cada um de nós possui um chamado, uma missão, um propósito. Cada um de nós deve pelo menos ter no coração o mesmo temor de Deus que João manifesta ter. Corremos o risco, constantemente, de temer mais aos homens do que a Deus, a pensar mais no que os outros estão pensando de nós, do que pensar no que Deus está pensando de nós e sobre nós.

Deus deve ser a primeira pessoa que nos vem à mente, sempre.

Conclusão

Se vivermos hoje como João viveu, certamente o mundo conhecerá o poder de Deus em Cristo. O desejo de Cristo é, sem dúvida, que sua igreja esteja cheia de João Batistas, cheia de homens e mulheres que temem a Deus mais do que tudo, que o consideram mais do que tudo, e que se importam mais com o que Ele pensa de você do que com o que seus amigos pensam de você.

O mundo precisa de pessoas assim. Pessoas para quem Deus é grande e os homens pequenos. Vivemos em um mundo onde essa verdade é invertida. Vivemos num tempo em que as pessoas são grandes e Deus é pequeno, onde não se considera sua Palavra e sua vontade, mas a vontade própria, a do coração, ou os conselhos “sem noção” que outros lhe dão.

Somente vivendo debaixo desse temor do Senhor encontraremos paz. Somente vivendo debaixo desse amor pelo Senhor é que estaremos dispostos a viver ou morrer para a glória de Deus.

INTERCESSÃO: uma prática que pode trazer o avivamento pessoal

“Mudou o Senhor a sorte de Jó, quando este orava pelos seus amigos; e o Senhor deu-lhe o dobro de tudo o que antes possuíra.” 

Jó 42.10

Orar pelos outros

Uma definição simples de intercessão é esta: orar pelos outros. No entanto, a intercessão vai além do que pedir a Deus algo em favor da vida de outro. De acordo com o Dicionário Oxford de Igreja Cristã, intercessão não é apenas orar em favor dos outros. Além de fazer parte das liturgias cristãs mais antigas, a intercessão também se caracteriza por fazer algo por alguém, na história do cristianismo.

Ou seja, quando alguém está fraco em sua fé, é assistido por outro que intercede em seu lugar, ou em seu favor, a Deus, orando por essa pessoa (ou seja, no lugar dela, como se fosse ela), lendo a Bíblia por essa pessoa, além de realizar outros atos de devoção em lugar de alguém em uma situação específica da vida da pessoa na qual ela se encontra impossibilitada de continuar a realizar atos de piedade e devoção. Obviamente, isso tudo tem como propósito o socorro de Deus sobre a vida dessa pessoa.

Não entendemos claramente como se dá esse “colocar-se no lugar de”. Só sabemos que devemos viver como um corpo, de modo que, quando um sofre, todos sofrem, quando um se alegra, todos se alegram. Assim, então, quando algum membro do corpo é impossibilitado de fazer algo em sua piedade, espera-se que outra pessoa no corpo faça em lugar daquela impossibilitada. É isso que o Espírito Santo faz por nós, quando intercede por nós “com gemidos inexprimíveis” (Rm 8.26b), em nós, como se fosse nós. “Porque não sabemos orar como convém”, o Espírito intercede em nosso lugar.

A despeito dessa visão que também é contemplada na história da igreja, a intercessão ficou mais conhecida como a prática de orarmos uns pelos outros.

Esquecer-se de si 

A intercessão não é algo natural do ser humano. O que nos é natural é o egoísmo. A intercessão mata o egoísmo. A intercessão fez com que Jó, doente como estava, intercedesse por seus amigos, texto que lemos mais acima. Na situação de Jó, é natural que não lembremos dos outros, afinal, temos problemas demais em nós mesmos.

No entanto, o que agradou ao Senhor e fez com que este restaurasse tudo o que Jó havia perdido, foi o fato dele ter se lembrado de seus amigos, e orado por eles, apesar dele mesmo, Jó, ter problemas demais para apresentar ao Senhor. Jó não se preocupou apenas com seus próprios problemas, mas trouxe diante de Deus os problemas dos outros também. E isso agradou demais a Deus. O texto bíblico diz que foi quando Jó passou a interceder que o Senhor o abençoou e deu fim a todo o seu sofrimento.

Pense comigo, não é normal intercedermos pelos outros quando temos problemas pessoais ou em nossas famílias, não é verdade? Mas é exatamente isso que Deus espera que façamos: que esqueçamos de nós, de nossos problemas, e passemos a nos lembrar dos outros também, a nos colocar na pele dos outros, nos sofrimentos dos outros, a sofrermos o sofrimento dos outros a não apenas o nosso.

O que nos parece é que, quando paramos de pensar em nós e passamos a interceder pelos outros, Deus passa a cuidar de nós e de nossos problemas de um modo que, antes, não acontecia. A paz que sentido é patente. E tudo começa quando apresentamos a Deus nossos pedidos e súplicas, mas também apresentamos aquilo que tem feito outros sofrerem.

Vamos ver como isso se desenvolve, brevemente, nas Escrituras.

O Espírito faz isso 

Romanos 8:26–27: Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis.27E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos.

Bem, esse texto já foi rapidamente comentado mais acima, quando expliquei algo sobre a intercessão. Quando estamos fracos e incapazes, seja por qual motivo for, o Espírito ora em nosso lugar. E é “segundo a vontade de Deus que ele intercede pelos santos”.

Veja que o Espírito intercede por você. Agora mesmo, se ele compreende que você não tem condições de orar sozinho por sua própria vida, ou seja, que você está fraco, distante, incapaz espiritualmente, ele intercederá em seu lugar a fim que você fique firme.

Quando estamos bem, é isso que devemos fazer pelos outros também. O Espírito faz em nós e por nós a fim de que estejamos bem a ponto de podermos fazer isso pelos outros também.

Jesus faria isso

Isaías 53:12: Por isso, eu lhe darei muitos como a sua parte, e com os poderosos repartirá ele o despojo, porquanto derramou a sua alma na morte; foi contado com os transgressores; contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu.

O profeta Isaías prometeu que Jesus, quando viesse, faria isso por seu povo. Um detalhe interessante é que Jesus não faria isso apenas por aquelas pessoas já santas e redimidas, mas o faria por todas as pessoas, inclusive aquelas que estivessem em pecado. O profeta Isaías está nos dizendo que Jesus intercede inclusive por pecadores!

Creio que devemos seguir tal exemplo. Creio que também devemos orar por pessoas que estão distantes de Deus, que estão em pecado, sofrendo por causa de seus pecados e incapazes de clamar a Deus por restauração e perdão (devido ao distanciamento que essas pessoas possuem de Deus). O pecado as afasta de Deus, as impossibilita de clamarem por ajuda. Jesus intercede por elas.

Jesus continua fazendo isso

Hebreus 7:25: Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.

O que vemos neste texto, é que Cristo não apenas fez isso no passado, mas continua a fazer pelas pessoas que se converteram a ele. A prática da intercessão é presente na vida de Jesus. Cristo continua intercedendo por seu povo, pela vida das pessoas que se achegam a Deus. Ou seja, essa não é uma prática passada, mas presente, que, agora mesmo, ele realiza por você em mim.

Cristo é um exemplo para todos nós dia auto-negação, de pessoa que se importam mais com os outros do que consigo mesmo. E isso não acontece por qualquer sentimento especial que ele nutra a nosso respeito, mas por uma decisão de lembrar-se de nós, e de colocar-nos co nstantemente diante do trono da graça de Deus. Olhando para o exemplo de Cristo, deveríamos viver por interceder uns pelos outros também. Deveríamos lembrar sempre uns dos outros em nossas orações, a exemplo de Cristo, suplicando o favor, a misericórdia, e a graça de Deus sobre nossos amigos e irmãos em Cristo e também sobre a vida daqueles que estão ainda no pecado.

Jesus ensinou a fazer isso

Mateus 5:44: Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem;

Aqui, temos não o exemplo daquilo que Cristo faria, nem daquilo que ele fez, mas uma ordem daquilo que todos devemos fazer. Sua ordem contempla até mesmo nossos inimigos. E isso é impressionante. Não era comum no contexto judaico esse tipo de afirmação. Os ensinos rabínicos que hoje são conhecidos pelos manuscritos de Qumran ensinam exatamente o oposto, que os judeus deveriam odiar seus inimigos e não amar, muito menos orar, por aqueles que os perseguissem.

Enfim, esse ensino de Jesus é totalmente diferente de tudo o que se vivia na época. E esse ensinamento chega até nós como uma forma de nos fazer compreender a maneira como devemos tratar as pessoas que nos fazem mal, que nos persegue, que nos caluniam, traem, ofendem, etc. Devemos interceder por todas elas. Como faríamos isso sem que nos esquecêssemos de nós mesmos?

Paulo recomenda os efésios a fazerem isso

Efésios 6:18–20: com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos19e também por mim; para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra, para, com intrepidez, fazer conhecido o mistério do evangelho,20pelo qual sou embaixador em cadeias, para que, em Cristo, eu seja ousado para falar’ como me cumpre fazê-lo.

Por fim, temos esta recomendação do apóstolo Paulo aos efésios de que eles deveriam interceder uns pela vida dos outros também. Paulo recomenda que todos porém, supliquem, o tempo todo e não apenas em alguns cultos especiais. Eles deveriam vigiar com perseverança. E Paulo recomendar ao jovem Timóteo que transmitisse estas informações a todos os pastores sobre os quais ele ministraria. Estes pastores bem como suas igrejas deveriam manter o ensino da intercessão.

1 Timóteo 2:1–2: Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens,2em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito.

Paulo ensina Timóteo que ele deveria exortar a todos a fazerem isso. Paulo incluí aqui que a intercessão também deve ser feita em favor dos que nos governam. Paulo cita aqui os reis e todos os que se acham investidos de autoridade. A razão pela qual devemos interceder por todos eles, é para que tenhamos uma “vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito”.

Creio que a intercessão tem poder de nos trazer para mais perto daquilo que Deus espera que sejamos como seres humanos. Creio intercessão tem o poder de matar nosso egoísmo. Creio também que a intercessão tenho poder para despertar uma avivamento pessoal, e, quem sabe, um avivamento comunitário.

Conta-se a história de que o Conde Zinzendorf, um dos pais do avivamento morávio, líder de um grande movimento missionário, dava uma espécie de instrução espiritual a 9 meninas da idade de 10 a 13 anos. Essas aulas a essas crianças, segundo ele contou a sua esposa, não obtinham muita atenção da parte das meninas. Ele, porém, quis insistir com elas.

Ele se recorda que, em 16 de julho de 1727, Zinzendorf derramou seu coração em intercessão. Ele estava angustiado por essas meninas. Então, por 10 dias, de 17 a 27 de agosto de 1727, as intercessões dele foram respondidas e um grande derramamento do Espírito de Deus veio sobre aquelas garotas.

Com o tempo, mais e mais garotas e garotos, depois também adultos da comunidade de refugiados de Herrnhut vieram debaixo da influência do Espírito se juntar ela comunidade. Uma testemunha daqueles dias chegou a dizer que “não podia atribuir a causa daquele avivamento espiritual entre as crianças de Herrnhut a nada que não um maravilhoso derramar do Espírito de Deus”.⁠1

Assim, creio que podemos desfrutar hoje também de um despertamento espiritual, à medida em que nos esqueçamos de nós mesmos e passemos a nos lembrar mais dos outros em nossas orações diárias. A intercessão tem sim o poder de mudar muita coisa em nossas vidas. Precisamos redescobrir essa prática diária em nossas vidas.

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1 Tan, P. L. (1996). Encyclopedia of 7700 Illustrations: Signs of the Times (p. 1154). Garland, TX: Bible Communications, Inc.

FALSAS DOUTRINAS SOBRE DEUS

 

   Porque o Senhor é o Deus supremo

    e o grande Rei acima de todos os deuses.

Sl 95.3

Mediadores de suas próprias orações

Infelizmente, hoje em dia muita gente vive como mediadora de si mesma perante Deus. Tais pessoas buscam a Deus como se Ele pudesse ser mudado pelas suas ideias. Oram como se estivessem falando com o gerente da loja de eletrodoméstico. Argumentam com Deus como se estivessem tratando com um balconista.

Hoje, Deus é tratado como um servo qualquer. Na verdade, percebemos três formas de se querer mandar em Deus. Aqui estão elas.

O Deus cambista

A primeira forma, é aquela que trata Deus como um funcionário qualquer pronto a lhe servir quando e onde você quiser. É interessante notar que algumas das denominações que mais têm crescido no Brasil nos últimos anos, e talvez no mundo, sejam aquelas com um princípio tão herético e sutil: a doutrina da confissão positiva (ou, palavra da fé). A ênfase dessa doutrina está no ter e não no ser.

A Teologia da Prosperidade tem se proposto a buscar um Deus cuja personalidade se parece com a de exus, demônios que necessitam de uma oferenda para realizarem algo na vida daqueles que os buscam.

Esse Deus é um Deus cambista que vive fazendo trocas com seu povo. Essa falha da igreja moderna sobre a pessoa de Deus possui quatro princípios, os quais são:

1.Que Deus nunca diz não a seus filhos;

2.Que só se pode orar uma vez (sendo duas uma demonstração de falta de fé);

3.Que o sofrimento é sinal de falta de fé;

4.Que a pobreza não combina com nossa posição como filhos do Rei.

Nessas igrejas, raramente se ouve sobre arrependimento, pecado, salvação pela fé em Cristo ou santidade. O assunto que interessa, como diz o cântico, é: “Dê, e Deus te devolverá! Então dê, dê ao Senhor.”

Além das músicas, as pregações levam o povo a pensar somente em um futuro financeiro bem sucedido que virá, é lógico, mediante uma desafiadora contribuição (um “sacrifício” como eles gostam de chamar).

Testemunhos são apresentados. E o objetivo é mostrar que há um Deus que você pode desafiar. Ouse, não aceite pouco. Determine, exija! Se Ele é Deus, Ele fará o impossível por você. Apenas informe-o, mas com a determinação de quem manda, e não de alguém sujeito. Sujeite-O, você!

A crença e pregação dessa doutrina é muito nociva e muito perigosa para a igreja brasileira. Traz uma expectativa errada de Deus.

De acordo com 1Tm 6.3-8, não é certo buscarmos a Deus visando a obtenção de bênçãos espirituais. Podemos ter melhor exemplo do erro dessa teologia no que é lido em Jo 6.26,27.

Nesta ocasião, o Senhor Jesus censura homens e mulheres que estavam buscando-o somente pelo pão e pelo peixe que ele havia multiplicado e dos quais aquelas pessoas puderam desfrutar.

A motivação em algumas igrejas modernas permanece a mesma daqueles que achegaram-se a Cristo, e é interessante que a visão sobre Cristo também permanece a mesma: alguém em quem se pode encontrar bênçãos materiais. A diferença é que, hoje, os pastores exigem que os fiéis têm que dar algo a fim de que o “Deus Cambista” possa, então, devolver para o fiel de forma dupla, tripla, quíntupla (o que depende do valor da oferta apresentada à igreja por aquele irmão, às vezes, cheio de boas intenções).

Deus não é um cambista nem um negociador. Com Deus não se faz barganhas. Ele tem um propósito eterno que é a Sua glória. Ele não se arrepende, não muda e, por mais que alguém tenha fé para mover uma montanha, se o mover desta não estiver dentro do propósito eterno de Deus, ela não se moverá.

Nada escapa ou foge aos propósitos eternos de Deus. Ele manda, a gente obedece. Nunca inverta isso. Fuja dessa louca doutrina.

O Deus destronado

A segunda forma de se querer mandar em Deus, ou, simplesmente, informá-lo do que Ele deve ou não fazer, é aquela que confunde a soberania de Deus com a soberania das criaturas.

Existe hoje uma grande confusão com relação à doutrina da Soberania de Deus dentro das igrejas modernas. Logo na abertura de alguns cultos evangélicos, especialmente os neopentecostais, têm-se visto uma forma arrogante de se relacionar com o Senhor.

Suas reuniões iniciam-se com frases do tipo: “Eu determino…”, “Eu não aceito…”, “Eu ordeno…”, e outras frases de orações que têm virado rotina não só na abertura, mas no meio e no final do culto também.

Não acredito que aqueles que se denominam evangélicos (embora esse termo esteja desgastado), e têm essa louca mania de querer mandar em Deus, o façam tendo noção do erro que cometem. Essa maneira errada de tratar com o Deus soberano, para eles, é uma tentativa de buscar uma maior intimidade e comunhão com o Senhor.

Creem, de fato, que Deus está obrigado aos homens, o que nada mais é do que um absurdo (e diabólico) desejo de querer mandar no Soberano Deus do Universo.

É interessante analisar que toda a estrutura de religiões como o animismo, espiritismo, feitiçaria e satanismo, é baseada na busca de controlar, manipular e domesticar as forças sobrenaturais. E é exatamente isso que um ser humano qualquer pode encontrar numa igreja neopentecostal (com raras exceções) e outras pentecostais e tradicionais que têm cedido a essa heresia.

Interessante notar que a feitiçaria tenta manipular as realidades passadas, presentes e futuras. Interessante também é notar que esta prática que reduz o Senhor a um Deus não-soberano, também tenta manipular as realidades presentes, passadas, e futuras.

Todos sabemos o que Deus acha da feitiçaria (Ex 22.18; Lv 19.31; Dt 18.10; Is 47.9; Na 3.4; Gl 5:20; Ap 9:21, 18.23; 22.15) e, ainda mais, o que ela revela no relacionamento com Deus: rebeldia (1Sm 15.23a).

Dentre os textos distorcidos que os adeptos dessa prática usam, encontra-se Jo 14.13-14, um dos favoritos deles: “E farei tudo o que pedirdes em meu nome, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei”.

Para esse grupo, palavras como pedir, rogar e suplicar são a mesma coisa que exigir, decretar, determinar e reivindicar. Temos um problema, então, com a palavra pedir.

Em grego, há duas palavras para pedir: αἰτέω (aiteo) e ἐρωτάω (erotao):

1.αἰτέω: um pedido feito por alguém que está em posição inferior à daquele a quem o pedido é feito (como um filho pedindo ao pai);

2.ἐρωτάω: trata-se de um pedido onde aquele que suplica está em pé de igualdade com aquele a quem o pedido é feito.

Agora, olhando para as Escritura, veremos que o Senhor Jesus só usava ἐρωτάω para fazer um pedido ao Pai. Quando em Lucas 14.32 ἐρωτάω é usado, lemos que um rei fazia um pedido a outro rei.

Porém, quando é num sentido vertical de relacionamento (ex. seres humanos e Deus) a palavra usada é αἰτέω, como no texto acima citado (Jo 14.13-14).

Por isso, se a atitude desses “evangélicos” estivesse correta, Deus já estaria destronado há muito tempo. Dizer, crer e, até mesmo, se atrever a orar pensando que as palavras podem mudar o destino do homem, ou a sucessão de fatos, ou qualquer outra coisa que seja, é tornar o Deus Soberano e Supremo, sujeito à vontade humana, à vontade pervertida de suas criaturas. Deus deixaria de ser o Supremo governador de tudo.

Se você for sábio, fugirá dessa loucura também.

O Deus xerife

A terceira e última forma percebida em algumas igrejas onde Deus não é mais do que uma menininha de laço rosa na cabeça, super obediente, é aquela onde se acredita que podemos determinar quem irá ser abençoado e quem não irá ser disciplinado por Deus.

Esta é outra forma ridícula de se tratar o Criador. De onde vem a louca ideia de que podemos controlar até mesmo sobre quem Deus irá exercer juízo?

Hoje, um grande número de cristãos crê que Deus possa pesar a mão sobre outras pessoas mediante suas ordens. Para tais cristãos, Deus deu a eles o poder de pisar naqueles que são contrários às suas ideias.

Tais homens e mulheres não têm noção do que é desenvolver um relacionamento saudável e feliz com Deus. Vivem fascinados por um Deus xerife, apavorados pelos mistérios desse Deus.

E não perca de foco que, por trás desse derramar do juízo de Deus, está uma louca presunção de querer informar a Deus sobre alguém para quem eles desejam uma grave disciplina da parte de Deus.

Lideranças de igrejas que têm medo de possíveis questionamentos levantados por cristãos de sua comunidade têm se valido dessa afirmativa. Essas palavras tornaram-se uma arma de defesa (e também de ataque) para líderes e, consequentemente, fiéis que não se permitem questionar.

Essas mesmas palavras têm se tornado um açoite para os cristãos incautos e ignorantes que se sentem torturados pela culpa de um pecado.

Essas palavras não tratam somente de um julgamento frio, inumano e raso, mas constituem-se no mais perverso meio de tortura psicológica imposta sobre os que já vivem o drama angustiante da culpa por verem a Deus como um xerife.

Deus não é um xerife patrulheiro à caça de pecadores, nem está ligando para ordens de Suas criaturas que reivindicam (ou melhor, ordenam) o Seu juízo contra alguém.

A justiça é a execução da retidão. O juízo de Deus é a execução de Suas penalidades expostas nas Escrituras. Ele é fiel ao que Ele diz e executa o que Ele mesmo determinou.

Essa é a santa justiça, pois traz em si a clara ideia do ódio contra o pecado, o que acaba resultando numa indignação que o leva a ser justo (Sf 3.5; Dt 32.4; Sl 11.4-7; Dn 9.12-14).

Segundo o texto de Hb 12.6, Deus corrige ao que ama. A ideia do castigo (do pesar a mão) é contrária ao Espírito da graça do Novo Testamento. Isso, pelo fato de Deus só disciplinar os Seus pelo fato dEle os amar. Caso não amasse, não os disciplinaria.

Querer que Deus discipline alguém, ou pedir que Deus assim o faça, é agir com a presunção de que nós sabemos mais do que Ele quem precisa de umas “palmadinhas”. Sem dúvida alguma, Des sabe muito mais do que nós quem deve ou não ser disciplinado.

Algumas informações adicionais

Os atributos de Deus

Atributos são as “qualidades” de Deus, suas características principais. Tudo aquilo que é próprio de uma pessoa, é seu atributo. Se alguém é muito inteligente, dizemos que um dos atributos de determinada pessoa é a inteligência.

Para todos as características de Deus damos o nome de atributos. Só conhecemos os atributos de Deus pelo fato das Escrituras os apresentarem a nós. Fora da Bíblia, apenas podemos “desconfiar” desses atributos por meio da observação da Criação. Ao olharmos para os céus, os mares, as montanhas, as plantas, os animais, o corpo humano, e tantas outras coisas da Criação, somos capazes de, sem a Bíblia, compreendermos que há um Criador inteligente, sábio e poderoso.

Normalmente, na teologia, divide-se os atributos de Deus em atributos naturais e atributos morais.

Os atributos naturais

Estes são atributos que existem em Deus, em seu ser, que estão ligados a Ele e não necessariamente ao que Ele faz. Alguns destes atributos são: vida, tri-unidade, imutabilidade, onipotência, onisciência, onipresença, eternidade, espiritualidade, auto-existência e personalidade.

Alguns desses atributos não podem ser compartilhados conosco, e pertencem apenas a Deus. Esses são chamados de  atributos incomunicáveis. Outros, como a personalidade e a espiritualidade, ele comunica conosco, sendo os atributos comunicáveis. Assim são muitos outros.

Os atributos morais

Estes atributos não estão ligados apenas ao ser de Deus, mas ao seu caráter e ao seu agir. Assim como os atributos naturais, nos morais também encontramos aqueles que são comunicáveis e aqueles que são incomunicáveis a nós. Alguns dos atributos morais são: amor, santidade, bondade, justiça, dentre outros.

Dentro destes, mais uma vez, encontramos aqueles que são “comunicados” ou compartilhados conosco e outros que pertencem sobre a Deus.

Os atributos de Deus devem ser estudados e conhecidos pois são eles que nos ajudam a adorar a Deus com profundidade. Quando o adoramos, adoramos por quem Ele é. E, só sabemos quem Ele é graças ao estudo e conhecimento de seus atributos. Quanto mais o conhecemos, mais o amamos, e quanto mais o amamos, mais o adoramos.

ENOQUE: O que significa andar com Deus?

 

18Jarede viveu cento e sessenta e dois anos e gerou a Enoque.19Depois que gerou a Enoque, viveu Jarede oitocentos anos; e teve filhos e filhas.20Todos os dias de Jarede foram novecentos e sessenta e dois anos; e morreu. 21Enoque viveu sessenta e cinco anos e gerou a Metusalém.22Andou Enoque com Deus; e, depois que gerou a Metusalém, viveu trezentos anos; e teve filhos e filhas.23Todos os dias de Enoque foram trezentos e sessenta e cinco anos.24Andou Enoque com Deus e já não era, porque Deus o tomou para si.

Gn 5.18–24

Quem foi Enoque? 

Enoque foi o sétimo depois de Adão. Ele vem da geração que começou após a morte de seu irmão Abel. Podemos encontrar todos os detalhes das sete gerações no início do capítulo 5 de Gênesis. A versão resumida, encontramos em 1Crônicas 1.1-4: “Adão, Sete, Enos, Cainã, Maalalel, Jarede, Enoque, Metusalém, Lameque, Noé, Sem, Cam e Jafé.”

É assim que o autor das Crônicas começa a história de Israel, pelas gerações que começam em Adão e terminam nos filhos de Noé.

Sabemos muito pouco sobre Enoque. O pouco que sabemos, contudo, nos permite compreender o porque de Deus tê-lo colocado na lista de heróis da fé, na lista daqueles cujo testemunho devemos imitar, enquanto perseveramos nós também em nossas próprias histórias de vida.

Enoque foi filho de Jarede e pai de Metusalém. Ele foi um descendente de Sete, e essa geração era famosa por sua longevidade. A ciência já recorreceu a possibilidade disso acontecer em situações extraordinária quando o quadro genético da pessoa é favorável a isso.

Numa geração onde as pessoas viviam séculos e séculos, Enoque viveu pouco; foram somente 365 anos de vida. Isso era considerado pouco em sua geração e, especialmente, dentro de sua descendência. Ao contrário de Enoque, se filho Metusalém foi o homem que mais tempo viveu sobre a face da terra, morrendo o filho de Enoque com 969 anos de idade. Ninguém na longínqua geração de Sete, filho de Adão, viveu tanto tempo.

Mas, o tempo mais curto de vida de Enoque não se deu por qualquer acidente. Ao contrário. Foi o próprio Deus que decidiu interromper sua história de vida, chamando-o para si de uma forma que era desconhecida naquele tempo. Enoque não morreu. Deus o levou vivo para o céu. Deus o trasladou sem que Enoque tivesse que encarar o último inimigo do homem, a morte. Além dele, outros poucos viveram isso na história. E a razão pela qual Deus o levou dessa maneira é o que torna a vida de Enoque especial para todos nós.

O que havia de especial em sua vida?

O verso 19 nos diz que Enoque teve muitos irmãos. No entanto, ninguém temia ao Senhor como ele. Nós nem mesmo sabemos do nome de seus irmãos. Seus irmãos não são chamados de heróis da fé. Isso não significa que eles não tenham temido ao Senhor, mas que eles não chegaram ao ponto onde Deus espera que todos cheguemos um dia. E Enoque chegou lá, e chegou o mais perto que qualquer outro homem tenha chegado.

Isso já nos mostra o quanto Enoque era especial e diferente dos de sua geração. Diferente, mas nem tanto. O verso 21 diz que Enoque teve um filho, Metusalém. Isso significa que Enoque se casou, e teve com sua esposa filhos e filhas, diz o final do verso 22. Ou seja, nesse quesito, Enoque foi bastante parecido com as pessoas de sua época. Ele não era um super-homem, mas um homem comum que nasceu, teve irmãos e irmãs, conheceu uma garota, casou-se com ela e teve filhos e filhas com ela.

Mas, o diferencial na vida de Enoque é o que está no início do verso 22: “Andou Enoque com Deus”. O que significa andar com Deus? Andar com Deus significa andar com pensamentos em Deus. Significa também andar com atos de amor pelo Senhor, dizendo não ao pecado e a tudo que sua geração lhe oferecia. Significa que o coração de Enoque estava o tempo todo em Deus.

O mundo na época de Enoque não era muito diferente do nosso. A maldade e o pecado já enchiam a Terra que, após somente 4 gerações, seria totalmente destruída. É possível que muitos contemporâneos de Enoque tenham morrido no dilúvio, no qual se destacou um bisneto de Enoque, um homem chamado Noé.

Então, imagine o mundo já em sua época crescendo em maldade e pecado. Lembre-se do que disse Jesus, de que o mundo estaria como nos dias de Nós, nos dias que antecedessem sua segunda vinda. Muitos já cremos que estamos muito próximos desse dia, talvez vivendo aquilo que Enoque viveu — os dias que antecederam o dilúvio.

E foi nesse tempo de pecado que um homem se destacou pelo simples fato de ter decidido andar com Deus.

Ele foi o primeiro a temer ao Senhor?

É interessante notar que outros em sua geração haviam sido fiéis e tementes a Deus. Enoque vem da geração de Sete e Enos, no tempo de quem “se começou a invocar o nome do Senhor”, Gn 4.26b.

No entanto, Enoque amou mais a Deus do que, provavelmente, todos os seus antepassados. Ele viveu uma vida de serviço ao Senhor e de adoração. É bem provável que ele tenha se destacado diante de seus antepassados, razão pela qual ele nem mesmo conheceu a morte. A Bíblia apenas diz que “Andou Enoque com Deus e já não era, porque Deus o tomou para si”, Gn 5.24.

Quando a genealogia de Jesus é contada em Lucas 3.37, ele é colocado na geração de Enoque e de seu filho Metusalém. A forma como ele deixou este mundo é contada pelo autor de Hebreus, no capítulo 11.5: “Pela fé, Enoque foi trasladado para não ver a morte; não foi achado, porque Deus o trasladara. Pois, antes da sua trasladação, obteve testemunho de haver agradado a Deus. De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam”, Hb 11.5–6).

O texto que normalmente é lido sobre a morte de Enoque é apenas Hb 11.5. O verso 6 é lido muitas vezes isolado, mas não penso que deve continuar a ser lido assim. Para mim, o verso 6 tem muito a ver com o 5, ou seja, com Enoque. O texto grego inicia com uma conjunção δὲ, a qual liga o que está sendo dito com o que foi dito anteriormente.⁠1

Assim, completa-se a ideia de que Enoque agradou a Deus, creu na existência de Deus, e viveu com essa certeza todos os dias de sua vida, agindo de um modo diferente dos de sua geração. Ele temeu a Deus, como muitos outros, mas sua fé era de tal modo prática, que o texto bíblico diz que ele agradou ao Senhor, e não outros.

Como Enoque aponta para Cristo?

Enoque aponta para Cristo no sentido de ele mesmo ter andado como Cristo andou. A vida de Cristo foi, como a de Enoque, um andar com Deus. Suas ações, suas palavras, suas orações, refletem um homem que também andou com Deus.

E é interessante que nossas vidas devem ser marcadas por um seguir dos passos de Jesus, um andar como ele andou.

Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, e sim como sábios. Ef 5.15

Devemos andar na luz, disse Jesus:

Respondeu-lhes Jesus: Ainda por um pouco a luz está convosco. Andai enquanto tendes a luz, para que as trevas não vos apanhem; e quem anda nas trevas não sabe para onde vai. João 12.35

Por fim, temos a recomendação de que andemos como ele e nele!

Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele,

Cl 2.6

Conclusão e Aplicação

Hoje, podemos viver em meio a muitas pessoas que também expressam uma espécie de temor ao Senhor. No entanto, isso não muda nada visível na vida dessas pessoas. E creio que o Senhor espera que você seja alguém como Enoque em sua geração, alguém que cause mudanças, que seja diferente, que caminhe com Ele, pensando nEle, falando com Ele, sempre diante da face dEle.

Andar com Deus não é simplesmente afirmar-se como um cristão. Andar com Deus hoje significa ser alguém que honra a Deus em cada palavra que fala, em cada atitude que toma, em cada passo que dá. Assim, você também pode andar com Deus em nosso tempo. É bem possível que você não seja trasladado como Enoque foi… isso, provavelmente não acontecerá com você. Mas, é bem possível que sua vida seja um exemplo para a de muitos, como Enoque foi para os de sua geração e futuras gerações. Os efeitos da santidade na vida de alguém perduram por gerações e gerações. Os frutos ainda são colhidos mesmo depois da morte da pessoa que andou com Deus.

Isso significa que, mesmo depois de sua morte, seu testemunho e história ainda podem continuar a abençoar e influenciar a vida de muitas e muitas pessoas. Que você e eu possamos olhar para a vida de Enoque e concluirmos que não há nada melhor do que escolhermos por esse caminho para viver: andando com Deus.

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1 Louw, J. P., & Nida, E. A. (1996). Greek-English lexicon of the New Testament: based on semantic domains (electronic ed. of the 2nd edition., Vol. 1, p. 789). New York: United Bible Societies.

FALSAS DOUTRINAS SOBRE A BÍBLIA (parte 2)

 

O profeta que tem sonho conte-o como apenas sonho; mas aquele em quem está a minha palavra fale a minha palavra com verdade. Que tem a palha com o trigo? — diz o SENHOR.

Jeremias 23.28

Quais falsas doutrinas relacionadas às Escrituras estão em “moda” hoje?

Hoje em dia, muitas falsas doutrinas sobre a Bíblia estão em moda. Sim, são uma moda que logo passará. Mas, enquanto não passa, influencia os fracos. Diante dos fracos fazemos duas coisas: oramos por eles para que não sejam enganados por Satanás, e falamos a verdade para eles, crendo que a Verdade é que liberta.

A despeito de tudo que tem sido dito sobre a “Teologia Liberal”, a qual nega que toda a Bíblia Sagrada, tudo o que está nos 66 livros das Escrituras, seja Revelação inspirada, há muitas outras falsas doutrinas, “doutrininhas” menos elaboradas que todo o edifício liberal.

Como muito já tem sido dito e escrito sobre a Teologia Liberal, não me preocuparei com isso aqui. Eis aqui outras falsas doutrinas sobre a Bíblia:

Visagem — “Vi uma luz”: Não acredito que Deus não possa fazer com que pessoas vejam luzes, sinais, etc., no quarto de casa, na mata ou na montanha. Deus é soberano para fazer o que bem quiser e da forma como quiser. O problema aqui é com grupos que vivem correndo atrás de supostas experiências com Deus (seria mesmo com Ele?), as quais acabam se tornando o “pão” que alimenta a espiritualidade dessas pessoas. A crença nesse tipo de coisa e busca por esse tipo de experiência pode levar alguém para longe de Deus, ao invés de o contrário. Quanto mais longe da Palavra e mais cheios de “experiências”, mais fraco é o alicerce espiritual desse cristão.

Revelamento — “Deus me falou”: Outra modinha que, quando a gente pensa que passou, aparece de novo, é a de um Deus que vive de segredinho com seus escolhidos mais chegados. Esses são aqueles que toda semana têm algo a dizer sobre o que Deus disse pra eles. Preste atenção, isso não tem nada a ver com pessoas que ouvem a voz de Deus em Sua Palavra, mas com pessoas que afirmam que Deus falou claramente coisas com eles, palavras específicas, com orientações específicas sobre o que eles devem fazer ou falar para alguém. Mais uma vez, não duvido que o Senhor possa fazer isso, mas sustentar que o Senhor fala com você o tempo todo, semanalmente, audivelmente, é um perigo pois, além de incentivar pessoas a experimentarem a mesma “experiência com Deus” (seria com ele mesmo?), geram um afastamento da Palavra. O argumento desses grupos é que se o Senhor fala com seu povo audivelmente no passado, que Ele deve continuar a falar hoje. O ponto é que, naquele tempo, eles não tinha a Palavra. Hoje, temos. Se você quer ouvir a voz de Deus audivelmente, leia a Palavra de Deus em voz alta.

Há um tempo atrás, um pastor amigo me contou de uma jovem senhora que o procurou dizendo ter recebido uma revelação. “Deus falou com ela” em um monte onde foi orar que o homem que Deus havia separado para se casar com ela era um senhor da igreja. Quando ela apresentou este senhor ao pastor, este ficou confuso, pois o senhor estava com sua esposa. O pastor lhe perguntou: “Mas ele é casado? Como Deus lhe falou isso?”. A senhora o confrontou dizendo que era Deus quem tinha falado, e que não podia duvidar, que seria falta de fé. Enfim, ao final da conversa o pastor lhe disse: “Minha irmã, eu não duvido que o espírito tenha lhe dito isso. Só tenho certeza de que não foi o Santo”.

Ela é temporal: outra modinha é dizer que a Bíblia foi escrita por pessoas em um tempo específico e que deve ser interpretada sob a luz desse tempo. Com isso, querem dizer que hoje não podemos interpretar a Bíblia como sendo para nós. Ela possui orientações para hoje, mas muitas coisas não se aplicam mais para nós hoje. Perceba que isso não tem nada a ver com Leis Cerimoniais, as quais foram abolidas na cruz de Cristo. Isso tem a ver com assuntos relacionados à sociedade, ao trabalho, ao casamento, à homossexualidade, etc. Dizem tais grupos que aquilo que foi dito em determinada época não pode ser considerado hoje. O problema é que a Bíblia não é um livro humano, mas divino. A Bíblia foi (e é) inspirada por Deus, sendo um livro de Deus. Isso faz com que ela não seja temporal, mas eterna. Seus preceitos não estão ligados a um homem ou a um tempo da história humana, mas ligados a Deus e aos seus conselhos à humanidade até o fim dos tempos.

Ela é patriarcal e machista: você, certamente, já ouviu isso de alguém algum dia. “Paulo era machista”, “Jesus era machista”, “Deus! era machista”, e outras infelicidades como essas. Um estudo um pouquinho mais cuidadoso desses grupos sobre a história humana revelará a eles o quanto isso está errado. Muitos que viveram no período bíblico experimentaram uma sociedade na qual não se diferenciava mulheres, e crianças de jumentos. Sim, a sociedade era machista. Mas, onde estaria o machismo de Jesus ao permitir mulheres entre seus muitos discípulos, algumas, inclusive, recebendo certo destaque, como Maria Madalena, Marta, e Maria, mãe de João Marcos? Onde estaria o machismo de Jesus ao permitir que as primeiras testemunhas de sua ressurreição fossem mulheres? Onde estaria o machismo de Deus ao dar às mulheres um atributo que só pertence a ele, o de ser um auxílio (auxiliador/auxiliadora)? Onde estaria o machismo de Deus ao permitir que sua Revelação contasse com tanta honra a história de mulheres como Sara, Ester, Rute, Noemi, Raabe, Maria, Priscila, Eunice e Lóide, além de tantas outras? Onde estaria o machismo de Paulo ao escrever isso: “Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gálatas 3.28) ou isso “No Senhor, todavia, nem a mulher é independente do homem, nem o homem, independente da mulher.” (1Coríntios 11.11).

Normalmente, usam texto onde “Paulo” proíbe as mulheres de falarem em público, mas deixam de ler o contexto no qual o que é proibido é o falar em línguas e o profetizar em durante o culto público (veja 1Co 14, e analise o contexto!). Enfim, outros textos são usados, ou melhor, abusados com o fim de forçar “Paulo” a dizer o que ele não disse. Uma análise exegética simples de cada uma dessas passagens ajudaria esses grupos a nunca mais dizerem tal “absurdo, abcego, e abmudo”, como brincava um amigo meu.

Algumas informações adicionais

O que significa a palavra “cânon”?

Cânon vem de um termo grego que significa “norma, regra ou, ainda, régua”. É usada, normalmente para falar dos 66 livros que compõe a Bíblia Sagrada.

Ou seja, esses 66 livros seriam a Regra ou a Norma de Deus para os homens. Com a ideia de régua, aludiria à ideia de que tudo se mede por ela, ou seja, ela é o padrão perfeito para todas as coisas perfeitas e certas.

O que significa dizer que a Palavra de Deus é inspirada?

Por inspirada, compreendemos que tudo o que está escrito nas Sagradas Escrituras são Palavra de Deus aos homens, são Revelação com o propósito de salvar (ou condenar) o homem. Isso não significa que Deus ditou cada palavra que está na Bíblia. Há, sim, trechos ditados, mas são poucos. Na grande maioria, Deus usou as capacidades intelectuais, a personalidade, e até mesmo permitiu que traços culturais influenciassem a escrita sem manchar o conteúdo que o Senhor pretendia revelar.

2Tm 3.16 e 2Pe 2Pe 1.21 são dois textos que ajudam a compreendermos o processo de Deus em usar homens para revelar sua Verdade Absoluta.

Quais os cinco pontos relacionados à Palavra que não podem faltar em nossa vida diária com Deus?

Aprendi com Mark Dever que devemos nos relacionar com a Palavra de Deus de cinco maneiras a fim de não sermos enganados pelas falsas doutrinas sobre a Bíblia. Devemos:

1. Ler a Palavra;

2. Cantar a Palavra;

3. Orar a Palavra;

4. Ver a Palavra;

5. Pregar a Palavra

Nós a lemos quando a lemos, nós a cantamos quando entoamos músicas fundamentadas na Palavra, nós a oramos quando nossas orações são recheadas por conceitos aprendidos na Palavra, nós a vemos quando celebramos a Ceia do Senhor, e nós a pregamos toda vez que a compartilhamos com alguém, falando do Evangelho a outros.

Estes cinco pontos são, sem dúvidas, essenciais para quem deseja manter-se longe de todo erro e falsa doutrina sobre a Bíblia.

 

1 Cabal, T., Brand, C. O., Clendenen, E. R., Copan, P., Moreland, J. P., & Powell, D. (2007). The Apologetics Study Bible: Real Questions, Straight Answers, Stronger Faith (p. 1123). Nashville, TN: Holman Bible Publishers.

PORQUE DEUS CRIOU A MULHER?

Por Rosana Trevisoli Porte e Wilson Porte

Tudo o que Deus cria, ele cria com um propósito. Quando ele criou os céus, não foi para ser habitado pelos peixes. Quando ele criou os mares, não foi para que nele construíssemos cidades. Assim nós também; quando criamos alguma coisa, sempre criamos com um propósito;

Exemplo: O que acontecerá se nós quisermos triturar pedras em um liquidificador? Ele ficará todo danificado, pois não foi feito para triturar pedras, mas frutas e alimentos. O mesmo se nós colocarmos a louça suja dentro de uma máquina de lavar roupa, não dará muito certo, pois esta foi criada com o propósito de lavar roupa!

ASSIM, TAMBÉM, quando Deus criou a mulher, ele a criou com um propósito. Vamos ver com qual propósito ele a criou.
MULHERES PODEM TRABALHAR?
A Bíblia fala de várias mulheres que trabalhavam. Todas elas faziam o que faziam pensando em agradar a Deus com seu trabalho. Atos 9.36-39: Dorcas era uma espécie de costureira que abençoava a vida de pessoas com o fruto do seu trabalho na cidade de Jope. Romanos 16.1-6: Duas mulheres são mencionadas como pessoas que trabalhavam para a igreja em Roma (Febe e Maria).

Em 1Timóteo 5.9-10, quando Paulo instrui quais viúvas poderiam ser ajudadas pela igreja. Um dos pré-requisitos, é que elas tenham sido mulheres que tiveram boas obras, ou seja, boas ações, bons “serviços” em favor do próximo. Com isso, a Bíblia deixa claro para nós que as mulheres não devem apenas ficar em casa realizando serviço do lar, mas outros serviços cujo foco seja abençoar vidas.
COMO ELAS DEVEM SER NO LAR?
Em Gênesis 2.18, Deus apresenta a principal razão de ter criado a mulher: “Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea”.

A mulher foi criada por Deus para ser um auxílio ao homem, assim como o próprio Deus é um auxílio ao homem (Salmo 60.11: “Presta-nos auxílio na angústia, pois vão é o socorro do homem.” e Salmo 63.7: “Porque tu me tens sido auxílio; à sombra das tuas asas, eu canto jubiloso”).

Só Deus e a mulher são chamados de “auxiliadores” na Bíblia. Deus para a humanidade, e a mulher para se marido e família.

Para a mulher, não é pouca coisa ser comparada com Deus em sua missão. Muitas coisas podem atrapalhar a missão da mulher em seu serviço no lar.

A Bíblia não é contra mulheres trabalharem, mas é contra esse espírito moderno de competição entre homens e mulheres pelo mercado de trabalho, ou, por essa importância exagerada que muitas mulheres dão às suas carreiras profissionais, deixando de ser um auxílio espiritual para seus filhos e maridos (lembre-se dos exemplos do liquidificador e da máquina de lavar roupas).

Em 2Timóteo 1.3-5, Paulo fala com alegria do papel da avó e da mãe de Timóteo em sua educação e auxílio espiritual no caminho do Senhor.
COMO ELAS DEVEM SER NO EVANGELHO?
A Bíblia fala honrosamente de algumas mulheres, mostrando como suas vidas agradaram a Deus. Uma delas é Ana, a profetisa de Jerusalém. Em Lucas 2.36-38, fala de como ela tinha uma vida de oração e de jejuns.

Em 1Pedro 3.3-4, a Bíblia fala sobre como as mulheres devem se preocupar mais com o seu interior do que com seu exterior. Isso não significa que as mulheres não devam se preocupar com sua aparência, mas que elas devem dar tanto ou mais importância para o que Deus está vendo em seus corações do que para o que as pessoas estão vendo em seu exterior.
CONCLUINDO
Muitas outras coisas poderiam ser ditas sobre o papel da mulher.

Estas são apenas algumas informações que a Palavra de Deus nos dá para que as mulheres possam viver de um modo agradável a Deus e que não se desviem daquilo que Deus espera delas. Agradar e obedecer a Deus traz muita alegria ao coração de qualquer pessoa;

Enquanto as mulheres, como mulheres, estiverem vivendo do modo com Deus espera, Deus as sustentará e abençoará, com muita alegra, pois elas estarão vivendo para aquilo que foram criadas.

Honrar a Deus e viver segundo os propósitos de Deus só traz alegria ao nossos corações.

ABEL: Uma vida de entrega e adoração

As história de Abel é, na verdade, de Caim. Abel é lembrado nas Escrituras como um homem de fé, um homem de Deus, alguém de destaque. Embora saibamos muito pouco dele, o pouco que nos é revelado é suficiente para nos mostrar alguém especial e agradável aos olhos de Deus.

Abel, segundo filho de Adão e Eva, foi irmão de Caim. Abel foi assassinado por seu irmão. Foi o primeiro ser humano a conhecer a morte, e a conhecê-la de um modo tão cruel.

E, como já disse, quando sua história é contada, na verdade está tratando de seu irmão, e não dele. Vejamos o texto:

1Coabitou o homem com Eva, sua mulher. Esta concebeu e deu à luz a Caim; então, disse: Adquiri um varão com o auxílio do Senhor.2Depois, deu à luz a Abel, seu irmão. Abel foi pastor de ovelhas, e Caim, lavrador.3Aconteceu que no fim de uns tempos trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao Senhor.4Abel, por sua vez, trouxe das primícias do seu rebanho e da gordura deste. Agradou-se o Senhor de Abel e de sua oferta;5ao passo que de Caim e de sua oferta não se agradou. Irou-se, pois, sobremaneira, Caim, e descaiu-lhe o semblante.6Então, lhe disse o Senhor: Por que andas irado, e por que descaiu o teu semblante?7Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo. 8Disse Caim a Abel, seu irmão: Vamos ao campo. Estando eles no campo, sucedeu que se levantou Caim contra Abel, seu irmão, e o matou.9Disse o Senhor a Caim: Onde está Abel, teu irmão? Ele respondeu: Não sei; acaso, sou eu tutor de meu irmão?10E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue de teu irmão clama da terra a mim.11És agora, pois, maldito por sobre a terra, cuja boca se abriu para receber de tuas mãos o sangue de teu irmão.12Quando lavrares o solo, não te dará ele a sua força; serás fugitivo e errante pela terra.13Então, disse Caim ao Senhor: É tamanho o meu castigo, que já não posso suportá-lo.14Eis que hoje me lanças da face da terra, e da tua presença hei de esconder-me; serei fugitivo e errante pela terra; quem comigo se encontrar me matará.15O Senhor, porém, lhe disse: Assim, qualquer que matar a Caim será vingado sete vezes. E pôs o Senhor um sinal em Caim para que o não ferisse de morte quem quer que o encontrasse.16Retirou-se Caim da presença do Senhor e habitou na terra de Node, ao oriente do Éden.

Gn 4.1-16

Exposição bíblica

Porque Caim ficou irado contra seu irmão?

Para entendermos a história de Abel, precisamos responder essa pergunta. A história de Abel faz mais sentido para nós quando a estudamos sob a luz do que aconteceu com Caim, o primogênito de Adão e Eva.

Perceba, ao longo do texto, quantas vezes o Senhor se apresenta para Caim. No verso 1, o texto diz que Caim veio ao mundo com o auxílio do Senhor. No verso 3, diz que ele trouxe uma oferta ao Senhor. No verso 5, diz que o Senhor não gostou da oferta de Caim. No verso 6, o próprio Deus vem falar com Caim, e o aconselha! Impressionante! Sendo ele o que, normalmente se imagina, alguém morto espiritualmente, como poderia o próprio Deus falar com ele? Como poderia o conselho do Senhor ter sido dado a ele? Enfim, não sabemos as respostas, mas, o certo, é que Caim não ouviu o conselho de Deus, algo típico de alguém que não ama a Deus. No verso 9, encontramos Deus novamente vindo a Caim para falar com ele. No verso 10, novamente é dito “E disse Deus”. No verso 13, a primeira resposta de Caim a Deus é dada. Mesmo sendo estúpido e desrespeitoso com Deus, no verso 15 o Senhor fala com ele novamente assegurando-lhe uma espécie de sobrevivência na Terra. No verso 16, esta história termina com Caim indo para a terra de Node, retirando-se da presença do Senhor.

Veja, então, que a história é sobre Caim e não Abel. No entanto, no restante das páginas das Escrituras, quem é destacado por Deus como um exemplo de vida e de fé para seu povo é Abel, cuja história sabemos tão pouco.

Vamos lembrar brevemente da história. Adão e Eva, pais de Abel e de Caim, foram os primeiros seres humanos sobre a Terra. Foram criados pelo próprio Deus, de um modo totalmente diferente de todos nós. Adão e Eva não tiveram pais, irmãos, tios, primos, avós ou bisavós. Eram apenas eles e Deus, o Criador.

O Senhor fez uma aliança com Adão no Éden. Adão quebrou essa aliança comendo com sua esposa do fruto de uma árvore que Deus havia ordenado não comer. Lembrem-se que a motivação para comerem desse fruto não foi a fome, mas o desejo de se tornarem iguais a Deus, sendo convencidos por uma serpente de que, se comessem do fruto da árvore que Deus mandou não comer, que seriam não mais imagem e semelhança, mas seriam iguais a Deus. Tentados por tão grande oportunidade (falsa), eles comeram, desobedecendo a Deus e quebrando a aliança feita com o Criador.

Ambos perderam o privilégio e alegria de viver na presença de Deus. O pecado trouxe a morte, a separação, o sofrimento. Em meio ao sofrimento do afastamento de Deus, Adão e Eva tiveram seu primeiro filho, e puseram nele o nome de Caim, que significa “adquirido, recebido”. Ele ajudava seus pais e se tornou aquilo no que, provavelmente, mais gostava de trabalhar: um lavrador. Enquanto Caim lavrava a terra, trabalhando na lavoura, seus pais tiveram outro filho, um irmão para Caim.

A este segundo filho, Adão e Eva dão o nome de Abel, cujo significado pode ser “sopro, brevidade, vapor”. Abel, diferente de seu irmão, tornou-se um pastor de ovelhas. Aqui temos, então, as duas profissões mais antigas do mundo: pastor e lavrador, aquele que cuida de animais e aquele que cuida da lavoura.

O texto bíblico nos diz em Gn 4.3 que “no fim de uns tempos trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao Senhor. Abel, por sua vez, trouxe das primícias do seu rebanho e da gordura deste. Agradou-se o Senhor de Abel e de sua oferta; ao passo que de Caim e de sua oferta não se agradou. Irou-se, pois, sobremaneira, Caim, e descaiu-lhe o semblante.”

Aqui, então, o texto nos responde a pergunta inicial. Caim se irritou com seu irmão pelo fato de sua oferta não ter sido aceita por Deus. Mais adiante, tentaremos entender isso. Por enquanto, é isso que precisamos saber. Sua ira se deu por ciúmes e inveja. E esse sentimento de ira trouxe Caim ao sofrimento, provavelmente, um início de depressão, pois o texto nos diz que “descaiu-lhe o semblante”.

Qual a razão de Deus ter rejeitado a oferta de Caim e aceitado a oferta de Abel?

Embora alguns rabinos argumentem que Caim trouxe uma oferta de péssima qualidade, não há como chegarmos a uma conclusão com essa resposta. Nada, na Bíblia, é dito sobre a qualidade da oferta de Caim. O texto apenas diz que Deus não gostou.

Conhecendo tudo o que conhecemos sobre oferta no restante das Escrituras, é bem possível que a oferta de Abel tenha vindo da melhor parte daquilo com que ele trabalhava, no caso, ovelhas. Inferindo isso, é possível que Caim tenha trazido de algo que não fosse o melhor.

Como Abel sabia sobre a oferta que agradaria a Deus?

Esta é outra coisa curiosa sobre a qual tenho meditado há um bom tempo é sobre como Abel sabia o que seria ou não agradável a Deus. Paulo nos diz em Romanos as seguintes palavras:

Estes mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência e os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se, no dia em que Deus, por meio de Cristo Jesus, julgar os segredos dos homens, de conformidade com o meu evangelho.”  Rm 2.15–16.

Seria isso (a lei gravada em seu coração) suficiente para que Abel oferecesse a Deus algo que lhe fosse agradável? Não sabemos. O ponto que me chama a atenção é que Abel já vivia como um homem de fé. Ou seja, bem logo após a queda, Deus já havia manifestado sua graça concedendo fé a um filho daqueles que haviam dado as costas a Ele. Se você tem dúvida sobre a fé de Abel, veja o que diz o autor aos Hebreus:

Pela fé, Abel ofereceu a Deus mais excelente sacrifício do que Caim; pelo qual obteve testemunho de ser justo, tendo a aprovação de Deus quanto às suas ofertas. Por meio dela, também mesmo depois de morto, ainda fala.” Hb 11.4

Abel é chamado na Bíblia de um herói da fé! Isso não é maravilhoso? Muito antes de Abraão, Noé, ou mesmo Sete colocarem sua fé em Deus, um filho de Adão e Eva já havia sido agraciado por Deus para adorá-lo na Terra.

Nós não sabemos como se deu essa “conversão” ao Senhor. Eu, no entanto, imagino que tenha vindo pela graça de Deus por instrumentalidade dos pais de Abel. Sim, creio que Adão e Eva tenham testemunhado a Abel sobre os efeitos da desobediência e do pecado. Creio que Adão e Eva tenham pregado a Abel sobre a promessa de Deus de enviar um descendente que “pisaria a cabeça da serpente”, desfazendo-lhe os efeitos e poder sobre a morte física e espiritual. E, sim, creio que o Senhor Deus deu a Abel a capacidade de crer nesta mensagem, uma espécie de proto-evangelho, a fim de poder oferecer ao Senhor um louvor e uma oferta (porque ofertas estão ligadas também à adoração) ao Senhor.

O que Abel ofereceu parece ter vindo do grande cuidado e atenção que ele dava à sua relação com Deus. Hebreus diz que foi pela fé que ele ofereceu, como um justo, ou seja, como um justificado, perdoado, salvo. Abel ofereceu algo que, futuramente, seria prescrito pelo próprio Senhor e seria registrado em Êx 13.12, Nm 18.17 e Pv 3.9.

Deus se agradou do louvor e oferta de Abel porque vinham conforme a vontade de Deus, e não conforme aquilo que Abel achava o melhor. Abel ouviu a Deus e quis agradá-lo. Abel creu no Senhor com todo seu coração e quis fazer a vontade de Deus e não a sua própria. Abel ofereceu uma oferta ao Senhor que foi fruto do seu louvor ao Senhor. Essa entrega de vida, essa auto-negação, essa disposição em dar aquilo que lhe era melhor faz de Abel um exemplo para nós, faz de Abel um homem do qual o mundo não era digno (Hb 11.38).

O que o Antigo Testamento fala sobre Abel?

Abel, no Antigo Testamento, é descrito como um pastor de ovelhas. A vez em que o nome de Abel é novamente descrito é quando Deus dá um novo filho a Adão e Eva chamado Sete, no tempo de quem, curiosamente, o nome do Senhor voltou a ser invocado na Terra. Pouco citado no Antigo Testamento, Abel volta a ser mencionado com mais ênfase no Novo Testamento.

O que o Novo Testamento fala sobre Abel?

No Evangelho segundo Mateus 23.35 e no segundo Lucas 11.51, Jesus cita Abel nas advertências que dá sobre as consequências do assassinato. Em Hebreus, Abel é chamado de justo e é colocado no topo da lista dos heróis da fé. Ainda em Hebreus 12.24, o sangue de Abel é comparado com o sangue de Jesus no sentido que o sangue de Jesus é redentor, enquanto que o sangue de Abel apenas aponta para a condenação daquele que o derramou, demonstrando que, assim como foi com Abel, aquele que agisse violentamente contra seu próximo, teria consequências presentes e eternas diante de Deus, caso não se arrependesse.

Aplicação

Abel é um exemplo para todos nós. Todos devemos seguir o exemplo de entrega e adoração do santo Abel. Ele foi o primeiro a entrar na presença de Deus após a morte. O primeiro a ser justificado. O primeiro a adorar e ofertar corretamente. O primeiro a morrer. O primeiro a esperar pela ressurreição do último dia. O primeiro a tornar-se um herói da fé. O primeiro a ser considerado pelo autor de Hebreus como “um homem do qual o mundo não era digno”, e isso por causa de sua fé e de seu amor pelo Senhor demonstrados naquela simples oferta que lhe custou a vida.

Como você e eu temos oferecido ao Senhor nosso louvor? Como você e eu temos ofertado ao Senhor? Temos adorado e ofertado conforme nosso próprio pensamento ou conforme diz a Palavra de Deus? Temos dado a Deus o melhor tempo, o melhor lugar em nossas vidas e agendas, um lugar de honra em nossos orçamentos? Ou temos dado a Deus do que sobra em nossas vidas? O que sobra do dinheiro, o que sobre do tempo, o que sobra de tudo? Temos agido como Caim ou como Abel?

Conclusão

Porque você acha que Abel entrou para a galeria de heróis da fé em Hb 11? Particularmente, creio que foi dar a Deus o melhor, fazendo isso em fé, não em vista, não esperando receber nada em troca, até porque o que ele recebeu em troca de sua oferta e louvor foi a morte.

E, uma última pergunta para nossa reflexão é: como a história de Abel aponta para a história de Jesus? Sem dúvida, Jesus agiu como Abel entregando sua vida por amor Deus. Sim, por amor a Deus antes de tudo. Como fruto de seu amor por Deus, ele nos amou também. Jesus também foi morto por aqueles que com ele convivia, por seus irmãos de nacionalidade. Estes, não apenas o rejeitaram, como o mataram.

Quando olhamos para Jesus, o vemos nos convidando a negarmos nossas vidas e a oferecermos como uma oferta em louvor a Deus, nossas vidas e tudo o que temos.

Rm 12.1–2: Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.2E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

Lucas 9.23: Dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me.

Hebreus 13.15: Por meio de Jesus, pois, ofereçamos a Deus, sempre, sacrifício de louvor, que é o fruto de lábios que confessam o seu nome.